Internacional / Política
Keiko Fujimori assume Presidência do Peru e sinaliza relação pragmática com o Brasil
Presidente de direita toma posse nesta terça-feira após vitória apertada e reconhece o papel de Lula na articulação política da América do Sul.
28/07/2026
10:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A presidente eleita Keiko Fujimori toma posse nesta terça-feira (28) no Peru para um mandato de cinco anos, após vencer uma das eleições mais disputadas da história recente do país. A nova chefe de Estado assume diante do desafio de reduzir a instabilidade política, enfrentar o avanço da criminalidade e ampliar a distribuição dos resultados econômicos entre as regiões mais pobres.
Antes da posse, durante uma reunião com embaixadores latino-americanos, Keiko teria afirmado que, apesar das diferenças ideológicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o único líder sul-americano com capacidade para unir o continente. O relato foi feito por uma pessoa presente no encontro.
A declaração indica que a nova administração peruana poderá adotar uma relação pragmática com o governo brasileiro. Embora Keiko pertença à direita tradicional e tenha sinalizado maior aproximação com os Estados Unidos, o Brasil permanece um parceiro estratégico devido ao peso econômico, à fronteira comum e à influência política regional.
Keiko tornou-se a primeira mulher eleita pelo voto popular para presidir o Peru. Ela derrotou o deputado de esquerda Roberto Sánchez com 50,135% dos votos, contra 49,865%, diferença de aproximadamente 50 mil votos. A vitória ocorreu após três derrotas anteriores em segundo turno e marcou o retorno do fujimorismo ao poder.
A nova presidente assume um país que teve oito chefes de Estado nos últimos dez anos, cenário marcado por renúncias, destituições, governos provisórios e disputas entre o Executivo e o Congresso.
A restauração do sistema legislativo bicameral também altera a dinâmica política do país. O Força Popular, partido de Keiko, garantiu a presidência do Senado por meio de uma aliança com o conservador Renovação Popular, mas não possui maioria suficiente para governar sem negociações com outras legendas.
Em Lima, apoiadores comemoraram a chegada de Keiko ao poder depois de quatro disputas presidenciais. O resultado, porém, aprofundou a divisão entre a capital e as regiões rurais, onde Roberto Sánchez recebeu maior apoio.
A comerciante Luz Ampudia, natural do interior peruano e residente em Lima, manifestou preocupação com a capacidade do novo governo de compreender as necessidades das áreas mais pobres.
“Não acredito que ela tenha sensibilidade social para entender nossas necessidades. Lima é rica, mas depende da produção que vem do centro e do sul do país, que é paupérrimo”, afirmou.
O economista Carlos Aquino, professor da Universidade Nacional Maior de São Marcos, avalia que o Peru possui condições econômicas favoráveis, mas precisa reduzir as desigualdades e distribuir melhor a riqueza entre as regiões.
Brasil e Peru aproximam-se de 200 anos de relações diplomáticas, marco que será alcançado em 2027. A expectativa entre diplomatas é de que o novo governo amplie as oportunidades para investimentos brasileiros e avance em entendimentos econômicos ainda pendentes.
Entre os instrumentos discutidos está o Acordo de Ampliação Econômico-Comercial entre Brasil e Peru, assinado em 2016, com regras relacionadas a investimentos, compras governamentais e comércio de serviços. O acordo consta na base oficial de atos internacionais do Itamaraty.
A condução da política externa peruana ficará sob responsabilidade de Carlos Espá, anunciado por Keiko como ministro das Relações Exteriores. A presidente também escolheu Luis Galarreta para chefiar o Conselho de Ministros e Elmer Cuba para comandar a área econômica.
Durante a campanha, Keiko prometeu adotar uma política de maior rigor contra a criminalidade, ampliar a geração de empregos e fortalecer a presença do Peru no cenário internacional.
O país mantém uma economia fortemente vinculada à exportação de minerais, especialmente cobre, e tem a China como principal parceiro comercial. Para 2026, o Banco Central peruano projeta crescimento econômico de 3,4%, embora setores como agricultura e pesca continuem vulneráveis a eventos climáticos.
Segundo Carlos Aquino, o desempenho das exportações e a inflação controlada oferecem uma base favorável para o início do novo governo. O maior risco, na avaliação do economista, permanece na instabilidade institucional.
“As exportações estão crescendo a cada ano e devem alcançar novo recorde em 2026. A inflação é baixa, mas nosso desafio é a instabilidade política, depois da queda de tantos presidentes”, afirmou.
O governo brasileiro é representado na cerimônia pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O presidente Lula não participa da posse, decisão que já vinha sendo indicada pela diplomacia brasileira.
A programação reúne chefes de Estado e autoridades estrangeiras, entre eles os presidentes Javier Milei, da Argentina; José Antonio Kast, do Chile; Daniel Noboa, do Equador; Santiago Peña, do Paraguai; e Rodrigo Paz, da Bolívia, além do rei Felipe VI, da Espanha.
A posse ocorre em 28 de julho, data da independência peruana e também do aniversário de nascimento do ex-presidente Alberto Fujimori, pai de Keiko. Desta vez, a nova presidente não repetiu a visita anual ao túmulo do pai, figura que ainda divide profundamente a sociedade peruana.
A relação com o Brasil deverá ser um dos primeiros testes da política externa de Keiko. Apesar da proximidade ideológica com governos conservadores, o peso econômico e diplomático brasileiro tende a levar a nova administração a preservar o diálogo com Brasília e buscar resultados concretos em comércio, integração fronteiriça e investimentos.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Mulher Melancia deixou os palcos e adotou rotina discreta ao lado da família
Leia Mais
Defesa de Bolsonaro nega aval a vídeo de IA e amplia pressão sobre campanha de Flávio
Leia Mais
Horóscopo de hoje aponta decisões maduras e novos caminhos nesta quinta-feira
Leia Mais
PSB confirma Alckmin como vice de Lula na disputa pela reeleição
Municípios