Saúde / Envelhecimento
Dia Mundial do Cérebro reforça cinco hábitos para preservar a memória após os 50 anos
Dia Mundial do Cérebro destaca leitura, aprendizado, convívio social, criatividade e cuidados físicos como aliados da saúde cognitiva.
22/07/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Celebrado nesta quarta-feira, 22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro chama a atenção para os cuidados que ajudam a preservar a memória, o raciocínio e a autonomia ao longo do envelhecimento. A orientação ganha importância diante do crescimento da população idosa e do aumento dos casos de demência em diferentes países.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 57 milhões de pessoas viviam com demência em 2021, com a estimativa de quase 10 milhões de novos casos por ano. A condição está entre as principais causas de incapacidade entre idosos e ocupa a posição de sétima maior causa de morte no mundo.
O envelhecimento, porém, não representa obrigatoriamente perda acentuada da memória ou desenvolvimento de demência. Mesmo com as mudanças naturais da idade, o cérebro mantém a capacidade de criar e reorganizar conexões, processo conhecido como neuroplasticidade.
Para o neurologista Tiago Garcia de Oliveira, especialista em distúrbios do movimento da MedSênior, manter a mente ativa deve fazer parte da rotina da mesma forma que os cuidados com a saúde física.
“O cérebro precisa ser constantemente desafiado. Quanto mais variadas forem as atividades cognitivas realizadas ao longo da vida, maior tende a ser a reserva cognitiva, que funciona como fator de proteção diante do envelhecimento e de algumas doenças neurodegenerativas”, explica.
O hábito de ler livros, jornais ou revistas estimula áreas relacionadas à linguagem, memória, concentração e capacidade de interpretação. Alguns minutos de leitura por dia já representam uma forma de exercício mental.
A recomendação é variar os conteúdos e buscar assuntos que despertem interesse. A leitura também pode ser combinada com conversas sobre o tema ou anotações, aumentando o estímulo cognitivo.
Aprender um idioma, tocar um instrumento, utilizar uma nova tecnologia ou desenvolver qualquer habilidade ajuda a ativar diferentes regiões do cérebro.
O esforço necessário para compreender informações novas favorece a memória e a resolução de problemas. A atividade não precisa ser complexa, desde que exija atenção e represente um desafio gradual.
Atividades como quebra-cabeças, palavras cruzadas, caça-palavras, sudoku, jogo da memória, dama e xadrez ajudam a exercitar concentração, planejamento e raciocínio lógico.
Além do estímulo mental, jogos realizados em grupo também ampliam a convivência social, o diálogo e a interação entre os participantes.
Manter contato com familiares e amigos, participar de grupos e frequentar oficinas são práticas que ajudam a reduzir o isolamento e estimulam diferentes funções mentais.
Atividades como pintura, música, artesanato e trabalhos manuais também favorecem a criatividade, a expressão emocional e o aprendizado. A combinação entre convivência e produção criativa amplia o estímulo cerebral e pode melhorar o bem-estar.
Na MedSênior, programas como a oficina Cabeça Boa reúnem exercícios cognitivos e atividades em grupo voltadas à memória, atenção e outras funções mentais. A operadora também mantém oficinas de arteterapia e iniciativas de convivência.
A prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, o sono de qualidade e o acompanhamento de doenças crônicas têm impacto direto na saúde cerebral.
O controle de condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado contribui para reduzir riscos que afetam a circulação sanguínea e o funcionamento do sistema nervoso.
“Não existe uma atividade isolada capaz de prevenir o declínio cognitivo. O que faz diferença é a combinação de hábitos saudáveis mantidos ao longo do tempo”, afirma o neurologista.
Segundo Tiago Garcia de Oliveira, estudos recentes apontam benefícios de intervenções que reúnem atividade física, alimentação, estímulos mentais, acompanhamento de saúde e participação social entre pessoas com maior risco de demência.
“Quando aliamos desafios cognitivos, interação social e atividades que despertam interesse e prazer, criamos um ambiente mais favorável para a manutenção da saúde cerebral”, acrescenta.
Na prática, preservar o cérebro após os 50 anos depende de uma rotina equilibrada, com movimento, aprendizado, relações sociais e atenção à saúde. O objetivo não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas manter a capacidade de decidir, aprender, conviver e realizar atividades com independência.
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