Política / Investigação
Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para filme sobre Bolsonaro, diz Intercept
Reportagem aponta diálogos entre Flávio Bolsonaro e dono do Banco Master sobre financiamento da produção biográfica Dark Horse
13/05/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria pago aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi divulgada pelo Intercept Brasil, que afirma ter obtido diálogos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro.
Segundo a reportagem, os recursos teriam sido solicitados por Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à Presidência. O site afirma que as conversas mostram tratativas sobre o financiamento da obra cinematográfica.
Um dos diálogos teria ocorrido em 15 de novembro de 2025, um dia antes de Daniel Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
De acordo com o Intercept Brasil, ao menos R$ 61 milhões teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. A reportagem afirma ainda que o valor total negociado poderia chegar a R$ 134 milhões, mas ressalta que não há evidências de que todo o montante tenha sido efetivamente transferido.
Parte dos recursos, conforme a publicação, teria sido enviada pela Entre Investimentos e Participações, empresa que atuava em parceria com companhias de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. O fundo seria controlado por aliados do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), segundo o site.
Em um áudio divulgado pelo Intercept Brasil, atribuído a 8 de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro teria demonstrado preocupação com atrasos nos pagamentos relacionados à produção do filme.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, teria dito o senador.
Ainda segundo o áudio publicado, Flávio teria mencionado nomes ligados ao cinema norte-americano e manifestado receio de inadimplência com profissionais envolvidos na produção.
“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, teria afirmado.
A reportagem também afirma que Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura no governo Bolsonaro, teriam atuado como intermediários nas negociações.
Além deles, o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como principal operador de Daniel Vorcaro, também são citados como envolvidos nas tratativas.
Segundo o Intercept Brasil, em 28 de janeiro de 2025, Vorcaro teria dito a Zettel que o projeto cinematográfico sobre Bolsonaro era prioridade absoluta e teria dado uma orientação sobre os repasses: “Não pode falhar mais”.
Uma semana depois, em 5 de fevereiro, Zettel teria informado a Vorcaro que estava tentando resolver o pagamento relacionado ao “filme” desde o dia anterior e que o “câmbio do Master” estaria criando dificuldades.
Ainda conforme a reportagem, o banqueiro teria perguntado para quem o repasse deveria ser feito e orientado que a operação fosse realizada por meio da Entre Investimentos e Participações. Em seguida, teria determinado o envio do dinheiro com a frase: “Manda a grana”.
As revelações foram divulgadas no contexto das investigações envolvendo o Banco Master e a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas à atuação da instituição financeira e de seus operadores.
A reportagem do Intercept Brasil afirma que os diálogos indicam a participação de integrantes do núcleo político ligado à família Bolsonaro nas tratativas para viabilizar o financiamento internacional da produção.
Até o momento, as informações divulgadas se baseiam nos diálogos, áudios e documentos citados pelo site. O caso ainda depende de apuração pelas autoridades competentes para definição de eventuais responsabilidades.
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