Educação / Comportamento
Menino mexicano com QI acima de Einstein cria aplicativo contra bullying
Aos 10 anos, David Camacho dá palestras, estuda vários idiomas e usa a própria experiência para apoiar crianças com altas habilidades
05/05/2026
11:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Aos 10 anos, o mexicano David Camacho, conhecido nas redes sociais como “David da Vinci”, já acumula uma trajetória incomum para alguém de sua idade. Com QI de 162, acima das estimativas atribuídas a Albert Einstein e Stephen Hawking, o menino dá palestras em universidades, participa de eventos internacionais, prepara o lançamento de um livro e desenvolveu um aplicativo voltado ao combate ao bullying.
Apesar da repercussão, David rejeita o rótulo de “menino gênio”. Em entrevista à BBC News Mundo, ele afirmou que ainda está no começo da vida e prefere não ser comparado a grandes nomes da ciência. Para ele, genialidade é algo demonstrado por realizações concretas ao longo do tempo.
“Tenho 10 anos e estou apenas começando. Talvez eu seja um gênio quando tiver 70 anos, mas quando tiver feito coisas geniais na vida”, disse.
A inspiração para o apelido vem de Leonardo da Vinci, artista, inventor e cientista italiano que viveu entre 1452 e 1519. David conta que conheceu a história do polímata ainda no jardim da infância e se encantou com a capacidade de unir áreas como ciência, tecnologia, engenharia, matemática, artes e humanidades.

Morador de Querétaro, no centro do México, David Camacho fala com desenvoltura sobre seus planos. Ele já participou de conferências em universidades e organismos internacionais e foi selecionado para visitar a sede da Nasa, em Houston, nos Estados Unidos.
Durante a experiência, participou de um programa de treinamento espacial, pilotou um voo simulado e vivenciou a sensação de gravidade zero. O interesse pelo espaço é grande, mas David afirma que não pretende limitar seu futuro a uma única área.
Ele diz que gostaria de realizar a primeira cirurgia no espaço, criar uma empresa semelhante à SpaceX e combinar ciência, negócios e humanidades em seus projetos.
Atualmente, o menino estuda em uma escola internacional online, que deve certificá-lo para ingresso futuro na universidade. Além do espanhol, fala inglês, francês e alemão, e começou a estudar russo, português e italiano.
David afirma sentir orgulho de sua inteligência, mas faz questão de destacar que crianças com altas habilidades continuam precisando aprender como qualquer outra pessoa. Segundo ele, existe uma expectativa equivocada de que crianças superdotadas saibam responder a qualquer pergunta automaticamente.
“Muitas pessoas pensam que devemos saber tudo, mas não somos adivinhos, é preciso que nos ensinem. Não significa que temos todas as respostas do universo”, afirmou.
O menino também relata situações em que pessoas tentam testá-lo com cálculos complexos apenas por saberem de seu alto QI. Ele explica que, se ainda não aprendeu determinado conteúdo, não tem obrigação de saber a resposta.
A mãe de David, Claudia Flores, percebeu desde cedo que o filho tinha um ritmo de aprendizado diferente. Segundo ela, o menino memorizava dezenas de músicas infantis e, pouco tempo depois de entrar na escola, já pedia para estudar com crianças mais velhas.
Durante a pandemia de covid-19, ao acompanhar as aulas online do filho, Claudia percebeu que David aprendia muito mais rapidamente do que os colegas. A partir daí, começou a buscar informações sobre crianças com altas habilidades e orientação especializada.
Apesar das conquistas, David afirma que enfrentou dificuldades na escola, principalmente por causa do bullying. Segundo ele, algumas crianças não entendiam por que ele aprendia tão rápido ou sabia assuntos diferentes, e reagiam com provocações.
A experiência negativa foi transformada em projeto. David desenvolveu o aplicativo Macayos, previsto para ficar disponível ainda este ano. A plataforma, criada com apoio de inteligência artificial, tem como objetivo ensinar crianças a lidar melhor com suas emoções de forma lúdica.
“Não somos extraterrestres: temos altas habilidades, mas continuamos sendo crianças”, afirmou.

O caso de David Camacho também chama atenção para a importância do diagnóstico correto de crianças com altas habilidades. Segundo a mãe, muitas vezes esses estudantes são confundidos com crianças com TDAH ou até com características do espectro autista, principalmente por se mostrarem inquietos ou entediados em sala de aula.
Claudia explica que, em muitos casos, a criança apenas já compreendeu o conteúdo e precisa de novos estímulos. A identificação precoce permitiu que David recebesse apoio mais adequado para seu perfil.
Instituições como o Centro de Atenção ao Talento do México (Cedat) estimam que possa haver cerca de 1 milhão de crianças superdotadas no país, mas a maior parte não é identificada corretamente. Segundo essas estimativas, 93% teriam recebido diagnóstico equivocado.
No Brasil, a organização Mensa, criada em 1946 no Reino Unido para reunir pessoas superdotadas, calcula que possa haver cerca de 4 milhões de brasileiros com QI acima de 130 pontos, entre adultos e crianças.
Embora tenha uma rotina marcada por estudos, idiomas, palestras e projetos, David afirma que também faz atividades comuns para sua idade. Ele brinca com blocos de montar, vai ao parque e tenta manter momentos de lazer.
A mãe reconhece que acompanhar o ritmo do filho é desafiador. Segundo Claudia Flores, David é carinhoso e tranquilo como criança, mas extremamente acelerado quando entra no modo curioso e criativo.
Ela costuma brincar dizendo que ele tem “dois esquilos” na cabeça. David, por sua vez, responde que não são esquilos, mas um computador quântico.
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