Justiça / Negócios
CEO do Iter diz que R$ 5 milhões da Cedro financiaram início do instituto ligado a Mendonça
Victor Godoy afirma que recursos foram destinados a custos operacionais da entidade; contrato de mútuo previa até R$ 5,9 milhões e começou a ser encerrado em janeiro
17/09/2026
16:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O Instituto Iter, cofundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, utilizou recursos recebidos da Cedro Participações para financiar despesas operacionais e a estruturação inicial da entidade. A explicação foi dada pelo CEO do instituto e ex-ministro da Educação Victor Godoy, após a divulgação do contrato firmado com a holding do empresário Lucas Kallas.
O acordo, celebrado em 2024, previa até R$ 5,9 milhões por meio de um contrato de mútuo conversível, modalidade na qual o crédito poderia ser convertido em participação societária ou devolvido. Segundo informações divulgadas pelo Iter, os repasses efetivamente realizados ficaram em aproximadamente R$ 5 milhões.
“A ideia foi cobrir, com esse valor, os custos operacionais e iniciais para o instituto funcionar”, afirmou Godoy à Folha de S.Paulo. Segundo ele, a instituição procurava um parceiro para financiar sua fase inicial e optou pelo empréstimo em vez de receber doações.
O contrato previa que os recursos fossem empregados na estruturação e nas atividades do próprio instituto. De acordo com o Iter, os valores foram depositados diretamente na conta da pessoa jurídica e tiveram sua destinação registrada contabilmente. A entidade afirma que não houve distribuição do dinheiro a acionistas como lucro, dividendos ou participação em resultados.
Em janeiro de 2026, o instituto decidiu antecipar o encerramento do empréstimo. Um aditivo estabeleceu o vencimento antecipado da dívida e a devolução dos recursos com juros pela taxa Selic. Até agora, segundo a instituição, aproximadamente 5,3% da dívida foi paga à Cedro.
O Iter sustenta que tomou a decisão porque já havia alcançado sustentabilidade financeira. No mês seguinte, André Mendonça foi sorteado relator das investigações relacionadas ao Banco Master.
Mendonça deixou o quadro do instituto no início de setembro de 2026. Segundo o Iter, o ministro não recebeu dividendos, lucros ou participação nos resultados e sua atuação estava concentrada na área acadêmica, como docente. Procurado pelo UOL sobre a operação com a Cedro, o ministro não se manifestou.
A Cedro Participações pertence a Lucas Kallas, empresário com atuação principalmente em mineração, agronegócio e logística. Kallas participou de investimentos em companhias que, em momentos distintos, também tiveram participação de grupos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
No fim de 2023, a Cedro possuía participação na empresa de biotecnologia Biomm. Posteriormente, uma gestora ligada a Vorcaro adquiriu ações da mesma companhia. Kallas também investiu na Latache Capital, que esteve entre os acionistas da Oncoclínicas, empresa que aplicou R$ 478 milhões em CDBs do Banco Master.
Registros obtidos no celular de Vorcaro também indicam que ele e Kallas viajaram juntos para Caracas, na Venezuela, em novembro de 2023, para prospectar negócios no setor de petróleo. Dias depois, ambos tiveram entradas registradas no Palácio do Planalto no mesmo horário.
A Cedro, entretanto, afirma que Vorcaro “jamais teve qualquer relação societária ou vínculo empresarial” com a holding ou suas controladas. A empresa sustenta ainda que participações coincidentes em companhias abertas não configuram sociedade comercial entre os investidores.
Apesar das relações empresariais relatadas, Lucas Kallas não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. A Cedro Participações também não é apontada como investigada nos inquéritos relacionados às supostas fraudes bancárias.
Kallas foi indiciado em outro procedimento, relacionado a suspeitas de crimes envolvendo a exploração de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. A defesa afirma que os fatos já haviam sido investigados e arquivados e que o empresário deixou, em 2017, o negócio objeto daquela investigação.
O Iter também afirma que André Mendonça e Lucas Kallas não participaram das negociações do contrato, conduzidas por Victor Godoy e representantes da Cedro. A instituição nega ainda participação de Daniel Vorcaro nas tratativas.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Datafolha mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno
Leia Mais
Voto nas eleições de 2026 poderá validar prova de vida de beneficiários do INSS
Leia Mais
Bolsa Família sobe 15% em outubro; veja novos valores e calendário de pagamento
Leia Mais
Lula levará combate ao crime organizado à ONU em meio a divergências com os EUA
Municípios