Economia / Segurança Digital
Medo de fraudes ameaça expansão digital de pequenas empresas no Brasil, aponta pesquisa
Estudo da Mastercard mostra que 57% dos empreendedores brasileiros entrevistados consideram os riscos cibernéticos uma barreira para ampliar pagamentos digitais.
20/10/2026
20:30
ASSECOM
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O avanço dos pagamentos digitais entre pequenas e médias empresas brasileiras enfrenta um obstáculo que vai além dos custos das transações: o medo de fraudes e ataques cibernéticos. Pesquisa divulgada pela Mastercard, em 20 de outubro de 2026, revela que 57% dos empreendedores brasileiros entrevistados apontam as ameaças virtuais como uma das principais barreiras para ampliar o uso de meios eletrônicos de pagamento.
O levantamento, denominado Mastercard 2026 SME Cybersecurity Outlook, ouviu 2.400 empresários e tomadores de decisão em 12 países da América Latina e do Caribe, incluindo 200 participantes no Brasil. Os resultados mostram que, embora os pagamentos digitais estejam amplamente incorporados à rotina dos negócios, a segurança das operações ainda preocupa os empresários.
No Brasil, 100% das empresas consultadas afirmaram aceitar pagamentos digitais. Além disso, 82% informaram que mais da metade de suas vendas ocorre por meios eletrônicos ou sem utilização de dinheiro em espécie.
A adesão, entretanto, não significa ausência de dificuldades. Entre os entrevistados brasileiros, 55% mencionaram as taxas de transação como uma barreira à ampliação dos pagamentos digitais, percentual próximo ao registrado para o receio de fraudes.
Os riscos cibernéticos já influenciam decisões empresariais. Segundo o estudo, 33% dos participantes brasileiros afirmaram ter reduzido ou interrompido o uso de ferramentas digitais devido às preocupações com ameaças virtuais.
Nos 12 meses anteriores à pesquisa, o temor de fraudes levou 38% dos entrevistados a adiar a adoção de novos meios de pagamento. Outros 28% postergaram planos de expansão geográfica, enquanto 27% atrasaram iniciativas de marketing digital e parcerias comerciais.
A situação também revela diferenças no preparo das empresas para enfrentar incidentes de segurança.
Embora 44% das PMEs brasileiras pesquisadas tenham declarado possuir um plano formal de resposta ou recuperação diante de ataques cibernéticos, 30% afirmaram não contar com nenhum planejamento desse tipo.
O resultado indica que parte dos negócios permanece vulnerável a situações que podem comprometer operações, informações de clientes e continuidade das atividades.
A segurança digital também aparece como um fator importante na relação entre empresas e consumidores.
No Brasil, 91% dos empresários entrevistados consideram que investir em proteção cibernética proporciona vantagem competitiva. Outros 98% concordam que os consumidores têm maior disposição para comprar de empresas nas quais confiam para proteger seus dados pessoais.
Para a vice-presidente executiva de Serviços da Mastercard para a América Latina e o Caribe, Ana Lucía Magliano, a proteção digital passou a influenciar diretamente as perspectivas de crescimento das pequenas empresas.
"Para as pequenas empresas da América Latina e do Caribe, a segurança cibernética deixou de ser apenas uma questão de tecnologia e se tornou um imperativo de negócio", afirmou.
Segundo a executiva, a adoção de ferramentas digitais precisa ser acompanhada de mecanismos capazes de reduzir riscos e fortalecer a confiança nas operações.
Apesar das preocupações, os empresários brasileiros demonstram expectativas positivas em relação aos investimentos em proteção digital.
De acordo com a pesquisa, 80% das PMEs brasileiras entrevistadas estimam que poderiam alcançar crescimento de dois dígitos caso contassem com uma infraestrutura de segurança mais robusta. Dentro desse grupo de respostas, 30% projetaram expansão superior a 50%.
Esses percentuais representam expectativas dos participantes, e não projeções de crescimento efetivamente comprovadas pelo levantamento.
Com maior proteção, 41% dos empresários priorizariam investimentos em marketing digital. Outros 40% direcionariam recursos para análise de dados e inteligência artificial, enquanto o mesmo percentual ampliaria a utilização de pagamentos digitais ou por aproximação.
Os números sugerem que a preocupação com a segurança não está restrita à prevenção de prejuízos. Ela também interfere na disposição dos empresários para investir, conquistar clientes e explorar novos mercados.
Na América Latina e no Caribe, 97% das empresas participantes já aceitam pagamentos digitais, mas 51% apontam o medo de fraudes ou ameaças virtuais como principal obstáculo à ampliação dessa modalidade.
O estudo identificou ainda que 40% dos entrevistados na região reduziram ou interromperam o uso de ferramentas ou pagamentos digitais em razão dessas preocupações.
Embora 93% afirmem conhecer medidas de proteção digital, apenas 18% demonstram elevada confiança na capacidade de suas empresas de enfrentar ameaças cibernéticas.
Além disso, aproximadamente uma em cada cinco empresas pesquisadas declarou não possuir plano de resposta ou recuperação em caso de incidentes.
Como parte de suas iniciativas voltadas à segurança digital, a Mastercard mantém o Mastercard Trust Center, plataforma gratuita que reúne materiais educativos, treinamentos e orientações para pequenas e médias empresas.
A companhia também disponibiliza, por meio de parceiros e emissores selecionados, soluções destinadas à identificação de vulnerabilidades e à proteção de informações empresariais.
Para os pequenos negócios, medidas como autenticação em duas etapas, atualização de sistemas, cópias de segurança, treinamento de funcionários e controle de acesso a informações sensíveis podem reduzir a exposição a golpes e ataques virtuais.
O levantamento foi realizado no segundo trimestre de 2026, em parceria com a Payments and Commerce Market Intelligence (PCMI).
Participaram empresários e responsáveis por decisões em empresas de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Panamá, Peru e Porto Rico.
No Brasil, a amostra reuniu 200 entrevistados, com margem de erro informada de 6,9 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os resultados refletem as respostas das empresas participantes e não significam que todas as pequenas e médias empresas brasileiras apresentem os mesmos indicadores.
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