Justiça / Investigação
Defesa de Daniel Vorcaro finaliza proposta de delação e deve entregar anexos nesta semana
Documentos devem detalhar episódios de irregularidades, nomes de envolvidos, condutas atribuídas a terceiros e provas que podem ser apresentadas
06/05/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pretende entregar ainda nesta semana a proposta de delação premiada às autoridades. A etapa antecede a negociação com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) sobre eventuais benefícios da colaboração, redução de pena, regime de cumprimento e devolução de recursos.
A proposta deve ser apresentada por meio de anexos, cada um dedicado a um episódio específico de supostas irregularidades. Os documentos devem conter a descrição dos fatos, os nomes dos envolvidos, a participação atribuída a cada pessoa e os meios de prova que poderão ser entregues caso o acordo seja aceito.
Nos depoimentos, Vorcaro relata crimes que teria cometido, aponta condutas ilícitas supostamente praticadas por terceiros e indica provas que afirma ter condições de apresentar. A partir dessas informações, a defesa estruturou os anexos que serão analisados pelos investigadores.
A conclusão dos documentos foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha de S.Paulo. Após a entrega, o material deverá tramitar sob sigilo.
Com os anexos em mãos, defesa e autoridades passarão a discutir as condições de um eventual acordo. Entre os pontos em negociação estão possíveis benefícios penais, como redução de pena e definição de regime, além dos valores que Vorcaro poderá ter de pagar ao Estado, seja como multa, seja como ressarcimento.
Até o momento, segundo a avaliação de autoridades envolvidas no caso, o ex-banqueiro não deve receber perdão judicial.
A defesa de Daniel Vorcaro tem comparecido diariamente à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde os depoimentos vêm sendo colhidos.
O ex-banqueiro foi transferido em 19 de março para a unidade da PF no Distrito Federal, justamente para discutir os termos da colaboração premiada. A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para o exterior. A Polícia Federal sustenta que ele tentava deixar o país para fugir das investigações. A defesa, por outro lado, afirma que a viagem tinha como objetivo encontrar investidores interessados na compra do Banco Master.
Ele foi solto dez dias depois, mas voltou a ser preso em 4 de março, em nova fase da operação Compliance Zero, que também atingiu servidores do Banco Central.
Além de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e também preso no contexto das investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master, trocou sua equipe de defesa e busca viabilizar um acordo de delação premiada.
A possível colaboração de Zettel pode ampliar o alcance das investigações, caso seja aceita pelas autoridades e acompanhada de elementos considerados relevantes para a apuração.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Ficha Limpa: decisão de Cármen Lúcia pode definir futuro eleitoral de políticos condenados
Leia Mais
Mulher morre após ser atingida por fogo durante abordagem policial no Espírito Santo
Leia Mais
Lula planeja pacote de quase R$ 1 bilhão para combater crime organizado
Leia Mais
Casa Branca confirma encontro entre Lula e Trump em Washington nesta quinta-feira
Municípios