Política / Justiça
PF aponta repasses mensais de até R$ 500 mil de Daniel Vorcaro a Ciro Nogueira
Senador foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master
07/05/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, a quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os alvos está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas.
Segundo a investigação, Ciro Nogueira teria recebido vantagens indevidas de Daniel Vorcaro, incluindo repasses mensais que, conforme os investigadores, teriam começado em torno de R$ 300 mil e poderiam ter chegado a R$ 500 mil por mês. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além do senador, também foi alvo da PF Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira. Ao todo, a operação cumpre dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
De acordo com os investigadores, a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro não se limitava a uma amizade pessoal ou a uma atuação política regular. A PF sustenta que havia uma ligação financeira e política com possíveis contrapartidas relacionadas aos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
Entre os pontos destacados pela investigação estão:
Aquisição de participação societária estimada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão;
repasses mensais de R$ 300 mil, com relatos de aumento para R$ 500 mil;
disponibilização gratuita de imóvel de alto padrão por tempo indeterminado;
pagamento de hospedagens, deslocamentos e despesas de viagens internacionais de alto custo.
A PF também aponta que o senador teria atuado politicamente em favor de pautas de interesse do banqueiro e do Banco Master. Reportagem da Broadcast afirma que os investigadores veem indícios de que o mandato parlamentar teria sido usado para favorecer interesses ligados a Vorcaro.
A investigação aponta que os pagamentos teriam sido operacionalizados por meio da chamada “parceria BRGD/CNLF”. A sigla BRGD se refere à empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro. Já CNLF corresponde à CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., administrada formalmente por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira.
Segundo a PF, Felipe Cânçado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, teria atuado como operador financeiro no esquema. Ele também aparece nas apurações como responsável por tratar dos valores repassados ao senador.
Em mensagens citadas pela investigação, Felipe demonstra preocupação com o volume dos pagamentos. Em uma das conversas, ele questiona Daniel Vorcaro sobre a continuidade dos repasses: se permaneceriam em R$ 500 mil ou voltariam a R$ 300 mil.
A PF afirma ter encontrado conversas em que Daniel Vorcaro e Felipe Cânçado Vorcaro tratam dos pagamentos ligados ao senador. Em uma das mensagens, de 28 de janeiro de 2025, Felipe menciona aumento nos pagamentos da parceria BRGD e diz que precisaria aportar valores altos todos os meses.
Meses depois, em 30 de junho de 2025, segundo a investigação, Daniel Vorcaro teria demonstrado preocupação com atraso nos pagamentos destinados a Ciro Nogueira. A resposta de Felipe indicaria dúvida sobre o valor a ser mantido: R$ 500 mil ou R$ 300 mil.
Para a PF, os diálogos reforçam a suspeita de que os repasses eram recorrentes e estavam vinculados a uma relação de interesse político e financeiro.
A quinta fase da Operação Compliance Zero marca o avanço das apurações sobre o chamado núcleo político do caso envolvendo o Banco Master. Até então, a investigação se concentrava principalmente em suspeitas financeiras e empresariais atribuídas ao grupo ligado a Daniel Vorcaro.
A operação investiga possíveis crimes como:
corrupção;
lavagem de dinheiro;
organização criminosa;
crimes contra o Sistema Financeiro Nacional;
gestão fraudulenta e irregularidades ligadas ao Banco Master.
Segundo a Agência Brasil, a PF confirmou que os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do STF, e cumpridos em quatro unidades da Federação.
Além das buscas, a decisão do STF impôs restrições ao senador. Conforme a CNN Brasil, Ciro Nogueira está proibido de manter contato com testemunhas e demais investigados na operação.
A medida busca preservar as apurações e evitar interferência no andamento da investigação.
As informações divulgadas até o momento fazem parte de uma investigação em andamento. Ciro Nogueira é alvo de apuração, mas não há condenação judicial relacionada a esses fatos.
A defesa do senador ainda deve se manifestar formalmente nos autos ou por meio de nota pública. O espaço permanece aberto para posicionamento de Ciro Nogueira, de Daniel Vorcaro, dos demais citados e de suas respectivas defesas.
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