Política / Diplomacia
Lula defende soberania na ONU e afirma que Brasil “não cabe no quintal de ninguém”
Presidente critica interferência externa em eleições, uso de tarifas como pressão e defende multilateralismo durante Assembleia Geral em Nova York
22/09/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou a defesa da soberania nacional no centro de seu discurso nesta terça-feira (22), na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Em meio às tensões diplomáticas com os Estados Unidos e à proximidade da eleição presidencial brasileira, Lula criticou interferências externas em processos eleitorais e declarou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.
Sem citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump nessa passagem, Lula contrapôs multilateralismo e unilateralismo e afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a cooperação entre países. Também declarou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros e que o país continuará soberano.
A manifestação ocorre a menos de duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial brasileira, marcado para 4 de outubro. Antes da Assembleia, integrantes do governo já demonstravam preocupação com eventual interferência externa no processo eleitoral.
Lula também abordou as disputas comerciais e criticou a utilização de tarifas como instrumento de pressão entre países.
O presidente afirmou que a Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta uma situação de enfraquecimento e criticou governos que cedem diante do uso de barreiras comerciais como mecanismo de coerção. As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros estão entre os principais pontos de atrito na relação bilateral.
Apesar da disputa, Lula declarou que o Brasil deverá registrar novo recorde de exportações neste ano.
Outro tema levado à tribuna foi o Pix. Lula afirmou que o governo brasileiro não pretende ceder a pressões para privatizar o sistema de pagamentos instantâneos.
O presidente também voltou a defender maior regulamentação das plataformas digitais e da inteligência artificial. Em sua avaliação, o avanço tecnológico precisa ser acompanhado por regras capazes de proteger direitos e impedir abusos.
Lula ainda criticou o impacto social das apostas eletrônicas e abordou a necessidade de proteção de crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis no ambiente digital.
No combate ao crime organizado, Lula defendeu maior cooperação internacional para interromper os fluxos de armas e recursos financeiros destinados às organizações criminosas.
A abordagem também reforçou a posição brasileira de que o enfrentamento ao crime transnacional deve ocorrer por meio da cooperação entre os países, respeitando a soberania de cada Estado.
Na pauta ambiental, o presidente destacou a redução recente do desmatamento na Amazônia e defendeu a possibilidade de conciliar crescimento econômico, preservação ambiental e redução das emissões.
Lula também tratou da exploração dos recursos naturais brasileiros. Segundo o presidente, minerais estratégicos e outras riquezas pertencem à população brasileira, e sua exploração deve produzir benefícios internos, incluindo geração de valor e transferência de tecnologia.
O presidente voltou a cobrar mudanças na estrutura de governança internacional, especialmente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Lula argumentou que os mecanismos atuais apresentam dificuldades para responder aos conflitos internacionais e defendeu o fortalecimento da diplomacia e do multilateralismo.
A 81ª Assembleia Geral reúne representantes dos Estados-membros para discutir conflitos, economia, mudanças climáticas, desenvolvimento e outros temas internacionais. O debate geral ocorre entre 22 e 28 de setembro.
Por tradição mantida desde 1955, o Brasil é o primeiro país a discursar no debate geral. Nesta terça-feira, Lula foi seguido na tribuna pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A defesa da soberania funcionou como um dos principais eixos da manifestação brasileira. Ao relacionar democracia, comércio internacional, tecnologia, segurança e recursos naturais, Lula sustentou que decisões sobre o futuro político e econômico do Brasil devem permanecer sob responsabilidade das instituições e da população brasileira.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Helicóptero com cantor Rick é encontrado em SC e bombeiros confirmam cinco mortes
Leia Mais
Moraes chama emendas parlamentares de questão estrutural e defende análise sem pressa
Leia Mais
Moraes chama emendas parlamentares de questão estrutural e defende análise sem pressa
Leia Mais
Mega-Sena sorteia prêmio acumulado de R$ 32 milhões nesta terça-feira
Municípios