Justiça / Master
PF encontra foto de Gonet e Vorcaro juntos em encontro com charutos e uísque em Londres
Imagem de abril de 2024 integra material extraído do celular do ex-banqueiro; Conselho Superior do MPF analisará no dia 25 se referências a Gonet afetam sua atuação no caso Master
18/09/2026
20:30
DA REDAÇÃO
Na imagem, Daniel Vorcaro, à esquerda, junto a Paulo Gonet, à direita ©REPRODUÇÃO
A Polícia Federal (PF) encontrou no material extraído do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, uma fotografia em que ele aparece com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante um encontro em Londres, em abril de 2024. Na imagem, divulgada neste sábado (19), os dois aparecem em uma mesa com charutos e bebidas.
O registro acrescenta um novo elemento à discussão sobre os contatos entre o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) e Vorcaro. Gonet reconhece que encontrou o então banqueiro na capital britânica, mas nega amizade, relação de proximidade ou qualquer interesse pessoal nos processos envolvendo o antigo Banco Master. (
Segundo as informações divulgadas a partir do relatório da PF, a fotografia é de um encontro realizado no George Club, em Londres. O arquivo teria sido posteriormente encaminhado a Vorcaro pelo advogado Ciro Soares, que atuou para o Banco Master e aparece em mensagens como intermediário de contatos envolvendo o banqueiro e autoridades.
A existência da fotografia comprova que Gonet e Vorcaro estiveram juntos naquele evento, circunstância admitida pelo próprio procurador-geral. Por si só, porém, a imagem não demonstra irregularidade, favorecimento ou interferência de Gonet nas investigações relacionadas ao Banco Master.
Em manifestações apresentadas após a divulgação das mensagens, Paulo Gonet afirmou que sua única interação presencial com Vorcaro aconteceu justamente no evento em Londres, promovido pelo Grupo Voto e pela revista eletrônica Consultor Jurídico. Segundo ele, o contato foi breve e não envolveu assuntos profissionais relacionados ao banco.
O procurador-geral também rejeitou as interpretações de que as mensagens indicariam uma relação próxima com o ex-banqueiro. Em manifestação ao Conselho Superior do MPF, classificou as imputações feitas a partir do material como “leviandade” e contestou a existência de elementos que comprometam sua atuação.
Gonet sustenta ainda estar juridicamente apto a continuar trabalhando nos procedimentos envolvendo o Banco Master e afirma não possuir relação de amizade ou interesse pessoal com Vorcaro.
O material recuperado do celular de Vorcaro também contém referências a Ciro Soares. Em uma das situações examinadas, o advogado aparece como intermediário de uma possível conversa entre o ex-banqueiro e Gonet.
De acordo com as informações extraídas do relatório, Vorcaro não tinha o contato direto do procurador-geral salvo no telefone, mas o nome de Gonet aparecia em conversas com terceiros. A PF também identificou registros relacionados a contatos mediados por Ciro.
Essas informações passaram a ser examinadas internamente no Ministério Público depois que partes do relatório da PF tiveram o sigilo retirado.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) marcou para sexta-feira, 25 de setembro, a análise do procedimento relacionado às menções a Gonet encontradas no material de Vorcaro.
O caso é relatado pelo subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino e surgiu depois de uma representação apresentada por deputados do Novo, que pediram o afastamento de Gonet das investigações do caso Master.
A análise não corresponde, neste momento, a um processo administrativo disciplinar contra o procurador-geral. Segundo a Agência Brasil, a discussão deverá se concentrar em saber se as referências existentes no relatório da PF são suficientes para colocar em dúvida sua imparcialidade na condução dos procedimentos envolvendo o Banco Master.
Como Gonet preside o Conselho Superior, questões relacionadas a eventual impedimento ficam sob condução do vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino de Castro e Costa Neto.
Gonet também questionou no STF a forma como o relatório policial foi produzido. O procurador-geral sustentou que André Mendonça não teria competência para determinar, de ofício, uma apuração que alcançasse outro integrante do Supremo sem provocação da PF ou do Ministério Público e sem observância do procedimento que, em seu entendimento, deveria passar pela Presidência e pelo plenário da Corte.
A posição de Gonet é contestada por Mendonça. O ministro defendeu a regularidade das providências adotadas e afirmou que as referências encontradas no material justificavam o encaminhamento de medidas adicionais para esclarecer os fatos.
A divulgação da fotografia neste sábado amplia os elementos conhecidos sobre o encontro de Gonet e Vorcaro, mas não resolve a controvérsia jurídica. Caberá agora ao Conselho Superior do MPF, na reunião marcada para 25 de setembro, avaliar as consequências institucionais das referências ao procurador-geral encontradas no material da investigação.
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