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Morre Guto Graça Mello, produtor musical que marcou trilhas de novelas e discos da MPB
Diretor musical tinha 78 anos, estava internado no Rio de Janeiro e deixa legado em novelas, cinema, televisão e na indústria fonográfica
05/05/2026
13:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O produtor, compositor e diretor musical Augusto César Graça Mello, conhecido como Guto Graça Mello, morreu nesta terça-feira, 5 de maio, no Rio de Janeiro, aos 78 anos. Ele estava internado havia mais de um mês no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, após sofrer uma queda. Segundo familiares, a causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória.
Um dos nomes mais influentes da música na televisão brasileira, Guto Graça Mello ajudou a transformar trilhas sonoras de novelas em produtos culturais de grande alcance popular. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, produziu mais de 500 discos, incluindo trabalhos de artistas como Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e o primeiro álbum de Xuxa Meneghel.
Ele deixa a viúva, a atriz Sylvia Massari, além de duas filhas e dois enteados. Durante a internação, Sylvia vinha publicando mensagens de apoio e declarações de carinho ao marido nas redes sociais.
Nascido no Rio de Janeiro, em 29 de abril de 1948, Guto Graça Mello cresceu em uma família ligada à arte. Era filho dos atores Stella Graça Mello e Octávio Graça Mello, pioneiros do rádio e da televisão no Brasil.
Antes de se dedicar integralmente à música, chegou a iniciar o curso de Arquitetura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Depois, passou a estudar violão, frequentou a escola de música ProArte e começou a compor ainda nos anos 1960.
Em parceria com o produtor musical Mariozinho Rocha, escreveu canções gravadas por nomes importantes da música brasileira, como Elis Regina e Nara Leão. Também integrou o grupo Vox Populi e viveu uma temporada no exterior antes de consolidar sua carreira na televisão.
A trajetória de Guto Graça Mello na TV Globo começou em 1972, como produtor musical do programa “Viva Marília”, apresentado por Marília Pêra. No ano seguinte, assinou sua primeira trilha de novela, “Cavalo de Aço”, ao lado de Nelson Motta.
A partir daí, tornou-se uma figura central na construção da identidade sonora das novelas brasileiras. Entre os trabalhos mais marcantes estão trilhas de produções como “Gabriela”, “Pecado Capital”, “Saramandaia”, “Estúpido Cupido”, “Pai Herói” e “Malu Mulher”.
Em “Gabriela”, por exemplo, ele articulou a presença de nomes como Dorival Caymmi, Djavan e Jorge Amado, alinhando a trilha ao universo literário e dramático da obra. Já em “Pecado Capital”, produziu o repertório em prazo curto e encomendou a Paulinho da Viola a canção de abertura, “Dinheiro na mão é vendaval”.
Além das novelas, Guto Graça Mello também compôs o tema de abertura do “Fantástico”, uma das vinhetas musicais mais conhecidas da televisão brasileira. Ele atuou ainda na direção musical de festivais, programas infantis, minisséries e especiais da Globo.
Na Som Livre, teve papel estratégico na estruturação do mercado de trilhas sonoras. A força das novelas ajudou a impulsionar artistas e consolidar discos que marcaram época. Nomes como Cazuza e Lulu Santos também passaram pelo ambiente musical em que Guto atuava.
Fora da televisão, assinou trilhas de mais de 30 filmes, incluindo produções como “O Beijo no Asfalto”, “A Estrela Sobe”, “Cazuza”, “Se Eu Fosse Você” e “Nosso Lar”.
Guto Graça Mello deixou a Globo e a Som Livre em 1989, mas continuou trabalhando com produção musical, trilhas, jingles e projetos fonográficos. Sua carreira permanece associada a uma fase em que a música, a televisão e a indústria do disco caminharam juntas na formação do imaginário popular brasileiro.
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