Política / Movimento
Michelle lança “Imparáveis” para manter mobilização feminina após deixar PL Mulher
Movimento nasceu na estrutura do PL Mulher, mas aliados afirmam que a iniciativa não terá vínculo partidário formal
11/07/2026
10:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Fora da presidência do PL Mulher, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro lançou o movimento “Imparáveis” com o objetivo de manter ativa a rede de mobilização construída durante sua passagem pela ala feminina do Partido Liberal. A iniciativa foi apresentada nas redes sociais na última quinta-feira, 9 de julho, em meio ao desgaste provocado pela briga pública com Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O movimento nasceu dentro da equipe do PL Mulher e deve herdar parte da organização formada por Michelle na legenda. Segundo integrantes ouvidos sob reserva pelo Metrópoles, as atividades deverão ocorrer de forma voluntária e sem vinculação partidária formal, apesar da origem dentro do PL.
A criação do Imparáveis ocorre depois de Michelle deixar o comando nacional do PL Mulher. Após a saída dela, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, extinguiu a presidência nacional da ala feminina e manteve apenas os diretórios estaduais.
Com a mudança, a equipe ligada a Michelle também deixou o quadro de funcionários do partido. O escritório ocupado pelo grupo em Brasília deverá ser desocupado até o fim deste mês.
Integrantes do novo projeto descrevem o Imparáveis como um movimento voltado à inclusão feminina na política. A ideia é que Michelle continue atuando como porta-voz das pautas que defendeu enquanto esteve à frente do PL Mulher.
Durante sua gestão, mais de 72 mil mulheres se filiaram ao partido de Jair Bolsonaro, segundo dados citados pelo Metrópoles. Esse crescimento fortaleceu o papel político da ex-primeira-dama dentro do bolsonarismo, especialmente entre mulheres e evangélicos.
Nas primeiras publicações, o movimento adotou tom de enfrentamento. Um dos vídeos usa cenas do filme “Mulher Maravilha”, de 2017, com a protagonista sendo atingida por ataques identificados como vindos de “mentirosos”.
A legenda da publicação afirma: “Em meio às dificuldades, é preciso coragem para avançar”.
Michelle deixou o comando do PL Mulher após uma crise pública com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. No fim de junho, ela publicou vídeos afirmando ter sido “humilhada” e “desrespeitada” pelo enteado.
O episódio causou desgaste na pré-campanha de Flávio. Dias depois, Michelle se reuniu com Valdemar Costa Neto, que teria pedido uma retratação pública em defesa do pré-candidato ao Planalto. Ela recusou e entregou o cargo no partido.
Flávio afirmou posteriormente que nunca teve intenção de ofender Michelle e pediu desculpas caso isso tivesse ocorrido.
“Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, declarou o senador.
Desde então, a pré-campanha de Flávio tenta reduzir os efeitos da crise e reforçar gestos ao eleitorado feminino, considerado estratégico para o bolsonarismo.
A crise ganhou força a partir da disputa no PL do Ceará. Ainda em 2025, o deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente estadual da legenda, passou a articular uma aproximação com Ciro Gomes (PSDB) para a eleição estadual de 2026, com aval atribuído a Jair Bolsonaro.
A aliança tem como objetivo enfrentar a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Michelle, porém, se opõe ao acordo e defende apoio ao senador Eduardo Girão (Novo) para o governo estadual.
A ex-primeira-dama também defendia uma chapa ao Senado formada por Alcides Fernandes e Priscila Costa, presidente do PL Mulher no Ceará. Com a aproximação entre PL e PSDB, o partido passou a ter apenas uma das duas vagas ao Senado, e o diretório local escolheu Alcides, deixando Priscila fora da disputa.
Michelle sustenta que Jair Bolsonaro havia escolhido Priscila e que a decisão do diretório cearense contrariou a vontade do ex-presidente. André Fernandes e Flávio Bolsonaro negam essa versão.
A deputada Priscila Costa, apontada como uma das principais aliadas de Michelle, também se afastou de movimentos recentes da legenda no Ceará. Ela não compareceu ao lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes ao Senado, evento que ocorreu em meio à tentativa de pacificação interna.
Com o lançamento do Imparáveis, Michelle busca preservar sua base de apoio e manter protagonismo político fora da estrutura formal do PL Mulher. O movimento também amplia a pressão sobre a direção nacional do partido, que tenta organizar a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro sem aprofundar divisões internas.
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