Justiça / Supremo
STF rejeita recurso e mantém condenação de Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses
Primeira Turma decidiu por 4 votos a 0 manter pena por coação no curso do processo; ministros rejeitaram argumentos apresentados pela defesa
18/09/2026
19:45
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou por unanimidade, nesta sexta-feira (18), o recurso apresentado contra a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Com o resultado de 4 votos a 0, foi mantida a pena de quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo.
Votaram pela rejeição do recurso o relator, ministro Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. O julgamento dos embargos de declaração começou no plenário virtual em 11 de setembro e terminou nesta sexta-feira.
A condenação original foi determinada pela mesma Primeira Turma em 16 de junho deste ano, também por unanimidade. Segundo o entendimento do colegiado, Eduardo atuou nos Estados Unidos com o objetivo de pressionar autoridades brasileiras e interferir no processo que envolvia seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os embargos de declaração foram apresentados pela Defensoria Pública da União (DPU), responsável pela defesa de Eduardo no processo. Esse tipo de recurso é utilizado para questionar eventuais omissões, contradições, obscuridades ou erros existentes em uma decisão judicial.
Ao votar pela rejeição, Alexandre de Moraes concluiu que a decisão condenatória não apresentava esses problemas. O entendimento foi acompanhado pelos demais integrantes da Primeira Turma.
Durante o julgamento que resultou na condenação, a defesa sustentou, entre outros pontos, que as manifestações de Eduardo estariam protegidas pela imunidade parlamentar e não configurariam coação. A argumentação não foi acolhida pelo colegiado.
Na condenação de junho, a Primeira Turma considerou comprovado que Eduardo tentou interferir no julgamento envolvendo Jair Bolsonaro. De acordo com o STF, vídeos e outras manifestações constantes do processo demonstraram uma atuação destinada a pressionar a Corte.
A acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que Eduardo atuou para estimular medidas do governo norte-americano contra o Brasil e autoridades brasileiras. Entre as iniciativas analisadas no processo estavam tarifas sobre produtos brasileiros, restrições de vistos e sanções contra autoridades. O STF concluiu que essas ações buscavam interferir no andamento do processo contra Jair Bolsonaro.
Além dos quatro anos e dois meses de reclusão, o STF fixou regime inicial semiaberto e determinou o pagamento de 50 dias-multa, com cada dia equivalente a dois salários mínimos.
O julgamento de junho também declarou a inelegibilidade de Eduardo Bolsonaro, a partir da condenação e até oito anos após o cumprimento da pena, além da perda do cargo público de escrivão da Polícia Federal.
Eduardo está nos Estados Unidos desde 2025. A rejeição dos embargos nesta sexta-feira mantém a condenação estabelecida pela Primeira Turma, embora a situação processual ainda dependa das etapas formais posteriores e da análise de eventuais recursos juridicamente cabíveis antes da definição sobre o cumprimento da pena.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Lula viaja a Nova York para abrir Assembleia Geral da ONU na terça-feira
Leia Mais
Gilmar Mendes decide que reajuste de 15,04% do Bolsa Família não viola lei eleitoral
Leia Mais
Vorcaro pede liberdade a Fachin e cita indefinição no STF sobre investigação do Banco Master
Leia Mais
Flávio Bolsonaro anuncia recrutamento de fiscais para acompanhar votação nas eleições
Municípios