Política / Eleições
Flávio Bolsonaro contesta presidente do TSE e volta a questionar resultado da eleição presidencial
Em entrevista ao Washington Post, senador afirmou que Nunes Marques desconhece as condições da votação e repetiu suspeitas de fraude sem apresentar provas.
08/11/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar a legitimidade da eleição presidencial de 2026 e criticou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, que reconheceu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornal norte-americano The Washington Post, Flávio afirmou que o magistrado “não sabe do que está falando” ao considerar justo o processo eleitoral brasileiro.
Derrotado no segundo turno de 25 de outubro, por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos, o senador reafirmou suspeitas sobre a votação, mas não apresentou evidências de irregularidades capazes de comprometer o resultado.
A entrevista foi concedida nos Estados Unidos, onde Flávio permanece desde o fim de outubro, após deixar o Brasil em meio a desdobramentos políticos e judiciais relacionados à eleição.
Senador questiona declaração de Nunes Marques
Ao comentar o reconhecimento do resultado eleitoral pelo presidente do TSE, Flávio Bolsonaro contestou a avaliação do ministro.
“Eu garanto a vocês que ele não sabe do que está falando”, declarou ao Washington Post.
O senador também argumentou que não seria possível descartar completamente a ocorrência de fraudes.
“Nem eu, nem vocês, nem ninguém que esteja assistindo, nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral pode afirmar com 100% de certeza que não houve fraude”, afirmou.
Apesar das declarações, Flávio não apresentou provas que sustentassem suas suspeitas.
O questionamento ocorre depois de o TSE reconhecer oficialmente a vitória de Lula, com base na apuração dos votos do segundo turno.
A alegação de que não seria possível garantir a inexistência absoluta de irregularidades não constitui, por si só, demonstração de fraude ou de comprometimento do resultado eleitoral.
Ministro indicado por Jair Bolsonaro reconheceu vitória de Lula
O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, confirmou a reeleição de Lula na noite de 25 de outubro, após a conclusão da apuração.
Segundo as informações divulgadas, o magistrado telefonou tanto para o presidente reeleito quanto para Flávio Bolsonaro para comunicar o resultado.
Nunes Marques foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador.
A circunstância foi destacada pelo Washington Post ao abordar as críticas feitas por Flávio ao magistrado.
O reconhecimento do resultado pelo TSE integra os procedimentos institucionais da Justiça Eleitoral, responsável pela organização, fiscalização e totalização dos votos.
Flávio afirma que ainda não decidiu seus próximos passos
Durante a entrevista, o senador também foi questionado sobre seus planos após a derrota eleitoral e a chegada aos Estados Unidos.
Flávio afirmou que ainda considera prematuro tomar decisões definitivas sobre o futuro.
“Ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão definitiva”, declarou.
Segundo ele, uma das prioridades é resolver sua situação migratória no território norte-americano.
“Mas, obviamente, o que preciso fazer agora é regularizar minha situação imigratória e, bem, pensar no que vou fazer”, acrescentou.
O senador não apresentou um cronograma para eventual retorno ao Brasil nem detalhou quais medidas pretende adotar em relação à sua permanência nos Estados Unidos.
Senador evita revelar trajeto utilizado para deixar o Brasil
Flávio Bolsonaro também voltou a se recusar a informar todos os detalhes de sua saída do território brasileiro.
“Nunca vou falar sobre o caminho que fiz”, afirmou ao Washington Post.
A declaração segue a mesma linha de comentários feitos anteriormente ao jornal The New York Times, quando o senador disse que não revelaria a rota utilizada.
Flávio deixou o Brasil no fim de outubro e chegou à região de Miami, na Flórida, após um deslocamento que, segundo informações divulgadas anteriormente, incluiu passagens pela Argentina e pelo Equador.
O Washington Post relatou ainda que autoridades brasileiras investigam possíveis circunstâncias relacionadas à saída do senador.
De acordo com uma fonte anônima da área de segurança brasileira citada pelo jornal, haveria apuração sobre a eventual participação de uma rede de agentes norte-americanos, argentinos e israelenses no deslocamento.
A informação foi atribuída pelo periódico a essa fonte e não representa confirmação de que tal rede tenha efetivamente participado da viagem.
Entrevista ocorreu em espaço de coworking na Flórida
A equipe do Washington Post encontrou Flávio Bolsonaro em um espaço de trabalho compartilhado na cidade de Aventura, localizada ao norte de Miami.
Na reportagem, o jornal descreveu as dificuldades enfrentadas pelo senador durante sua permanência em outro país, incluindo a adaptação ao idioma e a indefinição sobre seu retorno ao Brasil.
Flávio afirmou que a possibilidade de expressar suas suspeitas sobre a eleição sem receio de prisão foi um dos motivos que o levaram aos Estados Unidos.
Essa justificativa representa a versão apresentada pelo senador sobre sua decisão de deixar o país.
Flávio cita Trump e critica instituições brasileiras
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro também comentou sua percepção sobre o funcionamento das instituições democráticas no Brasil e nos Estados Unidos.
O senador afirmou que o presidente norte-americano Donald Trump estaria convencido de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena.
A declaração foi apresentada por Flávio como uma avaliação atribuída a Trump, sem demonstração independente de que o presidente norte-americano tenha feito essa afirmação nos termos relatados.
O parlamentar também comparou as consequências políticas e judiciais enfrentadas por seu pai e pelo presidente dos Estados Unidos.
Jair Bolsonaro e Donald Trump questionaram resultados eleitorais desfavoráveis. Entretanto, os processos políticos e judiciais envolvendo os dois ocorreram em sistemas jurídicos distintos e tiveram desdobramentos diferentes.
O ex-presidente brasileiro foi condenado a 27 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, enquanto Trump retornou à Presidência dos Estados Unidos.
Ao defender sua interpretação, Flávio declarou:
“As instituições americanas ainda funcionam. Já no Brasil, deixaram de funcionar.”
A manifestação expressa a opinião política do senador e não constitui uma conclusão institucional sobre o funcionamento da democracia brasileira.
Questionamentos permanecem sem comprovação apresentada
As declarações de Flávio Bolsonaro ao Washington Post reforçam a posição adotada pelo senador após a derrota presidencial.
Embora tenha reiterado dúvidas sobre a integridade da votação, ele não apresentou, na entrevista descrita, documentos, laudos ou outros elementos capazes de demonstrar fraude eleitoral.
O resultado do segundo turno foi reconhecido pela Justiça Eleitoral, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Enquanto permanece nos Estados Unidos, Flávio continua concedendo entrevistas à imprensa internacional e discutindo sua situação migratória e política.
O episódio amplia a repercussão internacional das declarações do senador, mas não altera o resultado oficialmente reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral.
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