Economia / Mobilidade
Ministério das Cidades avalia modelo de Tarifa Zero para transporte público em todo o país
Estudo conduzido pela Fazenda deve apontar impacto fiscal e fontes de financiamento para eventual mudança no sistema
24/02/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O governo federal estuda a possibilidade de implementar a chamada Tarifa Zero no transporte público urbano em âmbito nacional. A informação foi confirmada nesta terça-feira (24) pelo ministro das Cidades, Jader Filho, que afirmou que análises técnicas estão em andamento para dimensionar o impacto econômico da medida.
Segundo o ministro, a discussão surge diante da crise estrutural enfrentada pelos sistemas de transporte coletivo no Brasil, cujo modelo tradicional depende da divisão de custos entre usuários e poder público para cobrir despesas operacionais e margens contratuais das concessionárias.
“Estamos debatendo alternativas para aprimorar o transporte público nas cidades. É uma discussão que precisa ser feita em nível nacional”, declarou Jader Filho.
Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ministério da Fazenda conduz um estudo de viabilidade para avaliar os impactos financeiros da eventual implementação da gratuidade. A análise busca identificar fontes de financiamento e estimar o volume de recursos necessários para sustentar o modelo.
O ministro ressaltou que qualquer proposta dependerá de articulação com estados e municípios, responsáveis pela gestão local e regional do transporte público.
“Se houver tarifa zero, precisamos saber de onde sairão os recursos e qual será o custo dessa política pública”, afirmou.
Para o titular das Cidades, o sistema vigente, baseado majoritariamente na cobrança direta do usuário, apresenta sinais de esgotamento. Ele argumenta que a dependência da tarifa paga pelo passageiro tem se mostrado insuficiente para manter equilíbrio econômico-financeiro das concessões, especialmente em grandes centros urbanos.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), já havia informado, em outubro do ano passado, que a equipe econômica elaborava um diagnóstico abrangente do setor. À época, cerca de 136 municípios brasileiros já adotavam a tarifa zero, principalmente cidades de pequeno e médio porte.
Haddad destacou que o estudo busca alternativas estruturais para financiar o transporte urbano, incluindo revisão de subsídios, reestruturação contratual e novas fontes de custeio.
Paralelamente ao debate no Executivo, a Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para análise do Projeto de Lei nº 3.278/2021, que institui o marco legal do transporte público coletivo urbano. A proposta já foi aprovada pelo Senado e aguarda votação em plenário.
O texto prevê a criação de uma rede integrada envolvendo União, estados e municípios, além da possibilidade de destinação de recursos orçamentários para custear gratuidades e tarifas reduzidas. O projeto também estabelece metas de universalização do serviço e transição energética da frota.
O relator na Câmara, deputado federal José Priante (MDB-PA), defende a separação entre a tarifa paga pelo passageiro e a remuneração das empresas operadoras. Segundo ele, o modelo permitirá vincular os pagamentos ao cumprimento de metas de qualidade e desempenho, evitando que os usuários arquem com custos alheios à prestação do serviço.
O avanço do debate dependerá da conclusão dos estudos técnicos conduzidos pela equipe econômica e da construção de consenso federativo sobre as fontes permanentes de financiamento do sistema.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
A Constituição e o direito de falar em Deus nos espaços públicos
Leia Mais
PL exibe áudio com voz de Bolsonaro em convenção que lança Jorginho Mello em SC
Leia Mais
Convenção do Missão lança Renan Santos à Presidência e apresenta propostas para o país
Leia Mais
Bolsa Família começa a pagar parcela de agosto no dia 18; confira o calendário
Municípios