Política / Eleições
Produtora de documentário sobre Bolsonaro recebeu R$ 84 mil de entidade presidida por Karina Gama
Dori Filmes, responsável por “A Colisão dos Destinos”, também presta serviços à campanha de candidato a deputado federal; repasses aparecem em dados obtidos pela PF
17/09/2026
17:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Dori Filmes, responsável pelo documentário “A Colisão dos Destinos”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu R$ 84 mil da Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Gama, proprietária da Go Up, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”. Os repasses ocorreram entre maio de 2025 e maio de 2026, segundo dados da Polícia Federal obtidos pela Folha de S.Paulo.
A Dori Filmes pertence ao diretor Doriel Francisco da Silva, que comandou “A Colisão dos Destinos”. O longa estreou nos cinemas em maio deste ano e apresenta a biografia de Bolsonaro a partir principalmente de relatos de familiares, aliados e pessoas próximas ao ex-presidente.
Entre os participantes estão os deputados Mario Frias (PL-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Helio Lopes (PL-RJ), além de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência nas eleições deste ano.
Além dos valores provenientes da ANC, a Dori Filmes recebeu R$ 22.432 da cota parlamentar de Mario Frias entre abril e julho de 2024. O deputado afirmou anteriormente que os pagamentos correspondiam a serviços de produção de material para sua atividade parlamentar e não ao financiamento do documentário.
Frias disse ter participado pontualmente de “A Colisão dos Destinos”, inclusive auxiliando na articulação de agendas com integrantes da família Bolsonaro e prestando depoimento para a produção.
O parlamentar passou a ser investigado pela Polícia Federal em outra frente, relacionada a suspeitas envolvendo recursos destinados à Go Up, de Karina Gama. Segundo a investigação relatada pela Folha, a PF apura possível desvio de R$ 750 mil em emendas e também identificou transferências pessoais de Frias para a produtora.
Frias nega irregularidades e classificou a operação policial como uma “cortina de fumaça”. Karina também afirmou que não praticou ilícitos e ressaltou que a existência de investigação não significa acusação ou condenação.
A Go Up está envolvida na produção de “Dark Horse”, projeto cinematográfico que também trata da trajetória de Jair Bolsonaro. A produção entrou no centro de uma investigação da PF sobre a destinação de recursos e contratações realizadas no desenvolvimento do filme.
O caso ganhou repercussão depois da revelação de que Flávio Bolsonaro solicitou recursos ao então banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para ajudar na conclusão do projeto. A investigação policial apura a movimentação desses recursos e eventuais irregularidades nas contratações.
A existência de repasses da ANC à Dori Filmes, por si só, não demonstra irregularidade na produção de “A Colisão dos Destinos”. A informação documentada até o momento é que a entidade presidida por Karina transferiu R$ 84 mil para a produtora entre 2025 e 2026.
Doriel Francisco da Silva também está associado a outro projeto audiovisual desenvolvido pela Associação Passos da Liberdade. A entidade recebeu cerca de R$ 860 mil em emendas parlamentares destinadas por Mario Frias, Marcos Pollon (PL-MS) e Eduardo Bolsonaro para a produção de um documentário inicialmente denominado “Genocidas”.
O projeto posteriormente resultou no documentário “Nós”, dedicado a regimes totalitários do século 20. Doriel aparece ligado à produção e ao roteiro da obra.
A produtora também atua na atual campanha eleitoral. Dados declarados à Justiça Eleitoral registram R$ 20 mil em despesas da candidatura de Vilmar Rigo (Novo), que disputa uma vaga de deputado federal por Mato Grosso, com serviços de produção audiovisual prestados pela Dori Filmes.
Rigo é conhecido nas redes sociais pelo apelido “Bolsonaro da Shopee”, expressão que, segundo ele, foi usada por Nikolas Ferreira em 2023. O candidato afirmou que escolheu a Dori Filmes depois de assistir ao documentário sobre Jair Bolsonaro e conhecer o trabalho de Doriel. Também disse desconhecer a menção da produtora nas apurações relacionadas a Mario Frias.
A Folha informou ter procurado Mario Frias, Karina Gama, Doriel Francisco da Silva e a Associação Passos da Liberdade para a reportagem publicada nesta quinta-feira. Segundo o jornal, eles não responderam aos questionamentos enviados sobre os novos dados.
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