Política / Justiça
Delegada da PF é afastada por suspeita de repassar dados sigilosos ao grupo de Daniel Vorcaro
Valéria Vieira Pereira da Silva e o marido, policial federal aposentado, são apontados pela investigação como operadores de informações internas para a chamada “A Turma”
14/05/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A delegada da Polícia Federal Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada da função pública por suspeita de atuar ilegalmente em favor do grupo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14).
Além do afastamento preventivo, o ministro determinou que a delegada está proibida de deixar o país. A decisão também prevê a apreensão do passaporte de Valéria no prazo de 24 horas.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, a delegada teria exercido papel relevante no repasse de informações sigilosas ao grupo chamado “A Turma”, estrutura apontada pelos investigadores como uma organização voltada a defender interesses de Daniel Vorcaro e de sua família.
Segundo a PF, Valéria Vieira Pereira da Silva e o marido, o policial federal aposentado Francisco José Pereira da Silva, atuavam como uma espécie de núcleo de acesso a informações internas da corporação.
A investigação aponta que os dois teriam servido como “espiões” para o grupo ligado a Vorcaro, fornecendo dados sensíveis sobre procedimentos investigativos em andamento.
O marido da delegada, conforme a apuração, teria funcionado como intermediário no contato com integrantes do grupo investigado, o que, segundo a Polícia Federal, teria reduzido rastros diretos da participação de Valéria.
Um dos pontos centrais da investigação é o acesso feito por Valéria a um inquérito conduzido pela Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo.
De acordo com a PF, a delegada não tinha atribuição funcional relacionada ao procedimento. Desde 2006, ela estava lotada em Minas Gerais, o que reforçou a suspeita de que o acesso ao inquérito não teria justificativa administrativa ou investigativa.
Após acessar o procedimento, segundo os investigadores, Valéria teria repassado informações a Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado apontado como operador de inteligência do grupo ligado à família Vorcaro.
A Polícia Federal afirma que os dados compartilhados eram detalhados o suficiente para permitir a identificação do objeto da investigação e de pessoas que estavam efetivamente na mira dos investigadores.
Embora a PF não tenha localizado comunicações diretas entre Valéria e Marilson Roseno da Silva, os investigadores sustentam que Francisco José Pereira da Silva, marido da delegada, teria atuado como elo entre os dois.
Essa intermediação, conforme a apuração, teria sido usada para dificultar a identificação da participação direta da delegada no suposto vazamento de informações sigilosas.
A conduta atribuída à delegada e ao marido é investigada sob suspeita de violação de sigilo funcional, corrupção e organização criminosa.
O caso integra a sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema relacionado ao Banco Master, envolvendo suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e atuação de uma estrutura paralela de monitoramento e intimidação.
A chamada “A Turma” é descrita pela investigação como um grupo organizado para obter informações sigilosas, monitorar autoridades e proteger interesses de Daniel Vorcaro e de pessoas ligadas ao banqueiro.
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