Eleições / Campanha
Lula diz que quer vencer eleição para manter Bolsonaro preso e cobra investigação do caso Master
Em ato de campanha em Florianópolis, presidente confrontou proposta de Flávio Bolsonaro de beneficiar o pai e defendeu que STF investigue autoridades citadas no caso Vorcaro
19/09/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra Flávio Bolsonaro (PL) neste sábado (19), durante ato de campanha em Florianópolis (SC). Candidato à reeleição, Lula afirmou que pretende vencer a disputa presidencial para manter Jair Bolsonaro (PL) preso, contrapondo sua posição à proposta do adversário de beneficiar o pai e outros condenados no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. (UOL Notícias)
“A ideia do outro [Flávio Bolsonaro]: ‘Eu quero ganhar as eleições para tirar meu pai da cadeia’. E eu quero ganhar para manter ele na cadeia”, declarou Lula durante o comício. (UOL Notícias)
Flávio já declarou que, caso seja eleito presidente, pretende conceder anistia aos condenados no processo da tentativa de golpe, incluindo o pai. A promessa passou a integrar o confronto direto entre as duas campanhas. (UOL Notícias)
Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão. A condenação incluiu crimes relacionados à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. Atualmente, o ex-presidente cumpre a pena em prisão domiciliar, concedida em razão de suas condições de saúde. (UOL Notícias)
Ao afirmar que pretende “manter” Bolsonaro preso, Lula utilizou a situação jurídica do ex-presidente como elemento da disputa eleitoral. A manutenção, alteração ou extinção da pena, porém, depende dos mecanismos previstos na legislação e das decisões judiciais competentes, independentemente da posição manifestada por candidatos durante a campanha.
O presidente também utilizou o caso Banco Master para atacar seus adversários.
Lula afirmou que Daniel Vorcaro se tornou banqueiro durante o governo Bolsonaro e acabou preso durante sua administração. A declaração foi apresentada como contraponto político entre os dois governos. (UOL Notícias)
“No Banco Master, eles transformam o Vorcaro em banqueiro e nós o transformamos em prisioneiro”, afirmou. (UOL Notícias)
A prisão de Vorcaro, entretanto, foi determinada no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Federal e submetida ao Poder Judiciário. Portanto, a declaração de Lula deve ser compreendida como uma caracterização política feita durante a campanha, e não como atribuição direta da prisão ao presidente da República.
Lula também cobrou do STF uma investigação abrangente sobre as relações reveladas a partir do material extraído do celular de Vorcaro.
“O STF tem que investigar a todos, deixar todos nus, porque nós merecemos saber a verdade”, declarou o presidente, acrescentando que o esclarecimento do episódio seria necessário para enfrentar problemas institucionais do país. (UOL Notícias)
Nas últimas semanas, mensagens, fotografias e outros registros encontrados no aparelho de Vorcaro passaram a revelar contatos do ex-banqueiro com políticos, advogados, empresários e pessoas próximas a integrantes do Supremo.
As referências encontradas no celular não significam, isoladamente, comprovação de irregularidades. Cada episódio depende da verificação de documentos, movimentações financeiras, depoimentos e outros elementos de prova.
Outra parte do ato em Florianópolis foi direcionada às mulheres. Lula defendeu o endurecimento das punições para crimes praticados contra elas e afirmou que o combate à violência e ao feminicídio também deve envolver os homens.
“As leis vão ser cada vez mais duras, vamos aumentar a pena”, afirmou. (UOL Notícias)
O presidente também incentivou o eleitorado feminino a apoiar mulheres alinhadas ao seu campo político.
“Mulher tem de votar em mulher nas eleições, mas do nosso time”, disse Lula, acrescentando uma comparação segundo a qual votar em candidatas adversárias seria colocar uma “raposa para cuidar do galinheiro”. (UOL Notícias)
A declaração combina duas pautas diferentes: a defesa de maior participação feminina na política e um pedido explícito de voto nas candidatas que apoiam sua campanha.
A primeira-dama Janja da Silva também participou do ato e concentrou parte de seu discurso na tentativa de conquistar votos femininos em Santa Catarina.
Janja pediu que apoiadoras conversem com amigas que votam em candidatos bolsonaristas e comparem as propostas apresentadas pelos dois campos políticos, principalmente nas áreas de segurança e políticas para mulheres. O discurso integra a estratégia da campanha de Lula para ampliar o apoio entre eleitoras. (UOL Notícias)
A passagem por Florianópolis ocorre a cerca de duas semanas do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e levou ao Estado um dos principais confrontos da campanha presidencial: de um lado, Flávio Bolsonaro promete buscar medidas para beneficiar o pai e outros condenados; de outro, Lula utiliza a condenação do ex-presidente e as investigações do caso Master para estabelecer contraste político com o adversário. (UOL Notícias)
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