Política / Diplomacia
Lula recebeu ligação de Trump antes de viagem aos Estados Unidos
Telefonema de cerca de 40 minutos foi avaliado como amistoso pelo governo brasileiro e antecedeu a confirmação do encontro em Washington
06/05/2026
18:40
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na sexta-feira, 1º de maio, uma ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, antes da viagem marcada para Washington. Segundo fontes do governo brasileiro, a conversa durou cerca de 40 minutos e foi considerada amistosa por interlocutores que acompanharam os relatos do telefonema.
Durante a ligação, Lula colocou-se à disposição para viajar aos Estados Unidos e realizar um encontro presencial com o presidente americano. Trump, por sua vez, afirmou que sua equipe cuidaria dos detalhes da agenda. A confirmação da data teria sido enviada no dia seguinte, abrindo caminho para a reunião marcada para quinta-feira, 7 de maio.
De acordo com relatos, Trump adotou tom cordial durante a conversa. O presidente americano teria afirmado que admira a trajetória política de Lula e comentou que pesquisou sobre a vida do chefe do Executivo brasileiro.
Na conversa, Lula disse que gostaria de tratar dos interesses do Brasil e dos Estados Unidos, incluindo temas ligados a conflitos internacionais, comércio, segurança e ao papel da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo fontes do governo, Trump respondeu que tinha interesse em ouvir as opiniões do presidente brasileiro sobre esses assuntos.
Ao se despedir, ainda conforme relatos de interlocutores, Trump encerrou o telefonema de maneira informal, usando a expressão “I love you”, que em português significa “eu te amo”.
O encontro entre Lula e Trump é tratado por integrantes da diplomacia brasileira como uma oportunidade para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período marcado por incertezas, divergências políticas e tarifas de importação.
Entre os temas que devem entrar na pauta estão cooperação econômica, segurança internacional, combate ao crime organizado e ao narcotráfico, minerais críticos e terras raras, além de discussões sobre geopolítica na América Latina, no Oriente Médio e na ONU.
Também devem ser abordados assuntos sensíveis da relação bilateral, como críticas envolvendo o PIX, possíveis parcerias estratégicas em cadeias produtivas e temas ligados ao cenário eleitoral brasileiro.
A viagem a Washington é resultado de um processo de aproximação que ganhou força em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos.
Após aquele primeiro contato, o presidente brasileiro afirmou que queria ir aos Estados Unidos para uma reunião “olho no olho” com Trump. A expectativa inicial era de que o encontro ocorresse em março, mas a agenda foi adiada diante do agravamento da guerra no Oriente Médio.
Desde janeiro, a relação entre os dois governos passou por momentos de tensão. Além das diferenças políticas entre Lula e Trump, episódios diplomáticos recentes tornaram o ambiente mais complexo.
Entre eles estão o cancelamento do visto do assessor americano Darren Beattie e os ruídos envolvendo a prisão e posterior soltura do deputado Alexandre Ramagem, nos Estados Unidos.
Mesmo com esse histórico, auxiliares do presidente brasileiro avaliam que a reunião pode funcionar mais como um ponto de partida do que como um encontro destinado a produzir acordos imediatos. A expectativa é abrir um canal direto de diálogo entre os dois presidentes e avançar em temas de interesse comum para Brasil e Estados Unidos.
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