Política / Segurança
Lula diz que pediu a Trump entrega de brasileiros foragidos em Miami
Presidente afirmou que Brasil quer cooperação com os EUA contra crime organizado, lavagem de dinheiro e tráfico de armas
12/05/2026
13:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, que pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a entrega de brasileiros investigados ou condenados que vivem em Miami. A declaração foi feita no Palácio do Planalto, durante o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê R$ 11 bilhões em investimentos na área de segurança pública.
Segundo Lula, o pedido foi feito durante a reunião recente com Trump, na Casa Branca, em Washington. O presidente brasileiro disse ter defendido uma atuação conjunta entre os dois países para combater organizações criminosas, com foco em asfixia financeira, lavagem de dinheiro, narcotráfico e entrada ilegal de armas.
“Eu disse ao presidente Trump: se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos brasileiros que estão morando em Miami”, afirmou Lula.
O presidente também disse que apresentou ao governo norte-americano propostas voltadas ao bloqueio financeiro de facções e ao enfrentamento da lavagem de dinheiro. Ele citou ainda que parte das armas apreendidas no Brasil tem origem nos Estados Unidos.
“Nós falamos que temos propostas de asfixia financeira, de combater a lavagem de dinheiro, e parte das armas que apreendemos vem dos Estados Unidos”, declarou.
Lula afirmou que a cooperação internacional precisa reconhecer responsabilidades compartilhadas. Segundo ele, não é possível tratar o crime organizado como um problema restrito aos países da América Latina.
“Essas coisas são importantes dizer, porque senão eles passam a ideia de que a desgraça toda está do lado de cá e que eles não têm nada a ver com isso”, acrescentou.
Durante o discurso, o presidente não citou nomes de brasileiros que estariam nos Estados Unidos. Em declarações anteriores, porém, Lula mencionou o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria Refit, que vive em Miami e é considerado foragido pela Justiça brasileira. O nome dele foi citado em etapas da Operação Carbono Oculto, que investiga a atuação do PCC no mercado de combustíveis.
Lula também afirmou que os principais responsáveis pelo crime organizado nem sempre estão nas periferias ou nas comunidades. Segundo ele, parte das lideranças criminosas atua em áreas de alto padrão e em setores formais da sociedade.
“Muitas vezes o responsável está engravatado e tomando uísque”, disse o presidente.
Na avaliação de Lula, o crime organizado se infiltra em diferentes ambientes, incluindo o empresariado, o Judiciário, o Congresso, o futebol e outras áreas. O presidente afirmou que, se Trump quiser participar do enfrentamento ao crime, haverá espaço para cooperação, desde que o trabalho respeite as decisões do governo brasileiro e das autoridades nacionais.
“Disse ao presidente Trump que, se ele quiser participar, tem espaço. Mas vai ter que trabalhar em consonância com o que é decisão do governo do Brasil e da polícia brasileira”, afirmou.
No mesmo discurso, Lula disse que o governo federal pretende dialogar com o Poder Judiciário sobre reclamações de governadores em relação à soltura de criminosos pouco tempo depois de prisões feitas pelas polícias estaduais.
Segundo o presidente, há queixas recorrentes de governadores de que a polícia prende suspeitos e, dias depois, eles acabam soltos por decisões judiciais. Lula afirmou que o tema precisa ser discutido de forma institucional.
“Tem muita queixa de governadores, de que a polícia prende o bandido e, depois, ele está solto. Às vezes, ele escolhe onde quer ficar preso. A Polícia Militar, a Polícia Civil e os governadores se queixam. Vamos ter que colocar na mesa para ver se a gente consegue colocar também o Poder Judiciário nas ações do Executivo”, declarou.
Lula também anunciou que o governo pretende recriar o Ministério da Segurança Pública após a aprovação da PEC da Segurança Pública pelo Senado. A proposta é considerada uma das principais apostas do governo federal para reorganizar a política nacional de segurança.
A PEC da Segurança Pública já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, em março de 2026, mas ainda aguarda encaminhamento no Senado Federal. O texto depende de despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para iniciar a tramitação.
A proposta enfrenta resistência de parlamentares e governadores de oposição, que apontam risco de ampliação excessiva da atuação da União na segurança pública, área tradicionalmente ligada aos estados.
Entre os principais pontos da PEC estão a maior integração entre União, estados e municípios, além da constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp). Para o governo federal, a medida é necessária para estruturar uma atuação nacional permanente contra facções, milícias, lavagem de dinheiro e tráfico de armas.
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