Saúde / Prevenção
Sarampo pode provocar infecção no ouvido e comprometer a audição, alerta especialista
Otite média aguda está entre as possíveis complicações da doença e exige atenção principalmente em crianças, que nem sempre conseguem relatar a dor
18/09/2026
07:30
Dra. Naiara Amorim
©REPRODUÇÃO
O sarampo pode provocar complicações que vão além dos sintomas respiratórios e das manchas características na pele. Entre elas está a otite média aguda, infecção do ouvido que pode causar dor intensa, febre e redução temporária da audição e, nos quadros mais graves, resultar em sequelas auditivas.
A Dra. Naiara Amorim, médica otorrinolaringologista do HOPE, explica que o risco aumenta porque a infecção viral desencadeia inflamação nas vias respiratórias e compromete temporariamente as defesas do organismo.
“O sarampo é uma infecção viral que compromete temporariamente as defesas do organismo e causa uma inflamação intensa nas vias aéreas, tornando o ouvido um ambiente favorável para uma infecção bacteriana secundária”, explica.
Durante a doença, o inchaço da mucosa do nariz e da garganta pode obstruir a tuba auditiva, estrutura responsável pela ventilação e drenagem do ouvido médio. Quando essa passagem fica comprometida, líquidos e secreções podem se acumular.
A redução temporária da resposta imunológica também favorece a proliferação de bactérias presentes nas vias respiratórias.
“Com a presença de secreção e as defesas do organismo reduzidas, as bactérias podem se proliferar rapidamente, gerando a infecção e o pus característicos da otite”, afirma Naiara Amorim.
Entre os sintomas mais frequentes da otite média aguda estão dor no ouvido, febre, mal-estar e sensação de ouvido tampado. No caso de bebês e crianças pequenas, identificar o problema pode ser mais difícil porque nem sempre conseguem explicar o desconforto.
Os responsáveis devem ficar atentos a choro persistente, irritabilidade incomum, dificuldade para dormir, despertares frequentes, recusa alimentar e hábito de puxar ou esfregar a orelha.
“A criança pode demonstrar o desconforto principalmente pelo comportamento. O choro costuma piorar quando ela é colocada deitada e a recusa alimentar também pode acontecer porque sugar e engolir alteram a pressão dentro do ouvido e aumentam a dor”, detalha a médica.
Outro sinal que exige avaliação é a presença de secreção ou sangue no canal auditivo, situação que pode estar relacionada à perfuração do tímpano pela pressão provocada pelo líquido acumulado.
O líquido retido no ouvido médio dificulta a transmissão dos sons e pode provocar perda auditiva condutiva. Essa alteração tende a melhorar à medida que a infecção e o acúmulo de secreção são resolvidos.
Quadros mais graves, porém, podem provocar danos estruturais ou atingir a orelha interna, com possibilidade de perda auditiva neurossensorial.
“O diagnóstico precoce e o tratamento correto são fundamentais para conter o avanço da infecção e proteger a audição. Quando existe demora na busca por atendimento ou o quadro não é tratado adequadamente, podem surgir complicações como infecção crônica, perfuração do tímpano e mastoidite”, alerta Naiara Amorim.
Em situações extremas, a infecção pode atingir outras estruturas e evoluir para complicações mais graves, incluindo meningite.
Mesmo depois do desaparecimento da febre, das manchas na pele e dos sintomas respiratórios, alterações auditivas precisam ser observadas. Dor, zumbido, secreção e sensação persistente de ouvido tampado justificam atenção.
No caso das crianças, mudanças na maneira de responder aos sons também podem sinalizar algum comprometimento. Pedir com frequência para repetir frases, não responder prontamente quando chamada ou aumentar excessivamente o volume da televisão e de outros aparelhos são comportamentos que merecem investigação.
“Quando existem sintomas persistentes após uma infecção, uma avaliação com pediatra e otorrinolaringologista pode ser importante para verificar a integridade do tímpano e das funções auditivas”, orienta a especialista.
Outras doenças infecciosas também podem comprometer o ouvido. Meningite, caxumba, rubéola, gripe e infecções respiratórias estão entre os quadros que podem favorecer otites ou, em determinadas circunstâncias, causar danos ao sistema auditivo.
A prevenção começa com a imunização adequada. A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola, enquanto outras vacinas do calendário contribuem para reduzir infecções que podem evoluir com complicações auditivas.
“Ao evitar as doenças infecciosas, também reduzimos o risco de suas complicações. Manter a vacinação em dia e procurar avaliação médica diante de sinais de alteração no ouvido são medidas importantes para preservar a saúde auditiva, principalmente entre as crianças”, conclui Dra. Naiara Amorim.
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