Internacional / Vaticano
Papa Leão XIV visitará instituição para pessoas com deficiência afetada por cortes de recursos na Argentina
Abrigo católico que atende cerca de 400 pessoas será a primeira parada do pontífice na segunda-feira; direção relata falta de medicamentos, alimentos especiais e fraldas.
08/11/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O papa Leão XIV tem prevista para esta segunda-feira (9 de novembro) uma visita ao Cottolengo Don Orione, instituição católica que atende aproximadamente 400 pessoas com deficiência, localizada em Claypole, a cerca de 26 quilômetros de Buenos Aires, na Argentina. O estabelecimento enfrenta dificuldades financeiras e de abastecimento que seus responsáveis atribuem à redução de recursos e à interrupção de fornecimentos pelo governo do presidente Javier Milei.
A visita está programada para ser o primeiro compromisso do pontífice em seu primeiro dia completo no país. A escolha da instituição coloca em evidência a situação de entidades assistenciais que dependem de apoio público para atender pessoas com deficiência.
Segundo o coordenador do abrigo, Fernando Montero, o governo argentino deixou de fornecer medicamentos, alimentos destinados a dietas especiais e fraldas, materiais considerados essenciais para o atendimento dos residentes.
De acordo com Montero, as entregas estão interrompidas desde novembro de 2025, e a situação foi levada à Justiça.
Instituição relata dificuldades para manter atendimento
O Cottolengo Don Orione desenvolve atividades de acolhimento e assistência a pessoas com deficiência que necessitam de cuidados permanentes.
A instituição atende cerca de 400 residentes, muitos deles dependentes de acompanhamento contínuo e de produtos específicos para alimentação, higiene e tratamento de saúde.
A direção afirma que a ausência de fornecimento regular desses materiais tem dificultado a manutenção dos serviços.
O coordenador Fernando Montero atribui o problema às medidas adotadas pelo governo federal argentino e informa que a questão está sendo discutida judicialmente.
A situação também mobilizou representantes da Igreja Católica.
Em 1º de abril, bispos argentinos encaminharam ao ministro da Saúde, Mario Lugones, uma manifestação sobre as dificuldades enfrentadas por instituições dedicadas ao atendimento de pessoas com deficiência.
A preocupação envolve a continuidade dos serviços assistenciais e a necessidade de garantir recursos para o funcionamento dessas entidades.
Governo Milei tenta afastar debate político da visita
A passagem de Leão XIV pela Argentina ocorre em meio a discussões sobre os efeitos das medidas de ajuste fiscal implementadas pelo presidente Javier Milei.
Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Milei adotou uma política de contenção de despesas públicas, com redução de gastos em diferentes áreas da administração.
O governo sustenta que essas medidas foram necessárias para enfrentar a inflação e reorganizar as contas públicas.
Por outro lado, instituições assistenciais e representantes de setores sociais têm relatado dificuldades relacionadas à redução de recursos e ao acesso a serviços.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, integrantes do governo argentino procuram evitar que a visita papal seja interpretada como uma manifestação sobre a política interna do país.
A ministra responsável pela área social, Sandra Pettovello, afirmou que não espera pronunciamentos do pontífice sobre questões partidárias.
“Não há como o papa vir aqui para comentar a política local”, declarou.
Até o momento, não há indicação, nas informações divulgadas, de que Leão XIV pretenda fazer uma manifestação específica sobre o governo Milei durante a passagem pela instituição.
Ajuste fiscal também afeta aposentados
As mudanças econômicas adotadas pelo governo argentino têm provocado discussões sobre o poder de compra da população, especialmente entre aposentados e beneficiários de programas sociais.
Segundo estimativa do centro de estudos Mate, aposentados que recebem o benefício mínimo acumularam perda de aproximadamente 30% do poder de compra.
O levantamento aponta ainda que esse grupo representa cerca de 63% dos aposentados argentinos.
Os dados são utilizados no debate sobre os efeitos sociais do ajuste fiscal, enquanto o governo defende a necessidade de controlar os gastos e reduzir os desequilíbrios econômicos.
A visita do papa a uma instituição de assistência social ocorre nesse contexto, embora o compromisso tenha caráter religioso e humanitário.
Primeira visita papal à Argentina em quase quatro décadas
A viagem de Leão XIV também representa um acontecimento importante para a Igreja Católica argentina.
Será a primeira visita de um pontífice ao país desde 1987, quando João Paulo II esteve na Argentina.
O papa Francisco, que nasceu em Buenos Aires e antecedeu Leão XIV no comando da Igreja Católica, não retornou ao seu país de origem durante o pontificado.
A ausência de uma visita de Francisco à Argentina foi frequentemente lembrada durante os anos em que ele esteve à frente do Vaticano.
Agora, a chegada de Leão XIV encerra um intervalo de quase quatro décadas sem uma visita papal ao território argentino.
Visita destaca trabalho de instituições assistenciais
A escolha do Cottolengo Don Orione como primeira parada da programação de segunda-feira dá visibilidade ao trabalho desenvolvido por organizações religiosas que prestam assistência a pessoas com deficiência.
Além das atividades espirituais, essas instituições oferecem serviços de acolhimento, alimentação, higiene e acompanhamento de saúde.
No caso da unidade de Claypole, a direção afirma que a interrupção de fornecimentos públicos compromete a previsibilidade dos atendimentos e exige soluções para assegurar a continuidade das atividades.
A questão permanece sob discussão judicial, conforme o relato dos responsáveis pelo estabelecimento.
A visita de Leão XIV deverá reunir representantes religiosos, funcionários e pessoas atendidas pela instituição.
O compromisso coloca em destaque a situação das entidades assistenciais argentinas e a importância da continuidade dos cuidados destinados às pessoas com deficiência, em um momento de restrições orçamentárias no país.
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