Mundo / Diplomacia
Lula embarca para Nova York e abre Assembleia da ONU na terça-feira
Presidente terá encontro com o prefeito Zohran Mamdani e recebeu cerca de 30 pedidos de reuniões bilaterais; eventual contato com Donald Trump não está confirmado
20/09/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (20) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participará da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O principal compromisso será na terça-feira (22), quando fará o primeiro discurso entre os chefes de Estado na abertura do debate geral.
A viagem ocorre a 14 dias do primeiro turno das eleições brasileiras, marcado para 4 de outubro, e terá duração curta. Além da participação na ONU, Lula terá encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e deve manter uma reunião breve com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
O governo brasileiro recebeu aproximadamente 30 pedidos de reuniões bilaterais durante a passagem do presidente pelos Estados Unidos. A quantidade de encontros, porém, deverá ser reduzida devido ao tempo disponível e às dificuldades de deslocamento e segurança durante a Assembleia Geral.
Como ocorre tradicionalmente no debate geral da ONU, o Brasil abrirá a sequência de discursos. Logo depois de Lula, está prevista a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A proximidade entre os horários alimenta a possibilidade de algum contato entre os dois presidentes nos corredores da organização. Até este domingo, porém, não havia reunião bilateral confirmada entre Lula e Trump, e um eventual encontro informal não deve ser tratado como parte oficial da agenda.
A expectativa em torno de uma possível aproximação aumentou diante das divergências recentes entre os governos brasileiro e norte-americano. O Planalto pretende utilizar os compromissos internacionais para defender a soberania brasileira e o princípio da não interferência externa no processo eleitoral, segundo informações divulgadas por integrantes do governo.
Uma das poucas reuniões já confirmadas será com Zohran Mamdani, prefeito de Nova York. O encontro foi solicitado pelo próprio prefeito e está previsto para ocorrer na residência do representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, o embaixador Sérgio Danese.
Mamdani assumiu a prefeitura em janeiro de 2026, aos 34 anos. A agenda com Lula será realizada à margem dos compromissos oficiais da Assembleia.
O presidente brasileiro também deverá manter contatos com outras autoridades estrangeiras, mas a relação definitiva de reuniões ainda depende de ajustes diplomáticos e logísticos.
O pronunciamento de Lula está previsto para abordar temas tradicionais da política externa brasileira, como multilateralismo, soberania dos países, direito internacional, negociações de paz, reforma das instituições internacionais, meio ambiente e cooperação entre os Estados.
Outro assunto previsto é o combate ao crime organizado transnacional. A intenção brasileira é defender cooperação internacional para enfrentar organizações criminosas, preservando a soberania territorial dos países.
O presidente também deverá abordar as guerras e crises internacionais e voltar a defender uma reforma da estrutura de governança das Nações Unidas. Lula tem criticado a atual composição do Conselho de Segurança da ONU, principalmente o poder de veto reservado aos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
A soberania brasileira deverá ocupar espaço relevante no pronunciamento. Segundo interlocutores do governo, Lula pretende defender que outros países não interfiram nas eleições brasileiras de 2026.
A expectativa relatada por integrantes do governo é de que o presidente adote uma linguagem diplomática, sem direcionar nominalmente as críticas a Trump. A formulação final do discurso ainda poderá sofrer alterações antes da apresentação na Assembleia.
Esse ponto deve ser tratado como posição política do governo Lula, e não como comprovação de que tenha ocorrido interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
A programação prevista começa neste domingo (20), com a viagem e chegada a Nova York.
Na segunda-feira (21), Lula deverá concentrar parte do dia na preparação e revisão do discurso, além de cumprir o encontro com Mamdani e eventuais reuniões bilaterais.
Na terça-feira (22), o presidente fará o discurso brasileiro na abertura do debate geral da Assembleia e, após os compromissos programados, deverá iniciar o retorno ao Brasil. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York para representar o país nas demais agendas multilaterais.
A sucessão de António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026, também estará entre os temas de interesse diplomático durante a Assembleia. E houve uma mudança importante em relação às informações divulgadas anteriormente.
A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, que tinha o apoio do governo brasileiro para disputar a Secretaria-Geral da ONU, retirou sua candidatura neste fim de semana. A desistência ocorreu após seu nome perder força nas consultas informais realizadas no Conselho de Segurança.
Portanto, a informação de que o Brasil mantém Bachelet como sua candidata à sucessão de Guterres, presente no texto original, já está desatualizada neste domingo (20).
O processo para escolha do próximo secretário-geral passa inicialmente pelo Conselho de Segurança, que recomenda um nome para posterior apreciação da Assembleia Geral. Após a saída de Bachelet, a disputa permanece aberta.
A presença simultânea de Lula e Trump, as discussões sobre conflitos internacionais, soberania, crime organizado e a sucessão no comando das Nações Unidas colocam a 81ª Assembleia Geral no centro da agenda diplomática brasileira desta semana.
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