Política / Eleições
Renan Santos diz que não cumprirá decisões monocráticas do STF e defende ajuste fiscal
Candidato do Missão à Presidência também afirmou que buscará apoio do Centrão, propôs mudanças nas emendas parlamentares e apresentou medidas para segurança pública.
05/08/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, afirmou, em entrevista concedida ao g1 e à GloboNews, que, se eleito, não cumprirá decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerar ilegais. Durante a sabatina, ele também defendeu um pacote de ajuste fiscal, disse que negociará com o Centrão para aprovar projetos e apresentou propostas nas áreas de segurança pública, educação e combate ao crime organizado.
Ao comentar a relação entre o Executivo e o Judiciário, Renan afirmou que pretende questionar decisões individuais de ministros do STF quando entender que extrapolam as competências constitucionais da Corte.
“Se o Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão ilegal, decisão ilegal não se cumpre. Ponto”, declarou. O candidato acrescentou que buscaria dialogar com o tribunal antes de adotar qualquer medida, sustentando que sua interpretação estaria baseada na Constituição.
Na área econômica, Renan classificou a situação fiscal do país como um "drama fiscal" e voltou a defender uma PEC Fiscal com medidas para reduzir o crescimento das despesas públicas. Entre as propostas citadas estão a desindexação de benefícios vinculados ao salário mínimo e mudanças nas regras de gastos obrigatórios. Segundo ele, parte dos recursos economizados seria destinada a investimentos, incluindo o sistema prisional.
Embora mantenha críticas ao Centrão, grupo que chamou de "parasita", o candidato reconheceu que precisará negociar com o Congresso Nacional para aprovar suas propostas.
“Eu vou ter que conversar. Eu vou ter que negociar e compor com membros deste Parlamento. Eu sou um democrata, eu vou ter que compor”, afirmou.
Renan também disse que pretende manter as emendas parlamentares, mas com novos critérios de distribuição. Pela proposta, municípios que apresentarem melhores indicadores em áreas como segurança, educação, saneamento e combate à violência contra a mulher receberiam mais recursos federais.
Na área de segurança pública, o presidenciável voltou a defender uma atuação mais rígida contra o crime organizado e afirmou que poderá decretar estado de defesa em regiões dominadas por facções criminosas, dentro dos limites previstos pela Constituição. Ele também negou que pretenda reproduzir no Brasil medidas adotadas por Nayib Bukele, presidente de El Salvador, como prisões sem mandado judicial ou julgamentos coletivos.
Sobre educação, Renan defendeu a substituição gradual das cotas raciais por um modelo baseado em desempenho acadêmico desde a educação básica. O candidato também afirmou que pretende ampliar o ensino técnico e revisar políticas de financiamento do ensino superior privado.
Durante a entrevista, o candidato comentou ainda temas como feminicídio, autoridade familiar, desfavelização, imprensa e sua relação com o vice de chapa, Aroldo Medina, além de responder a questionamentos sobre declarações feitas em campanhas e entrevistas anteriores.
A entrevista integra uma série promovida pelo g1 e pela GloboNews com os candidatos à Presidência da República. Renan Santos, de 42 anos, disputa pela primeira vez um cargo eletivo e representa o partido Missão, criado em 2025.
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