Política / Diplomacia
Mais da metade das embaixadas dos EUA está sem embaixador durante governo Trump
Levantamento aponta 107 postos diplomáticos vagos; Brasil ainda não formalizou o aval ao nome indicado por Washington.
05/08/2026
16:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Mais da metade das representações diplomáticas dos Estados Unidos no exterior está atualmente sem embaixador. Levantamento da Associação Americana do Serviço Exterior mostra que 107 dos 195 postos monitorados estão vagos, o equivalente a 54,9% do total.
A entidade, que representa funcionários do serviço exterior norte-americano, mantém um balanço atualizado até 3 de agosto. Entre os postos sem chefia, 35 já possuem nomes indicados, mas os processos de aprovação, confirmação ou credenciamento ainda não foram concluídos.
O Brasil aparece entre os países nessa situação. Em junho de 2026, o presidente Donald Trump indicou o advogado e deputado republicano Daniel Perez para assumir a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
O nome, porém, ainda não recebeu o aval formal do governo brasileiro e também depende da confirmação do Senado dos Estados Unidos.
A demora provocou novo desgaste diplomático entre Brasília e Washington. Segundo as informações divulgadas, o Departamento de Estado anunciou a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em reação à ausência de resposta sobre o representante indicado.
O continente africano apresenta o maior percentual de representações norte-americanas sem embaixador. Das 51 missões diplomáticas monitoradas na região, 39 estão vagas, correspondendo a 76,5% do total.
Na América Latina e no Caribe, o índice chega a 60,7%. São 17 postos vagos entre as 28 representações acompanhadas pela entidade.
Até mesmo países politicamente próximos ao governo Trump, como El Salvador, Paraguai e Equador, seguem sem embaixadores efetivos, embora já existam indicações para os cargos.
Por outro lado, Argentina, Chile, Uruguai e Peru contam com representantes diplomáticos norte-americanos em atividade.
A lista de vagas inclui países considerados centrais nas negociações internacionais, especialmente no Oriente Médio. Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Paquistão aparecem entre as representações sem embaixador.
Rússia e Ucrânia, envolvidas em conflito militar, também integram o levantamento.
O atual secretário de Estado dos Estados Unidos é Marco Rubio, conhecido por posições críticas aos governos de esquerda da América Latina e por embates com integrantes do governo brasileiro.
A condução da política externa norte-americana também envolve auxiliares próximos de Trump. Entre eles está o empresário Steve Witkoff, que atua como enviado especial em missões diplomáticas, além de Jared Kushner, genro do presidente e participante de negociações relacionadas aos conflitos no Oriente Médio.
De acordo com a Associação Americana do Serviço Exterior, aproximadamente 2 mil diplomatas deixaram seus cargos no último ano, entre demissões e aposentadorias compulsórias. A redução do quadro é apontada como um dos fatores que ajudam a explicar o elevado número de representações sem chefia.
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