Política / Investigação
Marcos Pollon é citado em apuração sobre emendas destinadas a filme biográfico de Bolsonaro
Deputado de MS, Mário Frias e Bia Kicis repassaram R$ 2,6 milhões a ONG ligada à produtora de Dark Horse
13/05/2026
20:00
CE
Jim Caviezel, no papel de Jair Bolsonaro
O deputado federal por Mato Grosso do Sul Marcos Pollon (PL), atualmente com o mandato suspenso, aparece entre os parlamentares que destinaram emendas parlamentares a uma organização ligada à produção do filme Dark Horse, longa-metragem sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além de Pollon, também são citados os deputados federais Mário Frias (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF). Os três destinaram, ao todo, R$ 2,6 milhões em emendas Pix, em 2024, a uma ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme.
O caso está sob questionamento do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que pediu explicações sobre o direcionamento dos recursos. O objetivo é apurar se as emendas tiveram como destinação final o financiamento da produção cinematográfica.
O filme Dark Horse é estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel e tem roteiro atribuído ao deputado Mário Frias, que também foi secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro. A produção é da Go Up Entertainment, empresa ligada a Karina Ferreira da Gama.
A discussão sobre o financiamento do filme ganhou novo capítulo nesta quarta-feira, 13 de maio, após o Intercept Brasil divulgar áudios e mensagens atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Segundo a reportagem, Flávio Bolsonaro teria cobrado novos repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção. O material faria parte do inquérito da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo a instituição financeira.
De acordo com o Intercept, teria havido negociação para que Vorcaro contribuísse com o equivalente a US$ 24 milhões para o filme. A reportagem afirma que pagamentos até 2025 já teriam alcançado US$ 10 milhões.
Os valores, segundo o site, aparecem em documentos da investigação relacionada ao Banco Master. A extração integral do material teria sido compartilhada com a defesa de Daniel Vorcaro em fevereiro, por determinação do STF.
Até o momento, conforme o texto original, a Polícia Federal não teria realizado diligências específicas nem aberto investigação própria para apurar os fatos envolvendo Flávio Bolsonaro.
Ainda nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro foi questionado por um repórter do Intercept Brasil ao deixar o STF, após encontro com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
O senador negou que o filme tenha recebido financiamento de Daniel Vorcaro.
“É mentira, de onde você tirou isso?”, afirmou Flávio Bolsonaro, segundo o relato da reportagem.
Depois, ao ser informado de que o site divulgaria mensagens em que ele pediria dinheiro ao banqueiro, o senador chamou o repórter de militante e voltou a negar a informação.
“É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado”, disse.
No áudio divulgado pelo Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria pedido dinheiro a Daniel Vorcaro para cobrir despesas relacionadas ao filme Dark Horse.
“Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”, diz o senador no áudio divulgado pelo site.
Ainda segundo a reportagem, em mensagem escrita enviada a Vorcaro, Flávio Bolsonaro teria afirmado:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”.
A mensagem teria sido enviada em 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Daniel Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o Banco Master. A instituição foi liquidada em 18 de novembro de 2025.
As emendas destinadas por Mário Frias, Marcos Pollon e Bia Kicis foram repassadas ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama. Karina também é dona da Go Up Entertainment, produtora responsável por Dark Horse.
O despacho do ministro Flávio Dino busca esclarecer se os recursos públicos enviados pelos parlamentares à ONG tiveram relação com o financiamento do longa-metragem.
O pôster do filme foi divulgado em abril, e a estreia está marcada para 11 de setembro de 2026, em meio ao calendário eleitoral brasileiro. A produção promete retratar a trajetória política de Jair Bolsonaro até a eleição presidencial de 2018, com gravações no Brasil e nos Estados Unidos.
Segundo o Intercept Brasil, as negociações para financiar o filme teriam contado com a participação de Flávio Bolsonaro, Mário Frias, do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro e de outros intermediários.
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