Campo Grande (MS), Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026

Economia / Eleições

Pacote de Lula chega a R$ 283,2 bilhões e se aproxima dos R$ 325 bilhões de Bolsonaro

Levantamento do UBS reúne ações previstas para 2026; maior parte dos recursos depende da contratação de crédito por famílias e empresas

03/08/2026

19:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO/IA

As medidas anunciadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para estimular a economia em 2026 já mobilizam R$ 283,2 bilhões, segundo levantamento do banco suíço UBS, atualizado com ações divulgadas pelo Palácio do Planalto.

O montante se aproxima dos R$ 325 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, associados ao conjunto de benefícios, desonerações e programas adotados pelo governo de Jair Bolsonaro em 2022. Os dados referentes à gestão anterior foram compilados pela Reuters.

Embora os valores estejam próximos, as estratégias são diferentes. Enquanto o pacote de 2022 teve impacto direto maior sobre as contas públicas, as medidas atuais concentram-se na concessão de empréstimos com garantias de fundos estatais.

Na atual gestão, R$ 193,5 bilhões, equivalentes a cerca de 69% do total mobilizado, estão relacionados a linhas de crédito. Isso significa que a liberação efetiva dos recursos depende da contratação de dívidas por consumidores ou empresários.

As iniciativas também incluem a ampliação da isenção do Imposto de Renda, programas de renegociação de débitos e financiamentos voltados ao consumo, à produção e à aquisição de veículos.

Pacote de 2022 priorizou benefícios e desonerações

No governo Bolsonaro, a estratégia adotada no ano eleitoral de 2022 foi sustentada pelo estado de emergência aprovado pelo Congresso Nacional e pela chamada PEC Kamikaze.

O conjunto de medidas incluiu redução de impostos, ampliação do antigo Auxílio Brasil e criação dos auxílios destinados a caminhoneiros e taxistas.

De acordo com os números corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), as isenções e desonerações representaram R$ 167,7 bilhões, ou 51,6% do pacote. Outros R$ 123 bilhões, equivalentes a 37,9%, foram destinados à transferência adicional de renda por meio dos programas sociais.

Em 2026, diante das limitações impostas pelo novo arcabouço fiscal, o governo Lula passou a utilizar com maior intensidade o sistema financeiro e os fundos públicos de garantia. Dessa forma, busca estimular a atividade econômica sem transferir todo o impacto imediatamente para o caixa do Tesouro Nacional.

Endividamento limita acesso aos empréstimos

A dependência do crédito, no entanto, encontra obstáculos no elevado endividamento das famílias e no avanço da inadimplência. Parte dos consumidores interessados nas novas linhas não consegue atender às exigências dos bancos devido a restrições cadastrais ou renda insuficiente.

Um exemplo é o programa Move Brasil, que prevê R$ 30 bilhões em crédito para a compra de veículos por motoristas de aplicativos e taxistas. Após entrar no segundo mês de operação, a iniciativa havia liberado apenas R$ 2 bilhões.

A baixa procura efetivada estaria relacionada, entre outros fatores, à dificuldade dos interessados em comprovar capacidade de pagamento ou superar restrições de crédito. Nesse cenário, o governo também ampliou iniciativas de renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil.

Fazenda nega finalidade eleitoral

O Ministério da Fazenda rejeita a avaliação de que as medidas tenham sido concentradas em 2026 com finalidade eleitoral. Segundo a pasta, a equipe econômica mantém uma “busca incessante do equilíbrio fiscal, em especial com a meta de alcançar superávits primários em curtíssimo prazo”.

Em nota, o ministério informou que aproximadamente 70 políticas públicas ligadas à economia foram aprovadas pelo Congresso Nacional desde o início do atual governo.

“Ou seja, este governo trabalha desde seu início para resolver questões econômicas, estruturais e conjunturais”, afirmou a pasta.

A Fazenda também classificou o novo Desenrola Brasil como uma política de longo prazo destinada a enfrentar o endividamento acumulado pelas famílias desde a pandemia.

Sobre a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais, o ministério declarou que a mudança procura corrigir a baixa progressividade da cobrança.

“A reforma buscou enfrentar essa distorção com o propósito de ampliar a justiça tributária e contribuir para a redução da desigualdade socioeconômica em um dos países mais desiguais do mundo”, informou.

Juros e dívida pública

O Ministério da Fazenda afirmou ainda que os juros cobrados nos empréstimos e o custo da dívida pública são influenciados por fatores fiscais, inflacionários e cambiais, além do cenário internacional e das decisões de política monetária.

Segundo a pasta, os juros norte-americanos, referência para o mercado global, permanecem em níveis elevados e dificultam uma redução mais rápida das taxas brasileiras.

O ministério sustenta que a busca pelo equilíbrio das contas públicas pode reduzir a percepção de risco, contribuir para a queda dos juros e ajudar na estabilização da dívida. Na prática, o alcance das medidas anunciadas dependerá da adesão aos programas de crédito e da capacidade de pagamento das famílias e empresas.


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