Política / Justiça
Filme sobre Bolsonaro teria sido gravado no Brasil sem registro na Ancine, aponta reportagem
Produção de “Dark Horse” teria ocorrido sem documentação obrigatória, contratos apresentados e comprovação de vistos de trabalho
16/05/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria sido gravado no Brasil de forma irregular pela produtora Go Up Entertainment Ltda., sem o cumprimento de exigências legais previstas pela Ancine (Agência Nacional do Cinema). As informações foram reveladas em reportagem do Intercept Brasil.
Segundo a publicação, a empresa responsável pelo longa-metragem não teria registrado a produção nos sistemas da agência reguladora, nem apresentado contratos, plano de filmagem, documentação de profissionais estrangeiros ou comprovação de vistos de trabalho para o elenco, formado majoritariamente por estrangeiros.
A reportagem também afirma que parte da equipe brasileira envolvida no projeto relatou problemas trabalhistas, incluindo falta de pagamento de direitos, condições inadequadas no set e ausência de informações claras sobre a real natureza da produção. Em dezembro de 2025, a Revista Fórum já havia publicado relatos de funcionários contratados no Brasil, incluindo denúncias de condições degradantes e até agressão física durante as gravações.
De acordo com documento obtido pelo Intercept Brasil, a Ancine confirmou, em dezembro de 2025, que a Go Up Entertainment Ltda. não havia protocolado qualquer documentação referente ao filme nos sistemas da agência.
Pelas regras da Instrução Normativa nº 79, de 2008, toda obra audiovisual estrangeira filmada no Brasil, com exceção de produções jornalísticas, deve ser realizada sob a responsabilidade de uma produtora brasileira registrada na Ancine. Essa empresa precisa comunicar previamente a produção antes do início das gravações no território nacional.
A produtora brasileira deve enviar à agência quatro documentos obrigatórios: o contrato firmado com a empresa estrangeira, com definição de responsabilidades, remuneração e prazo; a tradução do contrato, quando estiver em outro idioma; o plano provisório de filmagem, com datas e locais; e as cópias das páginas de identificação dos passaportes de cada profissional estrangeiro envolvido.
Somente após essa etapa a Ancine emite o ofício que permite à representação diplomática brasileira analisar a concessão dos vistos de trabalho adequados aos profissionais estrangeiros. Segundo a reportagem, esse procedimento não teria sido cumprido no caso de “Dark Horse”.
A produção também entrou no centro de questionamentos políticos por causa da participação de integrantes da família Bolsonaro. O Intercept Brasil informou que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, assinou contrato como produtor-executivo do filme e teria poder sobre os recursos usados no projeto.
Ainda conforme a reportagem, o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, teria negociado repasses equivalentes a R$ 134 milhões para financiar a produção do longa com o banqueiro Daniel Vorcaro. O valor, segundo a publicação, supera o orçamento de diversas produções cinematográficas premiadas internacionalmente.
As suspeitas envolvendo a produção levantam questionamentos sobre a regularidade das filmagens no Brasil, a situação migratória dos profissionais estrangeiros, a contratação de trabalhadores brasileiros e a origem dos recursos usados no projeto. Até o momento, as informações divulgadas se baseiam em documentos e relatos citados pelas reportagens.
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