Cultura / Música
Peppino Di Capri, voz de “Champagne” e “Roberta”, deixa legado eterno na música italiana
Cantor e compositor italiano morreu aos 86 anos, em Capri, após carreira marcada por sucessos românticos, festivais e projeção internacional
12/07/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A música romântica italiana perdeu um de seus nomes mais populares e duradouros. O cantor, compositor e pianista Peppino Di Capri, nome artístico de Giuseppe Faiella, morreu neste sábado, 11 de julho de 2026, aos 86 anos, na ilha de Capri, onde nasceu. A morte foi confirmada pela família, mas a causa não foi divulgada.
Ícone de uma geração, Peppino marcou época principalmente entre as décadas de 1960 e 1970, período em que ajudou a modernizar a canção italiana ao misturar romantismo, música napolitana, rock, twist e influências internacionais. Sua voz ficou associada a sucessos que atravessaram fronteiras, como “Roberta”, “Champagne”, “Mai” e “Un grande amore e niente più”.
Nascido em 27 de julho de 1939, Peppino começou cedo na música. Ainda criança, aos 4 anos, já tocava piano para soldados norte-americanos que estavam em Capri durante o período da guerra. Mais tarde, adotou o nome artístico que o tornaria conhecido em vários países, inclusive no Brasil.
Sua carreira ganhou força no fim dos anos 1950 e início dos anos 1960, ao lado da banda I Rockers. Em 1962, tornou-se o primeiro artista italiano a emplacar um twist de sucesso no país com “St. Tropez Twist”, canção que consolidou sua imagem como um intérprete capaz de dialogar com as novidades musicais da época sem abandonar a tradição romântica italiana.
O reconhecimento também veio nos festivais. Peppino venceu o Festival de Sanremo em 1973, com “Un grande amore e niente più”, e voltou a conquistar o primeiro lugar em 1976, com “Non lo faccio più”. Antes disso, em 1970, havia vencido o Festival da Canção Napolitana, reforçando sua ligação com a música de sua região de origem.
Entre suas interpretações mais lembradas está “Champagne”, lançada em 1973, que se tornou uma das canções italianas mais reconhecidas internacionalmente e ganhou forte presença também no repertório afetivo de ouvintes brasileiros. Já “Roberta”, de 1963, ajudou a eternizar o tom romântico que acompanharia grande parte de sua trajetória artística.
Além dos palcos e estúdios, Peppino Di Capri também teve presença no cinema e na televisão. Ao longo de décadas, suas músicas e participações estiveram ligadas a produções italianas, ampliando sua imagem pública para além do universo musical. Sua carreira se estendeu por mais de seis décadas, com discos, shows, festivais e homenagens.
Em 1965, Peppino também viveu um momento histórico ao participar da turnê dos Beatles pela Itália, abrindo apresentações do grupo britânico. O episódio reforçou sua posição como um artista italiano conectado ao circuito musical internacional daquele período.
Para os admiradores, Peppino Di Capri deixa uma obra de grande valor sentimental e artístico. Suas canções seguem associadas a uma fase em que a música italiana conquistou ouvintes em vários países, com melodias fortes, letras românticas e interpretações marcadas por elegância.
A partida de Giuseppe Faiella encerra uma trajetória física, mas preserva um legado que continuará vivo nas gravações, nas lembranças de seus contemporâneos e no repertório das novas gerações que ainda descobrem a força da música italiana. Peppino Di Capri permanece como símbolo de uma arte feita com sensibilidade, identidade e raro domínio da interpretação.
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