Política / Eleições 2026
Michelle chama direita do Ceará de “vendida” após Ciro ignorar Flávio Bolsonaro
Ex-primeira-dama criticou apoio do PL à candidatura de Ciro Gomes, que citou Ronaldo Caiado e Renan Santos como opções para a Presidência.
21/07/2026
11:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a criticar a articulação política da direita no Ceará após o pré-candidato ao governo estadual Ciro Gomes (PSDB) afirmar que poderia apoiar Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) na disputa presidencial, sem mencionar Flávio Bolsonaro (PL).
A manifestação ocorreu no domingo (19), em comentário publicado no Instagram. Michelle reagiu a uma postagem que reproduzia a declaração de Ciro, feita durante entrevista concedida após um evento na região do Cariri. A fala do ex-ministro ampliou as divergências em torno da aproximação entre o diretório cearense do PL e o PSDB.
“Choca? Não! Só não viu quem não quis, por causa do velho ‘toma lá, dá cá’. Eu alertei que esse senhor, cujo partido contribuiu para deixar o meu marido inelegível, não daria o seu apoio. Ainda assim, queria os votos dos bolsonaristas. Infelizmente, a direita do Ceará está vendida”, escreveu Michelle.
Ciro afirmou que o PSDB ainda não havia definido uma candidatura presidencial e mencionou Ronaldo Caiado e Renan Santos como possibilidades de apoio. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, não apareceu entre os nomes citados.
A declaração provocou desconforto porque setores do PL cearense defendem uma aliança com Ciro para a disputa pelo governo estadual. O apoio, no entanto, não significaria necessariamente adesão do tucano ao projeto presidencial da família Bolsonaro.
Michelle já vinha se posicionando contra essa composição. Para a ex-primeira-dama, o partido deveria apoiar a pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará, considerada por ela mais coerente com o eleitorado conservador.
A aproximação do PL com Ciro também desencadeou um conflito entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Em vídeos publicados em 24 de junho, ela afirmou ter sido desrespeitada pelo enteado durante uma conversa por telefone sobre a condução política do partido no Ceará.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou mal ao telefone. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido e que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, relatou.
Ciro evitou se envolver diretamente na discussão. Na ocasião, declarou que não assistiria aos vídeos de Michelle e classificou o episódio como um problema interno da direção nacional do PL.
O novo ataque expõe a diferença de estratégia dentro do campo bolsonarista. Uma ala do PL defende alianças amplas nos estados para aumentar a competitividade eleitoral, mesmo que envolvam antigos adversários.
Michelle e seus aliados sustentam que determinadas composições podem afastar o partido de sua base mais ideológica. A ex-primeira-dama relembra críticas feitas por Ciro ao ex-presidente Jair Bolsonaro e argumenta que o apoio ao tucano compromete o discurso político da legenda.
A divergência ocorre em um momento de fragmentação da direita nacional, com diferentes candidaturas tentando ocupar espaço na corrida presidencial e resistências internas ao nome de Flávio Bolsonaro.
Apesar das críticas, o diretório cearense do PL ainda não anunciou uma mudança na estratégia eleitoral. A definição deverá ocorrer durante as convenções partidárias, quando serão formalizadas as candidaturas, alianças e chapas proporcionais no Estado.
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