Política / Eleições 2026
Flávio Bolsonaro escolhe Alfredo Gaspar para vice e confirma chapa exclusiva do PL
Deputado alagoano ganhou projeção na CPMI do INSS; escolha encerra as articulações que incluíram a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina.
05/08/2026
10:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta quarta-feira, 5 de agosto, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente nas eleições de 2026. A decisão forma uma chapa composta exclusivamente por integrantes do Partido Liberal e encerra semanas de negociações com outras legendas.
O anúncio foi realizado em Brasília, no último dia reservado às convenções partidárias. Para Mato Grosso do Sul, a definição afasta oficialmente a possibilidade de participação da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a ser apontada por Flávio como a opção preferida para a vaga.
A escolha de Gaspar ocorreu depois que o Republicanos e a federação formada por União Brasil e Progressistas decidiram permanecer neutros na eleição presidencial. Sem uma coligação com essas siglas, o PL optou por buscar o candidato a vice dentro do próprio partido.
Natural de Alagoas, Alfredo Gaspar tem 55 anos e está em seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Ele foi eleito em 2022, quando ainda integrava o União Brasil, e transferiu-se para o PL em março de 2026.
Antes de chegar ao Congresso, o parlamentar atuou como promotor de Justiça, comandou o Ministério Público de Alagoas como procurador-geral e ocupou o cargo de secretário estadual de Segurança Pública.
Gaspar ganhou projeção nacional como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, criada para investigar fraudes em descontos aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas.
O relatório preparado por ele sugeriu o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre parlamentares, ex-ministros, dirigentes públicos e representantes de associações. O documento, porém, foi rejeitado por 19 votos a 12, e a comissão encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final.
Durante o anúncio, Flávio Bolsonaro afirmou que a experiência de Alfredo Gaspar na segurança pública, no Ministério Público e na fiscalização do INSS pesou na escolha.
“É uma pessoa que eu aprendi a admirar pela coragem, honestidade e pela sua história à frente da segurança pública. Alguém que já foi promotor de Justiça e chefe do Ministério Público do seu Estado”, declarou o candidato.
Flávio também apresentou o deputado como um representante do Nordeste, região considerada estratégica para a campanha presidencial do PL.
A presença de um parlamentar alagoano na chapa amplia a participação regional na composição, mas também exige uma reorganização eleitoral do partido em Alagoas. Na terça-feira, 4 de agosto, o PL havia anunciado Alfredo Gaspar como candidato ao Senado durante a convenção realizada em Maceió.
Ao aceitar a indicação, o deputado agradeceu a confiança e afirmou que participará diretamente da elaboração e da defesa do programa de governo.
“Vossa Excelência escolheu uma pessoa simples, nordestina, mas com uma história de vida de muito trabalho”, disse Gaspar.
O parlamentar acrescentou que seguirá ao lado de Flávio durante a campanha: “Estarei de cabeça erguida para dizer que, ao seu lado, marcharei para transformar o Brasil em um local justo e decente”.
Gaspar também mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o pronunciamento e relacionou a ausência dele à morte do próprio pai.
A senadora Tereza Cristina, que havia sido considerada uma das principais opções para a vaga, esteve presente no evento. Ela agradeceu o convite feito por Flávio, mas explicou que a decisão do Progressistas pela neutralidade impediu a composição.
A participação da parlamentar sul-mato-grossense era defendida por setores do PL e pelo governador Eduardo Riedel (PP). A avaliação era de que Tereza poderia aproximar a campanha do agronegócio, ampliar o diálogo com o eleitorado feminino e facilitar a construção de alianças no Centro-Oeste.
Mesmo fora da chapa, a senadora afirmou que continuará colaborando com a candidatura de Flávio.
Também participou do encontro a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Ela havia sido analisada como possível candidata a vice, mas também enfrentou resistência partidária depois que sua legenda decidiu não formalizar apoio presidencial.
Inicialmente, a campanha procurava uma mulher com projeção nacional para completar a chapa. Além de Tereza Cristina e Daniella Marques, outros nomes foram analisados nas negociações internas.
A estratégia buscava melhorar o desempenho de Flávio entre as eleitoras e acrescentar à candidatura uma representante ligada ao agronegócio, à área econômica, ao eleitorado evangélico ou às regiões em que o PL enfrenta maior dificuldade.
A escolha ficou limitada, no entanto, pelas decisões partidárias. Como a candidatura a vice integra a coligação presidencial, uma filiada de outra legenda dependeria da autorização de seu partido para entrar oficialmente na disputa.
O PL tentou estabelecer uma aliança com o Republicanos e com a federação formada por União Brasil e PP. As negociações não avançaram porque as direções nacionais dessas legendas preferiram liberar seus diretórios e não participar formalmente da eleição presidencial.
A neutralidade permite que lideranças regionais manifestem apoio individual, mas impede que os partidos integrem a coligação e ofereçam estrutura, recursos e tempo de propaganda eleitoral à chapa.
Com a decisão, Flávio Bolsonaro terá uma aliança presidencial menor e menos tempo no horário eleitoral gratuito do que teria caso as negociações fossem concluídas.
A chapa formada por Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar ainda deverá ser registrada na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro de 2026.
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