Política / Eleições 2026
Ex-aliada de Bolsonaro, Joice Hasselmann anuncia voto em Lula e explica mudança de posição
Ex-deputada afirma que continua sendo de direita, mantém críticas ao PT e decidiu apoiar o presidente no segundo turno por rejeitar a família Bolsonaro
23/10/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann, uma das principais apoiadoras de Jair Bolsonaro na eleição de 2018, anunciou nesta quinta-feira (22) que votará no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). A decisão representa uma mudança em relação à sua trajetória de oposição ao Partido dos Trabalhadores, mas, segundo ela, não significa uma alteração de suas convicções políticas.
O anúncio foi feito por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual a ex-parlamentar apresentou críticas à família Bolsonaro e explicou por que decidiu apoiar Lula na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
“Apesar de todo o meu histórico de enfrentamento ao PT, domingo, dia 25, eu, Joice Hasselmann, voto Lula. Sem medo. Dia 26, volto ao debate de ideias”, declarou.
Joice afirmou que sua escolha foi resultado de uma avaliação sobre os dois candidatos e sobre o que considera serem os riscos políticos de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Ela ressaltou, porém, que continuará discordando de posições do atual governo e que não pretende abandonar sua identificação com a direita.
A trajetória política de Joice Hasselmann ganhou projeção nacional durante a campanha presidencial de 2018, quando participou ativamente da mobilização em favor de Jair Bolsonaro.
Eleita deputada federal por São Paulo naquele ano, integrou a base de sustentação do governo e chegou a ocupar a liderança do Executivo no Congresso Nacional.
A relação política começou a se deteriorar em 2019, quando divergências internas provocaram seu afastamento do grupo ligado ao então presidente.
Desde o rompimento, Joice passou a criticar publicamente Bolsonaro e integrantes de sua família, tornando-se uma das ex-aliadas que mais frequentemente questionaram a atuação política do grupo.
Ao explicar sua decisão de apoiar Lula, a ex-deputada afirmou que a experiência dentro do governo foi determinante para a mudança de avaliação.
“Eu vi o clã por dentro”, declarou.
Ela também reconheceu que se decepcionou com o projeto político que havia ajudado a eleger.
“Eu errei em ajudar”, afirmou.
No pronunciamento divulgado nesta quinta-feira, Joice afirmou que acreditava participar de um projeto comprometido com o combate à corrupção, mas que sua percepção mudou após acompanhar o funcionamento interno do grupo político.
A ex-deputada também apresentou acusações contra integrantes da família Bolsonaro, mencionando supostas irregularidades e situações que afirma ter presenciado durante sua atuação parlamentar.
As declarações refletem a versão de Joice sobre os acontecimentos e não constituem, isoladamente, comprovação das irregularidades mencionadas.
Segundo a jornalista, sua decisão eleitoral está relacionada à avaliação que faz da família Bolsonaro e à preocupação com o futuro das instituições democráticas.
Ela afirmou que não considera os dois candidatos equivalentes, apesar das divergências que mantém com Lula.
Em entrevista ao programa Se Liga Bocão, da Rádio Baiana FM, Joice explicou que o apoio ao presidente não representa adesão ao PT nem abandono de suas posições políticas.
“Quando eu falo de Lula, eu continuo tendo, sim, muitas críticas ao governo. Tem coisas que eu concordo também. Não é porque eu sou de direita que eu não vou concordar com coisas do governo Lula”, afirmou.
A ex-parlamentar disse que procurou avaliar a disputa presidencial sem deixar que antigas divergências partidárias determinassem sua escolha.
“É uma decisão não emocional, é uma decisão muito racional, que eu levei muitos dias maturando”, declarou.
Joice também relacionou o voto à defesa da democracia, argumentando que a preservação das instituições permite a convivência entre diferentes correntes políticas.
“Entre a democracia e a barbárie, eu vou ficar com a democracia, porque na democracia eu posso debater ideias diferentes. Numa ditadura, não”, disse durante a entrevista.
A declaração expressa sua avaliação política sobre a disputa presidencial.
Antes de anunciar publicamente o apoio a Lula, a ex-deputada havia declarado, em entrevista ao canal MyNews, que ainda analisava duas possibilidades para o segundo turno.
Uma delas era votar nulo. A outra seria apoiar Lula como forma de se posicionar contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A definição foi divulgada horas depois, encerrando as especulações sobre seu posicionamento na reta final da campanha.
Segundo Joice, a decisão foi amadurecida ao longo de vários dias e levou em consideração sua experiência política e as diferenças que identifica entre os candidatos.
Ao anunciar o voto, Joice procurou deixar claro que pretende preservar sua independência política após a eleição.
A ex-deputada afirmou que continuará participando dos debates nacionais e que poderá voltar a fazer oposição ao governo Lula sempre que discordar de suas decisões.
A posição indica que seu apoio está restrito à escolha presidencial no segundo turno, sem representar compromisso de integração à base governista.
“Dia 26, volto ao debate de ideias”, declarou, ao sinalizar que pretende retomar as discussões políticas independentemente do resultado das urnas.
A manifestação de Joice ocorre nos últimos dias da campanha presidencial, quando Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificam a busca por votos antes da eleição de 25 de outubro.
O posicionamento da ex-deputada chama a atenção por seu histórico de participação na campanha de Jair Bolsonaro e pela atuação que exerceu no início do governo.
Em Mato Grosso do Sul, onde o governador Eduardo Riedel (PP) foi reeleito no primeiro turno, os eleitores voltarão às urnas apenas para escolher o presidente da República.
A votação ocorrerá das 7h às 16h, pelo horário de Mato Grosso do Sul, correspondente ao período das 8h às 17h em Brasília.
Com o anúncio, Joice Hasselmann passa a integrar o grupo de antigos apoiadores de Jair Bolsonaro que romperam politicamente com o ex-presidente e adotaram posições contrárias à candidatura de seu filho.
A ex-parlamentar, entretanto, insiste que o voto em Lula não altera sua identidade ideológica e representa uma escolha específica para o segundo turno das eleições de 2026.
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