Comportamento / Viagens
Hábitos comuns que podem ser considerados ofensivos em outros países
Gestos, horários, presentes e atitudes à mesa mudam de significado conforme a cultura e podem causar constrangimentos durante uma viagem
13/07/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
Um gesto entendido como educado no Brasil pode provocar desconforto, parecer desrespeitoso ou até assumir sentido ofensivo em outro país. Diferenças culturais aparecem na forma de cumprimentar, servir refeições, entregar presentes, conversar em público e até posicionar as mãos e os pés.
Conhecer essas particularidades ajuda o viajante a evitar situações constrangedoras, mas os costumes não devem ser tratados como regras absolutas. Há variações entre regiões, gerações, famílias e ambientes sociais dentro de um mesmo país. O mais seguro é observar o comportamento local, agir com respeito e perguntar quando houver dúvida.
Entre as curiosidades reunidas estão hábitos relacionados à alimentação, pontualidade, linguagem corporal, hospitalidade e convivência em espaços públicos.
O sinal de paz feito com dois dedos costuma representar amizade ou tranquilidade. No Reino Unido, porém, o mesmo gesto com a palma voltada para quem o faz pode ser interpretado como um insulto.
O gesto de “OK”, formado pela união do polegar com o indicador, também exige cuidado. Em alguns lugares, ele pode ter conotação vulgar ou ofensiva, muito diferente da ideia de aprovação atribuída no Brasil.
O sinal de polegar para cima também não possui significado universal. Embora represente concordância em muitos países, pode ser recebido como provocação em determinadas comunidades do Oriente Médio e de outras regiões.
Até cruzar os dedos, normalmente associado à sorte, pode gerar constrangimento. No Vietnã, o gesto pode assumir conotação sexual e ser entendido como grosseiro.
Além do significado dos sinais, a posição das mãos durante uma conversa também importa. Na Alemanha, por exemplo, falar com as mãos dentro dos bolsos pode transmitir desinteresse ou falta de respeito.
Em diferentes culturas do Oriente Médio e da Ásia, mostrar a sola dos pés para outra pessoa é considerado desrespeitoso. O pé é associado à parte menos limpa do corpo, por isso apontá-lo diretamente para alguém, para uma imagem religiosa ou para um objeto importante pode ser ofensivo.
Cruzar as pernas diante de uma pessoa mais velha também pode ser malvisto em determinados contextos. O problema se torna maior quando a posição deixa a sola do sapato voltada para o interlocutor.
Em templos, residências e outros ambientes, também é comum existir a expectativa de retirar os sapatos antes de entrar. O costume aparece em várias culturas asiáticas e caribenhas e está ligado à higiene e ao respeito pelo espaço doméstico.
No Brasil, abrir um presente diante de quem o entregou costuma demonstrar entusiasmo e gratidão. Em partes da China, da Índia e de outros países asiáticos, a atitude pode ser interpretada como ansiedade excessiva ou interesse pelo valor do objeto.
Também é comum que a pessoa recuse educadamente o presente uma ou mais vezes antes de aceitá-lo. Essa resistência inicial não significa falta de vontade, mas uma demonstração de modéstia.
O visitante deve observar a reação dos anfitriões e evitar insistir em práticas que pareçam desconfortáveis para o grupo.
As regras de etiqueta à mesa variam profundamente. Em alguns países, comer tudo o que foi servido demonstra satisfação. Em outros, deixar o prato completamente vazio pode sugerir que a quantidade oferecida foi insuficiente.
Na China, na Rússia e na Tailândia, dependendo do contexto, uma pequena sobra pode indicar que o anfitrião serviu o bastante. Isso não significa que o prato sempre deva ser desperdiçado, mas mostra como uma mesma atitude pode receber interpretações diferentes.
No Chile, o uso de talheres é valorizado até em alimentos que outras culturas comeriam com as mãos. Servir-se novamente sem esperar que o anfitrião ofereça outra porção também pode ser considerado pouco educado.
Já em partes da África e do sul da Ásia, comer com as mãos faz parte da experiência tradicional. Nesses locais, a mão direita costuma ser utilizada para cumprimentar, servir e comer, enquanto a esquerda pode ser associada à higiene pessoal.
No Líbano e em outras culturas marcadas pela hospitalidade, oferecer comida é uma demonstração de afeto, acolhimento e respeito. Recusar imediatamente uma refeição pode ser interpretado como rejeição ao anfitrião.
