Polícia / Justiça
Foragido da Operação Compliance Zero é preso em Dubai e chega a São Paulo após ação com Interpol
Victor Lima Sedlmaier é investigado por suspeita de ligação com grupo hacker apontado pela PF como braço digital ligado ao caso Banco Master
16/05/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal prendeu neste sábado, 16 de maio, o investigado Victor Lima Sedlmaier, apontado como um dos foragidos da 6ª fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e a atuação de grupos ligados ao caso Banco Master. Ele foi detido no aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em uma ação de cooperação internacional com a Interpol e a polícia local.
Segundo a PF, Sedlmaier tentava entrar em Dubai quando os mecanismos de cooperação policial internacional foram acionados. As autoridades locais determinaram a não admissão do investigado no país e a deportação imediata ao Brasil. Ele chegou a São Paulo no fim da tarde e foi preso após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
O investigado era alvo de mandado de prisão preventiva autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele estava foragido desde a última quinta-feira, 14 de maio, quando foi deflagrada a nova fase da operação.
De acordo com a Polícia Federal, Victor Lima Sedlmaier é suspeito de integrar o grupo conhecido como “Os Meninos”, formado por pessoas com perfil hacker e investigado por supostas ações de invasões, derrubada de perfis, monitoramento ilícito e possível destruição ou ocultação de evidências digitais. O grupo é apontado como ligado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Em depoimento à PF, Sedlmaier afirmou ser estudante de ciência da computação e desenvolvedor de sistemas. Ele disse prestar serviços a David Henrique Alves, apontado pelos investigadores como líder do grupo “Os Meninos”. David também teve prisão preventiva decretada, mas segue foragido.
Segundo o relato do investigado, o contato com David Henrique Alves teria sido intermediado por um primo, e a prestação de serviços teria começado em julho de 2024. Sedlmaier afirmou que atuava no conserto de computadores e no desenvolvimento de um software de inteligência artificial.
Ainda conforme o depoimento, ele recebia R$ 2 mil mensais, além de “bônus por serviços eventuais”. Sedlmaier também disse saber que David trabalhava para Luiz Phillipi Mourão, apontado pela PF como o “Sicário” de Daniel Vorcaro, com remuneração de R$ 35 mil por mês.
A PF sustenta, no entanto, que a atuação de Victor Sedlmaier não se limitava aos serviços técnicos relatados. Para os investigadores, ele teria exercido papel de apoio logístico e possível participação na ocultação de vestígios ligados a David Henrique Alves.
Segundo a investigação, no dia da operação que prendeu Luiz Phillipi Mourão, David Henrique Alves foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal dentro de um veículo de Mourão. No carro, foram encontrados computadores e o documento de uma terceira pessoa. A PF afirma que David não soube explicar por que estava no veículo.
Na decisão que autorizou a prisão preventiva, o ministro André Mendonça afirmou que a situação foi interpretada como indicativo de fuga em andamento e possível destruição, remoção ou ocultação de provas digitais.
A Polícia Federal também afirma que, no dia seguinte à operação, Victor Lima Sedlmaier foi até a casa de David Henrique Alves com um caminhão de mudança para retirar itens do imóvel. Conforme a PF, o documento encontrado com David no dia anterior, em nome de Marcelo Souza Gonçalves, continha a foto de Sedlmaier.
Na decisão, André Mendonça registrou que a posse simultânea desses objetos, somada ao ingresso no imóvel de David logo após sua saída apressada e ao retorno com caminhão de mudança, forma um quadro indiciário de que Victor teria atuado para manusear, remover ou resguardar bens e equipamentos com possível relevância probatória.
O ministro também citou a menção feita por Victor a Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, o que, segundo a autoridade policial, reforçaria a hipótese de atuação conjunta em favor de David Henrique Alves e do núcleo “Os Meninos”.
A decisão aponta ainda que Victor Sedlmaier é sócio de duas empresas, a Drogaria Saúde Vida Ltda. e a Nova Farma Drogaria e Cosméticos Ltda.. Segundo a PF, as empresas podem ter sido usadas para o recebimento indireto de pagamentos.
A 6ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quinta-feira, também prendeu o empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. De acordo com a Polícia Federal, ele teria papel central no gerenciamento do grupo denominado “A Turma”, apontado como uma espécie de milícia pessoal do ex-banqueiro.
Além de “Os Meninos”, a operação mira o grupo “A Turma”. Segundo relatório encaminhado pela PF ao STF, os dois núcleos seriam formados por agentes responsáveis por ações de monitoramento, intimidação de desafetos, ataques cibernéticos, invasões telemáticas e derrubada de perfis em benefício de Daniel Vorcaro e de seu entorno.
Com a prisão de Victor Lima Sedlmaier, duas pessoas ainda seguem foragidas: o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior e David Henrique Alves, apontado como chefe do grupo “Os Meninos”.
Segundo a PF, o núcleo investigado reunia pessoas com perfil técnico e hacker, que teriam sido remuneradas para executar invasões, derrubada de perfis, monitoramento ilegal e possível ocultação de provas digitais. Entre os nomes citados no núcleo estão David Henrique Alves, Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Katherine Venâncio Telles.
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