Política / Pesquisa
Quaest: 62% consideram errada viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos após derrota eleitoral
Levantamento aponta que 29% aprovam a decisão do senador e 56% acreditam que a viagem teve como objetivo evitar a Justiça; pesquisa ouviu 2.004 pessoas.
08/11/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de viajar aos Estados Unidos após a derrota na eleição presidencial de 2026 é considerada errada por 62% dos entrevistados, segundo pesquisa Quaest, divulgada neste domingo (8 de novembro), em parceria com o Grupo Globo. Outros 29% avaliam a viagem como correta, enquanto 9% não souberam ou preferiram não responder.
O levantamento também aponta que 56% dos participantes acreditam que o principal motivo da viagem foi evitar a Justiça. O percentual representa a percepção dos entrevistados e não comprova, por si só, a intenção do senador ao deixar o Brasil.
Flávio Bolsonaro, derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de 25 de outubro, viajou para os Estados Unidos no fim daquele mês, após passar pela Argentina e pelo Equador.
A movimentação ocorreu em meio a questionamentos sobre o resultado eleitoral e à repercussão de medidas judiciais relacionadas ao senador.
Eleitores de Lula e Flávio avaliam viagem de maneiras diferentes
A pesquisa identificou diferenças expressivas na avaliação da viagem conforme o voto declarado pelos entrevistados no segundo turno.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 58% consideram correta a decisão de viajar aos Estados Unidos, enquanto 32% a classificam como errada.
Já entre os eleitores de Lula, a avaliação é predominantemente negativa: 89% consideram errada a viagem do senador, contra 6% que a aprovam.
Os números mostram que a percepção sobre o episódio está relacionada à preferência eleitoral dos participantes.
Apesar das diferenças entre os dois grupos, a avaliação negativa predomina no conjunto dos entrevistados.
Homens e mulheres apresentam o mesmo percentual de reprovação
A Quaest também analisou as respostas de acordo com o gênero dos entrevistados.
Segundo os dados divulgados, 62% dos homens e 62% das mulheres consideram errada a decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o país.
O resultado indica que, nesse recorte, a avaliação negativa não apresentou diferença percentual entre os dois grupos.
Na pergunta sobre os motivos da viagem, 56% dos entrevistados afirmaram acreditar que o senador buscou evitar consequências judiciais.
A informação deve ser interpretada como uma avaliação da opinião pública, sem substituir a apuração dos fatos ou as manifestações das autoridades responsáveis.
Flávio diz que não revelará detalhes do deslocamento
Em entrevista publicada pelo jornal norte-americano The New York Times, na sexta-feira (6), Flávio Bolsonaro comentou sua saída do Brasil e afirmou que não pretende revelar todos os detalhes do deslocamento.
Segundo o relato divulgado, o senador declarou que levará para o túmulo a maneira como realizou a viagem.
O trajeto descrito incluiu passagem pela Argentina e pelo Equador, antes da chegada à região de Miami, na Flórida, em uma aeronave executiva.
A viagem ocorreu após a eleição presidencial e passou a integrar o debate político sobre a conduta do senador diante do resultado das urnas.
As informações disponíveis não permitem concluir, apenas com base na pesquisa de opinião, que tenha ocorrido crime relacionado ao deslocamento.
Conduta após a eleição também é avaliada negativamente
O levantamento investigou a reação de Flávio Bolsonaro à derrota eleitoral e aos questionamentos apresentados após a divulgação do resultado.
Segundo a pesquisa, 60% dos entrevistados consideram inadequado o comportamento do senador depois do segundo turno.
Entre os participantes com renda mensal de até dois salários mínimos, o percentual de avaliação negativa chegou a 63%.
A pesquisa também perguntou sobre a desaprovação aos questionamentos eleitorais associados a Flávio Bolsonaro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Nesse recorte, 59% desaprovam a postura atribuída a Flávio, enquanto 61% desaprovam a conduta de Jair Bolsonaro.
A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro do levantamento.
Pesquisa compara reações às eleições de 2022 e 2026
A Quaest também apresentou uma comparação entre a reação dos entrevistados ao comportamento de Flávio Bolsonaro em 2026 e a avaliação registrada sobre Jair Bolsonaro após a eleição presidencial de 2022.
Segundo os dados divulgados, 60% avaliaram negativamente a conduta de Flávio após a derrota eleitoral.
No levantamento referente à eleição de 2022, 40% haviam manifestado avaliação negativa sobre o comportamento de Jair Bolsonaro, conforme a comparação apresentada.
Os percentuais se referem a momentos políticos distintos e devem ser analisados considerando as perguntas utilizadas e o contexto de cada pesquisa.
Aprovação ao governo Lula permanece em 48%
Além das perguntas sobre Flávio Bolsonaro, a Quaest mediu a avaliação do governo federal após a reeleição de Lula.
O resultado aponta 48% de aprovação, percentual idêntico ao registrado na pesquisa anterior, realizada antes do segundo turno.
A desaprovação passou de 45% para 44%, uma oscilação de um ponto percentual.
Os números indicam estabilidade na avaliação presidencial, considerando a margem de erro do levantamento.
A pesquisa também identificou que 94% dos entrevistados desejam que Lula faça um bom governo durante o quarto mandato.
O percentual é o mesmo registrado em dezembro de 2022, após a eleição que garantiu ao petista seu terceiro mandato presidencial.
Expectativas sobre o futuro do Brasil continuam divididas
A Quaest também investigou os sentimentos dos brasileiros em relação aos próximos anos.
O levantamento aponta que 48% estão preocupados com o futuro do país, enquanto 44% se declaram otimistas.
Na comparação com dezembro de 2022, a pesquisa registra diminuição da preocupação e crescimento do otimismo.
As respostas também variam conforme a identificação política dos entrevistados.
Segundo o levantamento, eleitores identificados com Lula demonstraram satisfação com o resultado eleitoral, enquanto participantes ligados a diferentes segmentos da esquerda relataram alívio.
Entre entrevistados identificados com a direita, apareceram sentimentos de decepção, enquanto participantes associados ao bolsonarismo relataram revolta.
Essas classificações refletem as respostas reunidas pelo instituto e não devem ser interpretadas como sentimentos compartilhados por todos os integrantes desses grupos.
Confira os principais números da Quaest
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Consideram errada a viagem de Flávio aos EUA | 62% |
| Consideram correta a viagem | 29% |
| Não sabem ou não responderam | 9% |
| Acreditam que a viagem buscou evitar a Justiça | 56% |
| Eleitores de Lula que consideram a viagem errada | 89% |
| Eleitores de Flávio que consideram a viagem correta | 58% |
| Avaliam negativamente a conduta de Flávio após a eleição | 60% |
| Aprovam o governo Lula | 48% |
| Desaprovam o governo Lula | 44% |
| Desejam que Lula faça um bom governo | 94% |
Metodologia da pesquisa
A Quaest realizou 2.004 entrevistas domiciliares entre 30 de outubro e 2 de novembro de 2026.
O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
Os resultados representam as opiniões declaradas pelos entrevistados no período da coleta e não constituem determinação judicial sobre os fatos abordados.
A pesquisa mostra que a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos recebeu avaliação negativa da maioria dos entrevistados, enquanto as opiniões sobre o episódio permanecem fortemente relacionadas às preferências políticas manifestadas na eleição presidencial.
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