Política / Investigação
PF apura pagamento de R$ 249 mil feito por lobista a ex-assessor de Lula
Conversas extraídas de celular indicariam o pagamento de despesas pessoais de Marco Aurélio Santana; ele afirma que o valor corresponde a um empréstimo.
04/08/2026
18:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Polícia Federal apura pagamentos que somam R$ 249 mil feitos pela empresária e lobista Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo informações atribuídas à investigação, as movimentações ocorreram ao longo de 2025.
As suspeitas surgiram após a análise de conversas encontradas no celular de Roberta. As mensagens indicariam que Marcola enviava códigos de barras de contas pessoais para que os pagamentos fossem realizados pela empresária. Os investigadores também verificam a possibilidade de repasses em dinheiro vivo.
Naquele período, Marcola trabalhava próximo ao gabinete presidencial no Palácio do Planalto. Entre suas atribuições estavam o acompanhamento da agenda de Lula e a interlocução com ministros.
A ligação entre Roberta e o ex-assessor levou a PF a solicitar a abertura de um terceiro inquérito que também menciona Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente da República.
Essa investigação está sob a relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O objetivo é verificar se Marcola teria utilizado sua posição no governo para praticar tráfico de influência.
A apuração concentra-se na relação financeira entre Roberta e o ex-chefe de gabinete. Lulinha aparece no caso porque os investigadores suspeitam que a empresária atuava como intermediária de interesses ligados a ele dentro do governo. Até o momento, não há condenação ou decisão judicial que atribua crime aos citados.
Roberta mantém uma relação de amizade com Lulinha e sua mulher, Renata Abreu Moreira. Em depoimento prestado em maio de 2026, a empresária confirmou que apresentou o filho do presidente a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, mas negou que os dois tenham desenvolvido negócios juntos.
A PF também apura informações de que Roberta teria custeado despesas de uma viagem feita por Lulinha e familiares à Finlândia, em janeiro de 2025.
Outro ponto investigado é o pagamento do aluguel de um imóvel de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, que teria sido utilizado pelo filho do presidente durante suas passagens pela capital federal. Lulinha mora em Madri, na Espanha, desde 2025.
Em 4 de março de 2026, o ministro Flávio Dino suspendeu uma quebra de sigilo bancário e fiscal de Roberta aprovada pela CPMI do INSS. O magistrado concluiu que os requerimentos foram votados em conjunto e sem fundamentação individualizada, condição exigida para medidas que atingem dados protegidos. A comissão ficou autorizada a realizar uma nova análise, desde que apresente justificativa específica para o pedido.
Em nota, Marco Aurélio confirmou o recebimento dos R$ 249 mil, mas negou qualquer irregularidade. Segundo ele, a quantia correspondia a um empréstimo pessoal concedido por Roberta e posteriormente quitado por transferência bancária.
“Jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil”, afirmou.
O ex-assessor informou que colocou seus dados bancários e fiscais à disposição da Justiça e constituiu advogado para apresentar os documentos relacionados à operação.
“Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência”, declarou Marcola.
A investigação continua em andamento no STF. Caberá à Polícia Federal reunir provas sobre a origem, a finalidade e a forma dos pagamentos, além de verificar se houve alguma relação entre as movimentações financeiras e as funções exercidas pelo ex-assessor no governo federal.
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