Política / Segurança
Lula rebate Trump, rejeita classificação de facções como terroristas e defende retomada de territórios
Presidente anunciou no Rio ações integradas contra o crime organizado e afirmou que União, Estado e municípios precisam atuar juntos para recuperar áreas dominadas por grupos criminosos
18/09/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu nesta sexta-feira (18) a posição do governo de Donald Trump sobre organizações criminosas brasileiras e afirmou que não concorda com a classificação de facções como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A declaração ocorreu durante agenda de segurança pública no Rio de Janeiro.
No evento, Lula defendeu uma atuação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal para combater o crime organizado e recuperar áreas sob domínio armado. O Rio foi escolhido para iniciar um conjunto de ações voltadas à retomada territorial e ao combate à logística das organizações criminosas.
“Nós precisamos ganhar do crime organizado. Eu não aceito a ideia de que as facções bandidas são terroristas, como diz o Trump”, afirmou o presidente.
Ao contestar a classificação adotada pelos Estados Unidos, Lula relacionou o conceito de terrorismo à disputa pelo poder político e voltou a mencionar a tentativa de golpe investigada e julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente atribuiu a Jair Bolsonaro responsabilidade política pelos acontecimentos e mencionou o plano que previa ações contra ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes. Essa caracterização como “terrorismo” foi feita por Lula durante o discurso e representa a interpretação política apresentada pelo presidente.
Bolsonaro foi condenado pelo STF em 11 de setembro de 2025 a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Atualmente, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária, mantida pelo Supremo em decisão de 3 de julho de 2026.
A agenda desta sexta-feira reuniu autoridades das três esferas de governo e apresentou medidas para ampliar a atuação integrada das forças de segurança.
Uma das frentes prevê a proteção dos corredores logísticos, com operações em divisas estaduais e vias estratégicas do Rio de Janeiro, entre elas Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela, além dos acessos ao porto e ao aeroporto internacional. O objetivo anunciado é dificultar a movimentação de criminosos e combater delitos como roubo de cargas.
Outra iniciativa é a Política Estadual de Reocupação Territorial, voltada à redução do controle armado, territorial e econômico exercido por organizações criminosas e à ampliação da presença permanente do Estado nas áreas afetadas.
Lula afirmou que pretende utilizar a experiência fluminense como referência para outras unidades da Federação.
“Se der certo no Rio, vai dar certo em todo o território nacional”, declarou durante o evento.
A terceira frente envolve a Força Municipal do Rio de Janeiro. A estrutura receberá apoio de órgãos federais, entre eles a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), para capacitação dos agentes.
O município também participa da integração por meio do compartilhamento de informações de inteligência e de imagens dos sistemas de monitoramento.
A cerimônia ocorreu no complexo da PRF, localizado no encontro da Avenida Brasil com a Rodovia Presidente Dutra, área considerada estratégica para os acessos à Região Metropolitana.
Durante o discurso, Lula também relacionou segurança e soberania à proteção de recursos naturais brasileiros. O presidente citou o pré-sal, a Margem Equatorial e os minerais críticos ao defender maior atenção do Estado às fronteiras e às áreas estratégicas do território nacional.
“Nós temos que tomar conta porque o Trump está aí. O Trump está aí atrás de minerais críticos, atrás de petróleo, atrás de terra rara”, afirmou. Trata-se de uma alegação política feita por Lula; o presidente não apresentou, nessa fala, evidências de um plano dos Estados Unidos para se apropriar desses recursos brasileiros.
A agenda no Rio marca uma tentativa de ampliar a integração operacional entre os diferentes níveis de governo no enfrentamento às organizações criminosas, enquanto permanece a divergência política e jurídica entre os governos brasileiro e norte-americano sobre o enquadramento das facções como organizações terroristas.
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