Economia / Empreendedorismo
Pequenas empresas brasileiras preferem crescimento seguro à expansão acelerada, aponta pesquisa
Estudo da Mastercard revela que 76% dos empresários consultados no país priorizam estabilidade financeira; segurança digital também ganha importância.
13/10/2026
19:55
ASSECOM
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A preocupação em manter as contas equilibradas e evitar riscos financeiros está influenciando as decisões de pequenos e médios empresários brasileiros. Segundo pesquisa divulgada pela Mastercard, em 13 de outubro de 2026, 76% dos empreendedores entrevistados no Brasil preferem crescer de maneira estável e previsível, em vez de buscar uma expansão acelerada. O percentual supera a média mundial de 68%.
Os dados fazem parte do estudo Dreamonomics, realizado com 6.615 responsáveis por decisões empresariais em 18 mercados. O levantamento analisa como pequenas e médias empresas enfrentam desafios relacionados ao crescimento, à digitalização, à segurança cibernética e à administração financeira.
A preferência pela estabilidade coloca o Brasil entre os mercados que mais valorizam a previsibilidade dos negócios, ao lado da Argentina. Na América Latina, 74% dos participantes demonstraram a mesma preocupação.
O resultado indica que ampliar o faturamento continua sendo importante, mas os empresários também procuram preservar o fluxo de caixa, controlar despesas e reduzir a exposição a situações que possam comprometer a continuidade das atividades.
A pesquisa também identificou uma mudança na maneira como os empresários brasileiros planejam suas estratégias comerciais.
Entre os participantes do país, 69% preferem fortalecer o relacionamento com clientes atuais, em vez de concentrar seus esforços exclusivamente na conquista de novos consumidores. No cenário mundial, essa preferência aparece em 61% das respostas.
A estratégia está relacionada à busca por receitas mais previsíveis e relações comerciais duradouras.
No levantamento global, 54% das pequenas e médias empresas afirmaram evitar deliberadamente riscos financeiros considerados desnecessários.
A preocupação com estabilidade também aumenta o interesse por ferramentas que permitam acompanhar receitas, despesas e movimentações financeiras com maior precisão.
A proteção contra fraudes e ataques virtuais aparece entre as prioridades das empresas que pretendem ampliar suas operações digitais.
No Brasil, 77% das PMEs consultadas apontaram a segurança cibernética como uma prioridade.
No cenário global, 71% dos entrevistados consideram importante proteger seus negócios contra ameaças digitais. Entretanto, apenas 37% declararam utilizar ferramentas específicas de cibersegurança.
A diferença entre a preocupação e a adoção efetiva dessas soluções evidencia um desafio para empresas que dependem cada vez mais de sistemas eletrônicos, pagamentos digitais e armazenamento de informações de clientes.
O estudo também identificou interesse crescente pela inteligência artificial. Entre os participantes globais, 70% demonstraram otimismo quanto ao potencial dessa tecnologia, enquanto 41% destacaram aplicações relacionadas à prevenção de fraudes e à segurança.
A digitalização das pequenas e médias empresas já envolve diferentes ferramentas utilizadas nas operações diárias.
Segundo o Dreamonomics, os negócios pesquisados utilizam, em média, cinco ferramentas digitais, destinadas a atividades como pagamentos, controle financeiro, atendimento e administração.
Mesmo assim, 89% dos entrevistados globalmente manifestaram interesse em adotar novas soluções tecnológicas.
Outros 78% consideram essencial integrar diferentes ferramentas, evitando que informações financeiras e operacionais fiquem distribuídas em sistemas que não se comunicam.
A busca por integração está associada à necessidade de simplificar processos e melhorar o acompanhamento das atividades empresariais.
Um dos participantes brasileiros, sócio de uma construtora, resumiu essa demanda ao defender a concentração das informações em uma única plataforma.
"Quero tudo mais automatizado, tudo mais rápido. Um clique e consigo ver tudo. Um dashboard em uma única tela, totalmente consolidado", relatou.
Embora a estabilidade financeira apareça como preocupação recorrente, o estudo identificou prioridades distintas entre as regiões pesquisadas.
Na Europa, 67% das empresas entrevistadas valorizam atividades profissionais que favoreçam a saúde, os relacionamentos e a vida pessoal.
Na região da Ásia-Pacífico, essa preocupação foi mencionada por 63% dos participantes. Na Indonésia, 76% priorizam estabilidade e previsibilidade.
Já no Oriente Médio e na África, 43% das PMEs pesquisadas utilizam inteligência artificial ou aprendizado de máquina para automatizar atividades, enquanto 42% adotam ferramentas de segurança cibernética.
Na América do Norte, o levantamento identificou maior utilização de cartões empresariais. Segundo os dados, 51% das empresas consultadas na região utilizam exclusivamente cartões corporativos, diante de uma média global de 46%.
Os resultados mostram que as necessidades variam conforme as características dos mercados, embora o controle financeiro e a adoção de tecnologia estejam presentes nas decisões empresariais.
Paralelamente à divulgação da pesquisa, a Mastercard anunciou a campanha internacional Dreams, voltada ao segmento de pequenas e médias empresas.
A iniciativa, desenvolvida pela WMCann, utiliza histórias de empreendedores brasileiros para abordar desafios relacionados à administração financeira, digitalização e proteção de dados.
O Brasil está entre os primeiros mercados a receber a campanha, juntamente com Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Singapura.
A programação anunciada inclui participação na Feira do Empreendedor Sebrae, com atividades de educação financeira e apresentação de soluções tecnológicas, além de uma ação comercial no bairro do Brás, em São Paulo.
Para Leon Gottlieb, vice-presidente de Pagamentos para PMEs da Mastercard Brasil, os resultados indicam uma mudança na forma como os empresários avaliam suas oportunidades.
"O estudo Dreamonomics mostra que hoje eles estão cada vez mais focados em um crescimento previsível, sustentável e construído para o longo prazo", afirmou.
Segundo o executivo, a demanda por maior controle das operações e proteção contra riscos influencia o desenvolvimento de ferramentas financeiras destinadas aos pequenos negócios.
A preferência por estabilidade e controle financeiro também representa uma questão relevante para pequenas e médias empresas de Mato Grosso do Sul, especialmente nos setores de comércio, serviços, turismo e construção civil.
Em cidades como Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá, decisões sobre expansão, contratação de funcionários e investimentos dependem de fatores como disponibilidade de crédito, custos operacionais e perspectivas de faturamento.
Nesse contexto, ferramentas de gestão financeira e proteção digital podem auxiliar empresários a acompanhar despesas, administrar pagamentos e reduzir riscos nas operações.
O levantamento, entretanto, não apresenta resultados específicos de Mato Grosso do Sul. Por isso, os percentuais nacionais não podem ser atribuídos diretamente aos empreendedores do estado.
O Dreamonomics foi elaborado pela empresa de pesquisa Hypothesis, a pedido da Mastercard, com a participação de 6.615 tomadores de decisão de pequenas e médias empresas em 18 mercados.
O estudo reúne informações sobre expectativas de crescimento, relacionamento com clientes, utilização de tecnologias, segurança cibernética e necessidades de gestão.
Os resultados representam as percepções dos empresários entrevistados e ajudam a identificar tendências relacionadas ao planejamento e à administração dos pequenos negócios.
Mais informações estão disponíveis no portal de notícias da Mastercard.
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