Campo Grande (MS), Terça-feira, 12 de Maio de 2026

Política / Justiça Eleitoral

Kassio Nunes Marques assume comando do TSE com desafio de reduzir tensão eleitoral

Indicado por Bolsonaro, ministro chega à presidência do tribunal sob expectativa de atuação técnica e diálogo com governo e oposição

12/05/2026

07:30

DA REDAÇÃO

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O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), assume nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em um cenário de expectativa política e atenção redobrada sobre o papel da Justiça Eleitoral nas eleições de 2026.

Indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Kassio chega ao comando do TSE com perfil descrito por aliados como técnico e conciliador. Ao mesmo tempo, sua posse ocorre sob desconfiança de setores bolsonaristas, que observam recentes gestos de aproximação entre o magistrado e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Integrantes do PL comemoram a chegada de um ministro indicado por Bolsonaro à presidência do tribunal, mas avaliam que isso não significa uma gestão alinhada automaticamente aos interesses da direita. Parlamentares de oposição ouvidos reservadamente pela imprensa apontam que Kassio tem inclinações conservadoras, mas deve buscar uma condução institucional, sem transformar o TSE em palco de disputa partidária.

A avaliação entre políticos próximos ao ex-presidente é que a gestão de Kassio tende a ser menos tensa do que as administrações anteriores, especialmente em comparação com os períodos de Alexandre de Moraes, que comandou o tribunal nas eleições de 2022, e de Cármen Lúcia, que deixa a presidência nesta terça-feira.

Apesar disso, um dos pontos sensíveis para o bolsonarismo será a defesa das urnas eletrônicas. Kassio já sinalizou que pretende tratar o combate à desinformação sobre o sistema de votação como prioridade institucional, principalmente diante do avanço da inteligência artificial e do risco de manipulação de conteúdos digitais durante o processo eleitoral.

O tema tem peso político. Jair Bolsonaro foi declarado inelegível por ataques à credibilidade das urnas eletrônicas. Na ocasião, Kassio votou pela absolvição do ex-presidente, mas, agora na presidência do TSE, tem indicado que a proteção do sistema eleitoral será uma das principais frentes de atuação do tribunal.

No campo governista, a leitura é de cautela, mas sem hostilidade. Lideranças petistas reconhecem que Kassio mantém boa relação com políticos ligados ao bolsonarismo, mas avaliam que há espaço para uma postura equilibrada. Aliados de Lula veem o ministro como um magistrado articulado, com interlocução em diferentes campos políticos.

A relação de Kassio com o meio político não começou no governo Bolsonaro. Natural do Piauí, ele chegou ao cargo de desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) por nomeação da então presidente Dilma Rousseff (PT), em 2011. O ministro também era próximo do então governador piauiense Wellington Dias, hoje ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Nos últimos meses, o governo Lula fez gestos considerados relevantes em direção ao ministro. Um deles ocorreu quando o presidente indicou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o desembargador Carlos Pires Brandão, do TRF-1, nome apoiado por Kassio. A escolha contrariou ministros como Gilmar Mendes e Flávio Dino, segundo informações divulgadas pela imprensa.

Outro sinal de aproximação citado nos bastidores foi a ida de Lula à cerimônia de posse de Kassio no TSE. A presença do presidente é interpretada por aliados como uma tentativa de prestigiar o novo comandante da Justiça Eleitoral e reforçar a mensagem de que o governo não pretende alimentar conflito com o tribunal.

A postura esperada de Kassio é de menor interferência direta nas disputas políticas. Segundo interlocutores, o ministro tem defendido que o TSE atue apenas quando necessário, permitindo que candidatos e eleitores sejam os principais protagonistas do processo eleitoral.

Essa diretriz inclui cautela no uso do poder de polícia da Presidência do TSE. A ferramenta permite ao presidente do tribunal adotar providências mesmo sem processo judicial em curso, como determinar a retirada de propaganda irregular, remover conteúdo ilícito ou suspender impulsionamento ilegal.

Esse instrumento foi bastante utilizado durante a gestão de Alexandre de Moraes. Kassio, por sua vez, tem sinalizado que pretende abrir canais de diálogo com partidos de diferentes correntes, tanto da esquerda quanto da direita, com o objetivo de reduzir tensões em um ambiente político ainda marcado pela polarização.

A nova composição do TSE terá Kassio Nunes Marques como presidente e André Mendonça, também indicado ao STF por Jair Bolsonaro, como vice-presidente. O tribunal ainda conta com Dias Toffoli, indicado ao Supremo por Lula, e com ministros oriundos do STJ e da classe dos juristas.

Entre os integrantes estão Antonio Carlos Ferreira, corregedor-geral, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto e Estela Aranha. A composição será observada de perto por partidos e campanhas, especialmente diante de uma eleição presidencial que deve repetir o alto grau de judicialização dos últimos anos.


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