Isso não obriga ninguém a consumir algo que provoque alergia, desconforto ou contrarie uma restrição pessoal. Nesses casos, o ideal é agradecer e explicar a situação com delicadeza.
Em algumas regiões, aceitar ao menos uma pequena porção demonstra consideração. A forma como a recusa é apresentada costuma ser tão importante quanto a própria decisão.
Adicionar molhos, sal ou outros temperos antes de provar a comida pode sugerir que o preparo não está adequado. Esse comportamento tende a ser malvisto em determinadas regiões do sul da Europa.
Na Itália, outro hábito chama a atenção dos turistas: o cappuccino é tradicionalmente associado ao café da manhã. Pedir a bebida depois do almoço não constitui uma ofensa grave, mas pode identificar rapidamente o visitante como estrangeiro.
Em restaurantes europeus, também não é habitual que a conta seja levada à mesa antes de o cliente solicitá-la. A iniciativa pode transmitir a impressão de que o estabelecimento deseja que a pessoa vá embora.
No Japão, sorver macarrão é frequentemente aceito e pode demonstrar que a refeição está sendo apreciada. Em outros países, o barulho seria classificado como falta de educação.
O arroto também recebe interpretações diferentes. Há contextos em que pode ser entendido como sinal de satisfação, mas, na maior parte da Europa e das Américas, costuma exigir um pedido de desculpas.
Lamber os dedos após a refeição pode ser tolerado em certos ambientes informais do Oriente Médio, enquanto em outros lugares é esperado que a pessoa utilize guardanapo.
O uso dos hashis exige cuidados em vários países asiáticos. Apontar para alguém com os utensílios pode ser interpretado como falta de respeito.
Deixá-los espetados verticalmente em uma tigela de arroz é especialmente inadequado, porque a posição lembra rituais funerários realizados em algumas culturas.
Também é aconselhável não brincar, bater os hashis na mesa ou utilizá-los para movimentar pratos de maneira desnecessária.
Em muitos países, a gorjeta faz parte da remuneração de garçons e outros trabalhadores. No Japão, porém, deixar dinheiro adicional pode provocar confusão e até ser interpretado como desnecessário ou constrangedor.
O atendimento de qualidade é entendido como parte natural do serviço prestado. Por isso, funcionários podem tentar devolver o valor deixado pelo cliente.
Antes de viajar, é recomendável verificar se a gorjeta já está incluída na conta, se é esperada ou se não faz parte dos costumes locais.
Na Alemanha e em outros países do norte europeu, chegar no horário é entendido como sinal de respeito e organização. Um pequeno atraso pode exigir aviso e explicação.
Em encontros sociais de determinados países latino-americanos, aparecer exatamente no horário indicado pode significar chegar enquanto os anfitriões ainda estão se preparando.
A diferença mostra que compromissos profissionais e reuniões formais devem ser separados de festas e encontros particulares. Mesmo em culturas mais flexíveis, atrasos em consultas, voos ou compromissos de trabalho podem causar problemas.
Em países onde o sorriso casual é muito comum, a ausência dessa expressão pode parecer antipática. Na Rússia, porém, sorrir sem motivo para uma pessoa desconhecida pode ser percebido como artificial.
Isso não significa que os russos sejam menos cordiais. O sorriso tende a ser associado a uma relação mais próxima e a uma emoção considerada verdadeira.
A comunicação facial é influenciada pela cultura, e interpretar automaticamente uma expressão pode levar a julgamentos equivocados.
No Japão, conversas telefônicas em trens e ônibus são geralmente evitadas. Passageiros costumam utilizar mensagens de texto e manter os aparelhos no modo silencioso.
A preocupação está ligada à preservação do silêncio e ao respeito pelo espaço compartilhado. O mesmo princípio aparece em hospitais, salas de espera e outros locais coletivos.
Em países onde falar ao telefone é mais comum, ainda assim o volume da voz pode determinar se a atitude será percebida como normal ou invasiva.
Entrar em uma loja ou restaurante e fazer um pedido sem cumprimentar o funcionário pode parecer apenas objetividade. Na França, deixar de dizer “bonjour” pode ser entendido como arrogância ou desprezo.
O cumprimento inicial estabelece reconhecimento e igualdade entre as pessoas. Somente depois disso é esperado que o cliente apresente sua solicitação.
Uma saudação simples, acompanhada de agradecimento, costuma evitar boa parte dos conflitos culturais durante uma viagem.
Em alguns países ocidentais, o aperto de mão firme é associado a segurança. Nas Filipinas, uma pegada muito forte pode transmitir tentativa de dominação ou agressividade.
