Justiça / Supremo
Moraes chama emendas parlamentares de questão estrutural e defende análise sem pressa
Ministro participou de audiência pública conduzida por Flávio Dino no STF sobre fiscalização e responsabilização na destinação de recursos
22/09/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (22) que a discussão sobre a obrigatoriedade de execução das emendas parlamentares representa uma questão estrutural para o país e defendeu que o tema seja analisado sem pressa pela Corte.
Moraes participou de audiência pública conduzida pelo ministro Flávio Dino, que discute aspectos relacionados à fiscalização, prestação de contas e eventual responsabilização de parlamentares por irregularidades na destinação de emendas. O debate envolve, entre outros pontos, os limites da atuação dos congressistas na indicação dos recursos públicos.
Para Moraes, a relevância da discussão está diretamente ligada à forma como recursos limitados do Orçamento são distribuídos.
“É uma questão estrutural da maior importância porque visa a aplicação dos escassos recursos do Orçamento”, afirmou o ministro.
Ele também defendeu cautela na análise. Na avaliação apresentada durante a audiência, uma decisão acelerada poderia impedir o exame adequado dos principais aspectos envolvidos na controvérsia.
Flávio Dino destacou a participação de Moraes na audiência e afirmou que todos os ministros do Supremo haviam sido convidados para acompanhar a discussão.
O relator sinalizou que o julgamento das novas regras relacionadas à responsabilização de parlamentares na destinação das emendas deverá ocorrer depois das eleições de outubro. Segundo informações da audiência, a discussão abrange temas como mecanismos de controle, prestação de contas, eventual equiparação da atuação parlamentar à de ordenadores de despesas e repasses para entidades privadas.
A audiência representa uma etapa preparatória antes da análise definitiva do assunto pelo plenário do Supremo.
A fiscalização das emendas parlamentares já provocou uma série de decisões no Supremo. Em agosto, por exemplo, Dino determinou que o Congresso considerasse nulas indicações feitas por presidentes de partidos sem mandato legislativo e por ex-parlamentares. A determinação ocorreu no âmbito da ADPF 854.
O debate atual amplia a discussão para a responsabilidade dos próprios parlamentares na indicação e acompanhamento dos recursos.
Na prática, a futura decisão do STF poderá estabelecer parâmetros sobre o grau de responsabilidade dos congressistas na destinação das emendas e sobre os mecanismos de fiscalização do dinheiro público. Até o julgamento, entretanto, esses pontos permanecem em discussão na Corte.
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