Saúde / Prevenção
Tadalafila e sildenafila exigem atenção à saúde cardiovascular e às interações medicamentosas
Medicamentos para disfunção erétil são geralmente seguros quando bem indicados, mas associação com nitratos pode provocar queda perigosa da pressão arterial
07/08/2026
00:15
Dr. Rafael Marchetti
©REPRODUÇÃO
Medicamentos como tadalafila e sildenafila, utilizados no tratamento da disfunção erétil, podem ser empregados com segurança por muitos pacientes, mas exigem atenção especial às condições cardiovasculares e, principalmente, aos outros remédios utilizados simultaneamente.
Segundo o médico cardiologista Dr. Rafael Marchetti, o receio de que esses medicamentos representem, por si só, um risco elevado ao coração não corresponde à realidade da maioria dos pacientes. A avaliação, entretanto, precisa considerar o estado clínico de cada pessoa.
“Muitas pessoas têm receio sobre o uso de medicações para disfunção erétil em relação ao risco cardiovascular, mas, se não houver uma doença cardíaca descompensada, esses medicamentos são relativamente seguros”, explica.
Tadalafila e sildenafila pertencem ao grupo dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5). Entre seus efeitos está a vasodilatação, mecanismo que favorece o aumento do fluxo sanguíneo necessário para a ereção, mas que também pode interferir na pressão arterial.
Um dos cuidados mais importantes está na combinação desses medicamentos com nitratos, utilizados principalmente por alguns pacientes com angina e doença coronariana.
“O maior risco do uso desse tipo de medicamento é a sua interação com outras medicações, como os nitratos sublinguais. Essa combinação pode provocar queda perigosa da pressão arterial e levar a um quadro grave”, alerta Dr. Rafael Marchetti.
Por esse motivo, a associação de medicamentos para disfunção erétil dessa classe com nitratos é contraindicada. A queda acentuada da pressão pode comprometer a circulação sanguínea e provocar consequências graves.
O cuidado também é importante porque a tadalafila permanece ativa no organismo por mais tempo que a sildenafila. Por isso, pacientes que utilizam medicamentos cardiovasculares devem informar ao médico todos os remédios em uso antes de iniciar o tratamento para disfunção erétil.
A história da sildenafila, substância que ficou mundialmente conhecida pelo nome comercial Viagra, está ligada às pesquisas cardiovasculares. Atualmente, o princípio ativo também é utilizado, em formulações e indicações específicas, no tratamento da hipertensão arterial pulmonar.
“A sildenafila ainda é usada com essa finalidade hoje. Foi durante os estudos clínicos que se observou um efeito ‘colateral’, a melhora na ereção”, afirma o cardiologista.
A ação sobre os vasos sanguíneos acabou levando ao desenvolvimento do medicamento para o tratamento da disfunção erétil, indicação pela qual a substância se tornou mais conhecida.
Além de afetar a vida sexual, a disfunção erétil pode estar associada à saúde cardiovascular. Isso acontece porque problemas de ereção e doenças cardiovasculares compartilham fatores de risco, como alterações dos vasos sanguíneos, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e tabagismo.
Em determinados pacientes, portanto, o surgimento persistente de dificuldade de ereção pode justificar uma avaliação mais ampla da saúde, especialmente quando existem outros fatores de risco cardiovascular.
O tratamento também deve considerar os demais medicamentos utilizados pelo paciente, já que algumas substâncias podem interferir na função sexual.
A orientação é evitar a automedicação, principalmente entre pessoas com histórico de doença cardiovascular ou que utilizam remédios para o coração e pressão arterial. A avaliação médica permite identificar contraindicações, possíveis interações e a opção terapêutica mais adequada para cada caso.
Sobre o Dr. Rafael Marchetti
Rafael Marchetti é médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com especialização em Cardiologia e título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Possui pós-graduação em Medicina do Exercício e do Esporte, certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM e MBA em Gestão de Saúde. Com 20 anos de experiência, já coordenou UTIs cardiológicas e preceptou residência médica. Atualmente, atua no projeto Cardioendocrino & Lifestyle Medicine e no Lapinha Spa. É coautor do livro Revolução Alimentar e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
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