Política / Diplomacia
Casa Branca confirma encontro entre Lula e Trump em Washington nesta quinta-feira
Presidentes do Brasil e dos Estados Unidos devem tratar de economia, segurança, crime organizado e minerais críticos em visita de trabalho
06/05/2026
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Casa Branca confirmou nesta terça-feira, 5 de maio, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, receberá o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quinta-feira, 7 de maio, em Washington. A agenda foi classificada como uma visita de trabalho e deve tratar de temas econômicos e de segurança considerados de interesse comum pelos dois países.
Segundo um funcionário da Casa Branca, Trump receberá Lula para discutir “assuntos econômicos e de segurança de importância compartilhada”. Na linguagem diplomática, uma visita de trabalho tem foco em pautas específicas e não conta com o mesmo aparato cerimonial de uma visita de Estado.
A previsão é de que Lula viaje aos Estados Unidos nesta quarta-feira, 6 de maio, e retorne ao Brasil na sexta-feira, 8 de maio, conforme a expectativa de aliados. A reunião ocorre após uma tentativa anterior de agenda em março, que não avançou naquele momento.
Às vésperas do encontro, integrantes do governo brasileiro já estavam em Washington para preparar a visita presidencial. Um dos temas centrais será a cooperação no combate ao crime organizado transnacional.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro pretende discutir um acordo voltado ao enfrentamento de organizações criminosas com atuação internacional. Segundo ele, há espaço para cooperação em áreas como controle de fluxo financeiro, investigação e troca de informações.
O tema já havia sido tratado em conversas anteriores entre Lula e Trump. Em abril, Brasil e Estados Unidos anunciaram uma iniciativa conjunta para combater o crime organizado, com integração de dados da Receita Federal brasileira e da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), com foco em inteligência para interceptar fluxos ilegais de armas e drogas.
Também está em discussão a possibilidade de mudança na classificação de facções criminosas brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), para grupos terroristas. O governo brasileiro tenta evitar essa designação, por avaliar que a medida poderia gerar consequências jurídicas e diplomáticas sensíveis para o país.
Além da segurança, a pauta econômica deve incluir o interesse dos Estados Unidos em minerais críticos e terras raras do Brasil, insumos considerados estratégicos para tecnologia, energia, defesa, semicondutores, baterias e cadeias produtivas globais.
O Brasil possui uma das maiores reservas desses minerais no mundo, e o governo brasileiro tem defendido que eventuais acordos preservem a soberania nacional e estimulem a agregação de valor dentro do país, especialmente por meio do processamento local das matérias-primas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve acompanhar Lula na viagem. Ele esteve nos Estados Unidos durante reuniões de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e participou das tratativas envolvendo cooperação bilateral contra o crime organizado.
A reunião entre Lula e Trump ocorre em meio a uma relação marcada por diferenças políticas e tensões recentes. Os dois líderes estão em campos ideológicos opostos, e o presidente brasileiro adotou, no ano passado, discurso de defesa da soberania nacional após tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
No cenário interno, Lula viaja poucos dias após a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O governo também acompanha pesquisas eleitorais que indicam disputa apertada para a eleição presidencial de 2026. Levantamento Meio/Ideia, divulgado nesta quarta-feira, 6 de maio, aponta empate técnico em eventual segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Lula, considerando a margem de erro.
Outro ponto recente de atrito foi a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) nos Estados Unidos pelo ICE, serviço de imigração americano, por questão relacionada ao visto. Após o episódio, houve cancelamento de credenciais entre autoridades de segurança dos dois países, em um desgaste diplomático que também compõe o pano de fundo da reunião.
Mesmo com divergências, a visita indica tentativa de manter canais institucionais abertos entre Brasília e Washington. A expectativa é que a conversa avance em temas práticos, especialmente nas áreas de segurança pública, economia, comércio, minerais estratégicos e cooperação bilateral.
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