PANDEMIA| CDC reconhece que coronavÃrus pode ser transmitido pelo ar
05/10/2020
21:00
PA
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| ©DR |
O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) reconheceu nesta segunda-feira, 5, que o novo coronavÃrus pode ser transmitido pelo ar. O órgão de saúde americano atualizou um documento disponÃvel no site da agência sobre as formas de contaminação do Sars-CoV-2 com essa informação, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) já tinha alertado acerca dessa possibilidade em julho.
Na diretriz, o CDC destaca que a transmissão aérea da covid-19 pode ocorrer "à s vezes" e "sob certas condições" pela exposição a gotÃculas ou pequenas partÃculas do vÃrus que podem ficar no ar por minutos ou horas. Porém, diz ser mais comum a infecção entre pessoas que tiveram contato próximo. O órgão também afirma que esse tipo de disseminação é uma via importante em outras infecções, como tuberculose, sarampo e catapora.
"Há evidências de que, sob certas condições, as pessoas com covid-19 parecem ter infectado outras que estavam a mais de dois metros de distância. Essas transmissões ocorreram em espaços fechados com ventilação inadequada. Ã?s vezes, a pessoa infectada respirava com dificuldade, por exemplo, enquanto cantava ou fazia exercÃcios", descreve.
"Nessas circunstâncias, os cientistas acreditam que a quantidade de gotÃculas infecciosas menores e partÃculas produzidas pelas pessoas com covid-19 se concentraram o suficiente para espalhar o vÃrus para outras pessoas. As pessoas infectadas estavam no mesmo espaço durante o mesmo perÃodo ou logo após a saÃda da pessoa com covid-19", completa o CDC.
A atualização da página ocorre após um incidente no mês passado, quando a agência retirou do site uma publicação que reconhecia a transmissão pelo ar. Segundo o órgão, o material não tinha passado pela revisão adequada e foi postado por engano. O texto do projeto incluÃa uma referência aos aerossóis - gotÃculas minúsculas que podem permanecer no ar, viajando potencialmente por uma distância significativa. Autoridades disseram que o projeto foi removido porque temiam que a linguagem pudesse ser mal interpretada como uma sugestão de que a transmissão aérea é a principal forma de propagação do vÃrus.
Em julho, a OMS publicou um informe cientÃfico, após pressão de pesquisadores, em que passou a considerar o risco de transmissão do novo coronavÃrus pelo ar. A partir daÃ, o uso de máscaras de proteção passou a ser recomendado também em ambientes fechados. Na ocasião, a entidade citou relatos de surtos relacionados a locais fechados, como restaurantes, templos religiosos e espaços de ginástica.
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Dias antes, o órgão mundial havia recebido uma carta assinada por 239 cientistas de 32 paÃses em que descreviam evidências de partÃculas menores poderem infectar pessoas. Com o documento, eles pediram que a agência reavaliasse as recomendações que vinham sendo repetidas até então. Esse reconhecimento ajudaria a definir as estratégias mais efetivas e fornecer um guia claro e consistente ao público.
Também nesta segunda-feira, cientistas de universidades dos Estados Unidos publicaram uma carta conjunta no site da revista Science na qual afirmam que "há evidências contundentes" de que a inalação do Sars-CoV-2 é a principal via de transmissão da covid-19 e, por isso, há a necessidade de explicar a diferença entre aerossóis e gotÃculas usando a medida de comprimento de 100 µm (100 micrômetros). Segundo eles, essa distinção "separa com mais eficácia o comportamento aerodinâmico, a capacidade de inalação e a eficácia das intervenções".
"Os vÃrus em gotÃculas (maiores que 100 µm) normalmente caem no solo em segundos a dois metros da fonte e podem ser pulverizados como pequenas balas de canhão em indivÃduos próximos. Por causa de seu alcance de deslocamento limitado, o distanciamento fÃsico reduz a exposição a essas gotÃculas", pontuam.
Já os vÃrus em aerossóis (menores que 100 µm) "podem permanecer suspensos no ar por vários segundos a horas, como fumaça, e ser inalados. Eles estão altamente concentrados perto de uma pessoa infectada, portanto, podem infectar pessoas nas proximidades". Porém, eles alertam que essas partÃculas que contêm vÃrus infecciosos também podem viajar por mais de dois metros e se acumular no ar em um ambiente mal ventilado, o que leva "a eventos de superespalhamento".
Os cientistas explicam também que as pessoas com covid-19 liberam milhares de aerossóis carregados de vÃrus e menos gotÃculas ao respirar ou falar. "Assim, é muito mais provável alguém inalar aerossóis do que ser pulverizado por uma gota e, portanto, o equilÃbrio da atenção deve ser mudado para a proteção contra a transmissão aérea", afirmam. Para eles, além da necessidade de uso de máscara, distanciamento social e medidas de higiene, é preciso que os profissionais de saúde deem "orientações claras sobre a importância de atividades ao ar livre, melhorem o ar interno usando ventilação e filtração e melhorem a proteção para trabalhadores de alto risco".
Fonte: UOL / Com agência internacional
Por: Ludimila Honorato
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