Política Internacional
Trump diz que EUA devem “administrar” a Venezuela e explorar petróleo por tempo indeterminado
Em entrevista ao The New York Times, presidente afirma que pretende supervisionar o governo venezuelano por “vários anos” e fala em “reconstrução lucrativa” baseada na exploração de petróleo
08/01/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente dos Donald Trump afirmou que os Estados Unidos devem continuar “administrando” a Venezuela e extraindo petróleo do país latino-americano por muitos anos. A declaração foi dada em entrevista ao The New York Times, publicada nesta quinta-feira (8).
Segundo Trump, o governo norte-americano pretende supervisionar a administração venezuelana por tempo indeterminado, afirmando que o atual governo interino “está nos dando tudo o que consideramos necessário”. Questionado sobre quanto tempo a ingerência de Washington deve durar, o presidente respondeu que “só o tempo vai dizer”.
“Vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo, importar petróleo, baixar os preços do petróleo e dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, afirmou Trump na entrevista.
A declaração ocorre após a decisão do governo norte-americano de vender barris de petróleo venezuelano, medida que provocou queda nas cotações internacionais do óleo, segundo analistas de mercado.
Ao ser questionado sobre o motivo de apoiar a Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interina após a captura de Nicolás Maduro, Trump evitou responder diretamente. A opção por respaldar a atual administração, em vez de estimular a oposição venezuelana a assumir o poder, tem sido alvo de críticas e questionamentos no cenário internacional.
No mesmo contexto de reposicionamento da política externa, Trump assinou, na quarta-feira (7), uma proclamação determinando a retirada dos Estados Unidos de 35 organizações internacionais não vinculadas à ONU e de 31 entidades ligadas ao sistema das Nações Unidas.
Segundo comunicado da Casa Branca, a decisão foi tomada porque essas instituições “operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA”. A maior parte dos organismos atingidos está relacionada a temas como mudanças climáticas, direitos trabalhistas, diversidade e políticas sociais, áreas que o governo Trump classifica como alinhadas à agenda “woke”.
Entre as entidades citadas estão a ONU Mulheres, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
O governo norte-americano já havia suspendido anteriormente o apoio a organismos como a Organização Mundial da Saúde, a UNRWA, o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO.
Com isso, os Estados Unidos passaram a adotar uma postura mais seletiva em relação às contribuições financeiras ao sistema multilateral, priorizando apenas operações consideradas alinhadas à agenda do governo.
Para o analista Daniel Forti, do International Crisis Group, a decisão consolida uma visão unilateral da política externa norte-americana. Segundo ele, a postura adotada por Trump pode ser resumida como “ou do meu jeito ou nada feito”.
A mudança representa um rompimento com a tradição de governos republicanos e democratas anteriores e já provocou impactos diretos na Organização das Nações Unidas, que iniciou cortes de pessoal e programas. Organizações não governamentais independentes também relataram o encerramento de projetos após a redução drástica da ajuda externa norte-americana, especialmente com o fechamento da USAID.
Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, Trump já havia retirado os Estados Unidos de diversos organismos multilaterais. Em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, anunciou a saída do país da Organização Mundial da Saúde, acusando a entidade de ter sido influenciada pela China. A retirada formal foi consumada no ano seguinte.
Agora, com a nova ofensiva diplomática e a intervenção direta na Venezuela, a política externa dos Estados Unidos volta a gerar forte repercussão internacional, levantando debates sobre soberania, legalidade das ações e o futuro das relações multilaterais.
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