O visitante deve evitar exageros e acompanhar a intensidade utilizada pela outra pessoa.
Abraços e toques também precisam ser avaliados. Em partes da Ásia e do Oriente Médio, o contato físico com desconhecidos pode ser visto como invasivo, especialmente entre homens e mulheres.
Assoar o nariz diante de outras pessoas é considerado desagradável em diferentes países, incluindo Japão, China e partes do Oriente Médio.
Quando necessário, a pessoa pode procurar um banheiro ou um espaço mais reservado. Em outras culturas, porém, o hábito é considerado mais aceitável do que ficar fungando repetidamente.
Esse tipo de diferença mostra que até ações ligadas à higiene são interpretadas de formas distintas.
Em cidades brasileiras, buzinar é usado para alertar, reclamar ou chamar a atenção. Na Noruega, o recurso costuma ser reservado a situações de risco.
Uma buzina desnecessária pode assustar outros motoristas e sugerir que existe uma emergência na via.
Atravessar a rua fora da faixa também merece cuidado. Em países do norte europeu, as normas de circulação são rigorosamente cumpridas, mesmo quando não há veículos próximos.
A divisão detalhada de uma conta é comum entre grupos de amigos no Brasil. Em alguns ambientes da França, a prática pode ser vista como excessivamente calculista, principalmente quando cada pessoa tenta pagar apenas o valor exato do que consumiu.
Uma alternativa frequente é uma pessoa pagar tudo e as demais compensarem em outro momento, ou o grupo dividir o total de maneira simples.
Atualmente, aplicativos e pagamentos digitais estão modificando essas práticas, principalmente entre os mais jovens.
Perguntar a profissão de alguém é uma forma comum de iniciar conversa. Na Holanda, dependendo do contexto e do modo como a pergunta é feita, ela pode parecer uma tentativa de medir renda ou posição social.
Questões sobre salário, religião, política, casamento e saúde podem ser muito pessoais em alguns países.
O melhor caminho é deixar que o interlocutor ofereça essas informações naturalmente, sem transformar a conversa em interrogatório.
Expressões como “incrível”, “maravilhoso” e “o melhor de todos” são usadas com frequência na comunicação norte-americana. Em culturas mais contidas, o excesso de superlativos pode parecer artificial.
A diferença não está apenas no idioma, mas na intensidade esperada das demonstrações de entusiasmo.
Ao conversar em outra cultura, uma linguagem mais moderada reduz o risco de parecer irônico ou pouco confiável.
Calças de moletom, chinelos e roupas muito informais são aceitos em vários ambientes brasileiros. Em algumas regiões do Japão e da Europa, esse tipo de traje pode ser considerado inadequado fora de casa ou de espaços esportivos.
Templos, prédios públicos, restaurantes sofisticados e cerimônias costumam exigir atenção especial.
Mesmo quando não existe uma regra expressa, observar como as pessoas locais estão vestidas ajuda a escolher uma aparência compatível com o ambiente.
Na Finlândia e em outros países nórdicos, a sauna é uma tradição social e cultural. A nudez pode ser comum, dependendo do local, do grupo e das regras do estabelecimento.
Entrar com roupas inadequadas pode ser considerado pouco higiênico. Em espaços mistos ou voltados a turistas, entretanto, toalhas e roupas de banho podem ser aceitas ou obrigatórias.
Antes de entrar, é importante verificar as normas para evitar constrangimentos.
Singapura possui restrições severas à venda e à importação de goma de mascar, adotadas para reduzir sujeira e danos em espaços públicos.
Existem exceções para produtos terapêuticos autorizados, mas o visitante deve evitar levar grandes quantidades ou descartar chiclete em locais inadequados.
A regra se tornou um exemplo conhecido de como comportamentos cotidianos podem ser tratados de maneira rigorosa em outros países.
Diferenças culturais não significam que um costume seja superior a outro. Elas revelam maneiras distintas de organizar a convivência, demonstrar respeito e interpretar comportamentos.
Antes de viajar, vale pesquisar regras locais de alimentação, vestuário, transporte, gorjetas e interação social. Ao chegar, observar os moradores e seguir as orientações de anfitriões reduz as chances de cometer gafes.
Quando ocorrer um erro, uma explicação educada e um pedido sincero de desculpas costumam resolver a situação. Mais importante do que decorar dezenas de regras é demonstrar disposição para compreender e respeitar a cultura visitada.
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