Política / Trabalho
Governo articula projeto para extinguir escala 6x1 e acelerar aprovação no Congresso
Gleisi Hoffmann afirma que proposta é prioridade de Lula e pode ser votada ainda no primeiro semestre de 2026
28/01/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O fim da escala de trabalho 6x1 — seis dias trabalhados para um de descanso — entrou oficialmente no centro da agenda do governo federal em 2026. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (28) que o Executivo estuda enviar um projeto próprio ao Congresso para unificar as propostas já em tramitação e agilizar a aprovação, com expectativa de votação ainda no primeiro semestre.
Segundo a ministra, a medida é considerada prioritária pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integra uma agenda voltada à melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores, após avanços econômicos recentes.
“Depois da correção do salário mínimo com ganho real, da geração de empregos e da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, está na hora de cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro”, afirmou Gleisi.
Gleisi destacou que a escala 6x1 limita o descanso, a vida familiar e o cuidado pessoal, com impactos mais severos sobre as mulheres, que concentram a maior parte das tarefas domésticas e de cuidado.
“Não é possível que as pessoas tenham apenas um dia por semana para descansar e cuidar da vida pessoal. Isso atinge principalmente as mulheres. O presidente Lula está determinado”, reforçou.
De acordo com a ministra, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, tem demonstrado simpatia ao debate, e caberá ao governo articular apoio político para viabilizar a aprovação.
Para Gleisi Hoffmann, o projeto conta com forte apoio da opinião pública, o que tende a influenciar o posicionamento do Congresso, a exemplo do que ocorreu com a proposta de isenção do Imposto de Renda.
“Quando você tem a opinião pública e mostra convicção em uma proposta, o Parlamento se mostra sensível”, avaliou.
Ela também lembrou que setores produtivos, como a indústria, já adotam escalas diferenciadas, o que reduz a resistência a mudanças no modelo tradicional.
Com a retomada dos trabalhos do Congresso Nacional em 2 de fevereiro, a ministra elencou outras prioridades do Executivo para 2026, além do fim da escala 6x1:
Acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia;
Regulamentação do trabalho por aplicativos;
PEC da Segurança Pública;
Projeto de lei antifacção;
Medidas provisórias, como o programa Gás do Povo e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).
Gleisi também afirmou que o governo atua para manter o veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, aprovado pelo Congresso em dezembro. O projeto prevê redução de penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.
“Esse processo de responsabilização ocorreu dentro do devido processo legal e é pedagógico. Qualquer interferência será ruim para a democracia e para o Estado Democrático de Direito”, afirmou.
Sobre as emendas parlamentares, a ministra disse que o tema está pacificado. O Orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões, sendo R$ 37,8 bilhões em emendas impositivas.
O governo pretende antecipar o pagamento de pelo menos 65% dessas emendas até julho, especialmente as de transferência direta ou fundo a fundo.
Gleisi Hoffmann também comentou as investigações sobre fraudes financeiras no Banco Master, rebatendo tentativas da oposição de vincular o caso ao governo Lula.
Ela afirmou que reuniões do presidente com banqueiros fazem parte da rotina institucional e que a apuração ocorre com rigor técnico, envolvendo Banco Central e Polícia Federal.
Sobre o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, Gleisi ressaltou que ele atuou legalmente como consultor jurídico do banco após deixar o STF e encerrou os contratos antes de assumir cargo no governo.
“Não há irregularidade nem crime. Foi na gestão do ministro Lewandowski que o presidente do Banco Master foi preso”, destacou.
A ministra lembrou que a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025, investiga fraudes que podem chegar a R$ 17 bilhões, incluindo a tentativa de compra do banco pelo BRB.
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