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Morre Netinho, aos 60 anos, cantor que marcou a história do axé com o sucesso “Milla”
Artista morreu nesta terça-feira (13), em Salvador, após enfrentar um linfoma não Hodgkin; velório e cremação serão reservados à família e aos amigos.
13/10/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O cantor Netinho, um dos nomes mais conhecidos do axé music brasileiro, morreu nesta terça-feira (13 de outubro), aos 60 anos, em um hospital de Salvador, na Bahia. O artista enfrentava um câncer do sistema linfático havia mais de um ano e teve agravamento do quadro de saúde, com falência renal e disfunção de múltiplos órgãos.
Segundo a assessoria do músico, Netinho estava em tratamento contra um linfoma não Hodgkin do tipo B, doença que havia tornado pública em março de 2025. Nos últimos meses, seu estado de saúde apresentou complicações que culminaram na morte.
Por decisão manifestada pelo próprio cantor, o velório e a cremação serão realizados de maneira reservada, com a presença apenas de familiares e amigos próximos.
Dono de sucessos que atravessaram gerações, Netinho ajudou a popularizar o axé music em todo o Brasil durante as décadas de 1980 e 1990. Canções como “Milla”, “Beijo na Boca” e “Fim de Semana” marcaram sua trajetória e continuam associadas ao período de expansão nacional do gênero musical.
O cantor anunciou publicamente o diagnóstico de câncer do sistema linfático em 22 de março de 2025, depois de ser internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, com fortes dores nas pernas.
Os exames identificaram um linfoma não Hodgkin, doença que afeta o sistema linfático, responsável por funções importantes na defesa do organismo.
Desde então, Netinho passou por tratamento médico e compartilhou com seus seguidores informações sobre diferentes etapas do acompanhamento.
De acordo com sua assessoria, a doença evoluiu e provocou complicações graves, incluindo falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Nascido em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, Netinho mudou-se com a família para Salvador aos dez anos.
O contato com a música começou ainda na adolescência. Aos 14 anos, ganhou da mãe seu primeiro violão e passou a desenvolver o interesse pela carreira artística.
Dois anos depois, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), mas continuou se dedicando às apresentações musicais.
Inicialmente, cantava em escolas e pequenos eventos. Posteriormente, começou a se apresentar profissionalmente em bares, interpretando principalmente músicas da MPB e da bossa nova.
A trajetória ganhou projeção em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo e participou do Carnaval de Salvador.
Naquele mesmo ano, a música “Beijo na Boca” alcançou repercussão nacional e ajudou a transformar o grupo em uma das referências do axé.
Outras canções, como “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida É Festa”, ampliaram sua popularidade.
Depois de deixar a Banda Beijo, Netinho iniciou sua carreira solo em 1993.
Três anos depois, em 1996, lançou “Milla”, música que se tornou o maior sucesso de sua trajetória e um dos principais símbolos do axé music.
A canção ganhou espaço nas rádios, nos programas de televisão e nas festas populares, consolidando o artista entre os grandes nomes da música baiana.
O sucesso também abriu portas para apresentações internacionais, incluindo shows na Itália e no Chile.
Ao longo da carreira, Netinho contribuiu para levar o axé além dos circuitos tradicionais do Carnaval de Salvador, alcançando públicos de diferentes regiões do Brasil e do exterior.
Além das apresentações, Netinho desenvolveu atividades como empresário do setor musical.
O artista abriu um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, que recebeu trabalhos de músicos brasileiros e internacionais.
Entre os nomes que passaram pelo espaço estão Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz.
Netinho também criou um selo musical voltado ao lançamento de novos artistas baianos, ampliando sua atuação na indústria fonográfica.
Na vida pessoal, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, entre 1997 e 2003. O casal teve uma filha, Bruna Trindade.
A carreira de Netinho sofreu uma interrupção importante em 2013, quando o cantor enfrentou três acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
As complicações afetaram sua saúde e provocaram, entre outros problemas, a perda da voz, comprometendo diretamente sua atividade profissional.
Em consequência, ficou quatro anos afastado das apresentações no Carnaval de Salvador, uma das principais vitrines de sua carreira.
O período foi marcado por tratamentos e tentativas de recuperação para retornar aos palcos.
Netinho também teve participação no debate público e chegou a disputar uma eleição.
Em 2010, declarou publicamente ser bissexual. Dois anos depois, durante entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, comentou que preferia preservar aspectos de sua vida pessoal.
“Eu acho cafona ficar falando sobre isso. Não tem muito sentido”, afirmou na ocasião.
Na política, candidatou-se a deputado federal pelo Partido Liberal (PL) nas eleições de 2022, mas não conseguiu uma vaga na Câmara dos Deputados.
O cantor recebeu aproximadamente 31 mil votos e ficou na condição de suplente da legenda, conforme os registros eleitorais.
Netinho também manifestou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e participou de pelo menos uma mobilização favorável ao então chefe do Executivo, em 2021. Seu posicionamento político provocou críticas e discussões públicas.
A morte de Netinho encerra uma trajetória marcada pela expansão do axé music e pela popularização de canções que se tornaram presença constante em festas e carnavais.
Com uma carreira iniciada ainda na juventude, o artista participou de uma fase de transformação da música baiana, quando o gênero conquistou projeção nacional e passou a ocupar espaço de destaque na indústria musical.
Entre os sucessos que permanecem associados à sua voz, “Milla” ocupa lugar especial pela repercussão alcançada desde o lançamento, em 1996.
Netinho deixa a filha Bruna Trindade, familiares, amigos e um repertório que marcou diferentes gerações de admiradores da música brasileira.
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