Política / Segurança
Governo atribui atraso em plano contra facções a resistência de governadores da oposição
Aliados de Lula acusam oposicionistas de travar PEC da Segurança e PL Antifacção, mas reconhecem demora interna no governo
12/05/2026
08:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a atribuir parte da demora na adoção de medidas mais amplas contra o crime organizado à resistência de governadores ligados à oposição. Segundo interlocutores do Planalto, a articulação contrária de chefes de Executivo estaduais teria dificultado o avanço da PEC da Segurança Pública e atrasado a votação do Projeto de Lei Antifacção no Congresso Nacional.
A crítica ocorre em meio à pressão sobre o governo federal por respostas mais efetivas ao avanço das facções criminosas no país. Auxiliares de Lula afirmam que a União poderia ter iniciado, ainda no ano passado, uma estratégia integrada com os estados, caso as propostas enviadas pelo Executivo não tivessem enfrentado resistência política.
De acordo com integrantes do governo, governadores de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Santa Catarina teriam atuado junto ao Congresso para impedir o avanço da PEC da Segurança Pública. A proposta está parada no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
No Palácio do Planalto, a leitura é que a oposição tenta evitar que Lula transforme a segurança pública em uma agenda positiva durante o período pré-eleitoral. Interlocutores do presidente avaliam que Alcolumbre tem agido em sintonia com esse movimento ao não pautar a proposta.
A avaliação de auxiliares do governo é que operações estaduais, como as adotadas pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, contra o Comando Vermelho, podem ter efeito pontual, mas não resolvem sozinhas o problema da insegurança nem garantem a retomada permanente de áreas dominadas por organizações criminosas.
Para esse grupo, o enfrentamento às facções precisa ir além da ação policial direta. A estratégia considerada mais eficaz seria uma atuação coordenada entre União e estados para atacar a estrutura financeira das organizações criminosas, ampliar a troca de inteligência e reduzir a capacidade de funcionamento desses grupos.
Segundo governistas, esse modelo só poderá ser adotado de forma regular e institucionalizada com a aprovação da PEC da Segurança Pública. A proposta é vista pelo Planalto como peça central para organizar uma política nacional de segurança com maior integração entre os entes federativos.
Apesar da crítica à oposição, aliados de Lula reconhecem que a demora não pode ser atribuída apenas aos governadores adversários. Dentro do próprio governo, houve divergências sobre o grau de participação da União em ações de segurança pública, tradicionalmente tratadas como responsabilidade direta dos estados.
Uma ala do governo resistia à ideia de maior envolvimento federal, com receio de desgaste político e de conflito com os governos estaduais. Esse grupo acabou perdendo espaço para assessores que defendiam uma presença mais ativa da União no combate ao crime organizado.
A mudança de posição, porém, ocorreu de forma considerada tardia por parte dos próprios aliados. Agora, o governo tenta acelerar a construção de uma agenda nacional de segurança, enquanto responsabiliza a oposição pelos entraves no Congresso e busca reduzir o impacto político das críticas à demora na resposta federal.
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