Saúde / Prevenção
Suicídio entre jovens cresce cerca de 38% nas Américas em duas décadas, aponta estudo
Pesquisa com pessoas de 10 a 24 anos mostra avanço da taxa entre 2000 e 2021; especialistas alertam para mudanças de comportamento, isolamento e sofrimento emocional
23/09/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A mortalidade por suicídio entre adolescentes e jovens de 10 a 24 anos aumentou aproximadamente 38% nas Américas entre 2000 e 2021. O dado integra estudo publicado em 2026 na revista científica The Lancet Regional Health – Americas, baseado nas Estimativas Globais de Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A pesquisa analisou informações de 35 países e estimou 18.157 mortes por suicídio nessa faixa etária somente em 2021. A taxa regional passou de 5,70 para 7,84 mortes por 100 mil habitantes durante as duas décadas analisadas.
Os números ganham destaque durante o Setembro Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre saúde mental e prevenção do suicídio. Para especialistas, reconhecer alterações persistentes no comportamento de adolescentes e jovens e facilitar o acesso a apoio familiar e profissional são medidas importantes diante de situações de sofrimento psicológico.
Em 2021, as mortes por suicídio corresponderam a aproximadamente 9,7% de todos os óbitos entre pessoas de 10 a 24 anos nas Américas. O problema apareceu como a terceira principal causa de morte nessa população, atrás da violência interpessoal e dos acidentes de trânsito.
A pesquisa também encontrou uma diferença significativa entre homens e mulheres. Aproximadamente 75% das mortes por suicídio ocorreram entre pessoas do sexo masculino, cuja taxa foi quase três vezes a observada entre mulheres.
O crescimento ao longo dos anos, entretanto, foi proporcionalmente maior entre as mulheres. A taxa feminina aumentou, em média, 1,79% ao ano, enquanto entre os homens o crescimento médio anual foi de 1,41%.
Outro resultado que chamou a atenção dos pesquisadores envolve os adolescentes mais novos. Embora as maiores taxas absolutas tenham sido encontradas entre jovens de 20 a 24 anos, a faixa dos 10 aos 14 anos apresentou a tendência de crescimento mais acentuada durante o período analisado.
O médico Albert Nilo Costa, especialista em neurociência e professor da Afya Educação Médica de Belo Horizonte e Montes Claros, chama a atenção para mudanças persistentes na rotina e no comportamento.
Segundo ele, irritabilidade, alterações significativas no ambiente escolar ou familiar e mudanças na maneira de se relacionar com outras pessoas podem acompanhar situações de sofrimento mental e merecem atenção.
“Esses sinais exigem um olhar mais atento para esse jovem”, afirma.
O especialista também cita situações como bullying, cyberbullying, violência, negligência e alterações importantes do sono entre fatores que podem aumentar a vulnerabilidade psicológica.
A presença desses fatores isoladamente não significa que uma pessoa tentará suicídio. O comportamento suicida é complexo e pode envolver a combinação de diferentes condições individuais, sociais, familiares e ambientais.
No Brasil, o Ministério da Saúde informa que foram notificados 15.507 suicídios em 2021, considerando todas as idades. O número corresponde a uma média superior a 42 mortes por dia naquele ano.
Os dados oficiais também mostram diferenças importantes conforme sexo e faixa etária. Segundo o Ministério, a taxa entre homens no país é aproximadamente três vezes maior que entre mulheres. Em 2021, o suicídio figurou como a segunda principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos.
No recorte específico da pesquisa internacional, que considera a população brasileira entre 10 e 24 anos, a taxa estimada em 2021 foi de 6,13 mortes por 100 mil habitantes, com tendência de crescimento entre 2000 e 2021.
A psicóloga Sabrina Magalhães Teixeira, coordenadora de Psicologia da Afya Sete Lagoas, explica que vergonha, medo da reação familiar e dificuldade para expressar emoções podem impedir adolescentes e jovens de procurar apoio.
“O sentimento de se considerar um fardo para os outros e acreditar que, ao não falar, estão poupando as pessoas ao redor é outro fator. Existe ainda o medo da reação dos pais, de serem punidos, perderem autonomia ou passarem a ser vigiados”, explica.
Experiências anteriores também podem dificultar uma nova tentativa de diálogo. Um adolescente que procurou ajuda e teve seu sofrimento minimizado, foi ridicularizado ou recebeu uma reação punitiva pode passar a evitar novas conversas.
Por isso, Sabrina destaca a importância da presença de adultos capazes de ouvir sem julgamentos e de buscar auxílio especializado quando necessário.
“É fundamental não minimizar o sofrimento. Comportamentos autolesivos, por exemplo, não devem ser tratados como ‘apenas uma forma de chamar atenção’. Existe um sofrimento que precisa ser compreendido e abordado”, afirma.
Mudanças bruscas ou persistentes de comportamento, isolamento, desesperança, perda de interesse por atividades habituais, autolesão ou manifestações relacionadas à morte merecem atenção, especialmente quando aparecem em conjunto ou se intensificam.
Diante de sinais de sofrimento, familiares, professores e pessoas próximas podem favorecer uma conversa acolhedora e incentivar a procura por atendimento profissional. Situações de risco imediato exigem assistência de emergência.
No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, durante 24 horas. Também é possível procurar os serviços da rede pública de saúde, incluindo unidades básicas, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e serviços de urgência.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Mensagens mostram que Zanin recusou convite para evento de Vorcaro em Londres
Leia Mais
Zanin nega liminar para obrigar Senado a avançar com CPI do Banco Master
Leia Mais
Viúva de Rick soube da morte do cantor pelas redes sociais após desembarcar no Brasil
Leia Mais
Horóscopo desta quarta-feira traz novos ciclos, decisões e oportunidades
Municípios