Política / Eleições
Aécio Neves fica fora das urnas em 2026 e prioriza reconstrução do PSDB
Presidente nacional do partido não disputará mandato neste ano, mas afirma que decisão não representa despedida e planeja ampliar bancada tucana na Câmara.
04/08/2026
20:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) anunciou que não disputará nenhum cargo nas eleições de 2026. Presidente nacional do partido, ele pretende concentrar sua atuação na montagem das chapas e na tentativa de fortalecer a bancada tucana na Câmara dos Deputados.
A decisão foi comunicada na terça-feira, 4 de agosto, apesar de Aécio ter recebido convites para concorrer ao Senado por Minas Gerais e aparecer em posição competitiva nas pesquisas eleitorais.
O parlamentar também chegou a ser mencionado como possível candidato à Presidência da República, mas decidiu permanecer fora da disputa. Em nota, classificou a escolha como “especialmente difícil” diante do apoio demonstrado por parte do eleitorado mineiro.
Aécio deixou claro que o afastamento das urnas será temporário e que pretende continuar participando da política nacional, tanto no comando do PSDB quanto em futuras eleições.
“Essa decisão não significa uma despedida da vida pública, das futuras disputas eleitorais e, muito menos, um distanciamento das causas que sempre defendi e continuarei defendendo”, declarou.
O mandato atual de deputado federal termina em 31 de janeiro de 2027. A partir daí, Aécio ficará sem ocupar um cargo eletivo pela primeira vez desde que assumiu uma cadeira na Câmara, em 1987.
A principal tarefa do dirigente será ampliar a presença do PSDB no Congresso Nacional. Aécio estabeleceu como meta eleger 30 deputados federais em outubro.
O objetivo é considerado ambicioso. Atualmente, a bancada da Federação PSDB-Cidadania conta com 17 parlamentares, incluindo o próprio presidente tucano.
A estratégia envolve priorizar candidaturas proporcionais e reconstruir diretórios estaduais em regiões onde o partido perdeu força nas últimas eleições. O resultado será decisivo para o acesso a recursos partidários, tempo de propaganda e espaços de comando dentro da Câmara.
Aécio avalia que uma bancada maior permitirá ao PSDB recuperar relevância no debate nacional e preparar uma alternativa política para as eleições de 2030.
Segundo aliados, o dirigente acredita que haverá espaço, no próximo ciclo eleitoral, para a construção de uma candidatura que não esteja ligada diretamente ao PT ou ao bolsonarismo.
A intenção é preservar a estrutura nacional do PSDB e fortalecer o partido como uma opção de centro. Em declarações anteriores, Aécio afirmou que a legenda não pretende apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem uma candidatura vinculada à família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O desempenho das chapas proporcionais em 2026 será tratado como ponto de partida para esse projeto. Uma bancada maior também poderá ampliar o peso do PSDB em votações no Congresso e na formação de alianças futuras.
Aécio iniciou sua trajetória parlamentar ao ser eleito deputado federal constituinte em 1986, com posse no ano seguinte. Desde então, acumulou mandatos no Legislativo e no Executivo.
Foi presidente da Câmara dos Deputados entre 2001 e 2002, governou Minas Gerais por dois mandatos, de 2003 a 2010, e representou o estado no Senado entre 2011 e 2019. Depois, retornou à Câmara, onde exerce mandato desde 2019.
Em 2014, disputou a Presidência da República pelo PSDB e chegou ao segundo turno, quando foi derrotado por Dilma Rousseff (PT).
Ao optar por não concorrer em 2026, o dirigente encerra um período de aproximadamente 40 anos de mandatos consecutivos, mas mantém aberta a possibilidade de voltar às urnas. Até lá, sua prioridade será garantir a sobrevivência eleitoral e ampliar a presença do PSDB no Congresso.
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