Economia / Apostas
90% dos brasileiros dizem que bets viciam e destroem famílias, aponta Quaest
Pesquisa nacional com 15 mil pessoas mostra percepção semelhante entre homens e mulheres, diferentes faixas de renda, escolaridade e grupos religiosos
25/09/2026
20:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Nove em cada dez brasileiros concordam que “apostas online viciam e destroem as famílias”, segundo a pesquisa nacional Religião e Vida Pública no Brasil, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) em parceria com a Quaest. O levantamento aponta 90% de concordância com a afirmação, enquanto 9% discordam.
O resultado mostra que a preocupação com os efeitos das bets aparece em diferentes segmentos da população. A percepção é semelhante entre mulheres, homens, jovens, adultos e idosos, além de permanecer elevada independentemente da escolaridade e da renda familiar.
Entre as mulheres, 90% concordam que as apostas online viciam e destroem famílias. Entre os homens, são 91%. Por idade, o percentual chega a 91% entre pessoas de 16 a 34 anos, repete os 91% na faixa de 35 a 59 anos e fica em 86% entre aqueles com 60 anos ou mais.
Os pesquisadores também analisaram as respostas conforme a formação escolar e a situação econômica dos entrevistados.
Entre as pessoas que estudaram até o ensino fundamental, 89% concordam com a afirmação. O índice sobe para 92% entre quem possui ensino médio ou superior.
As diferenças também são relativamente pequenas quando considerada a renda. A concordância é de 88% entre famílias que recebem até dois salários mínimos, passa para 90% entre aquelas com renda de dois a cinco salários mínimos e chega a 93% entre quem recebe mais de cinco salários mínimos.
A percepção negativa sobre os efeitos das apostas também aparece entre diferentes grupos religiosos.
Entre os evangélicos, 93% concordam que as apostas online viciam e destroem famílias. O percentual é de 92% entre pessoas sem religião, mesmo índice registrado entre seguidores de religiões afro-brasileiras e de outras tradições cristãs. Entre os espíritas, são 91%, enquanto os católicos registram 88%.
Dentro do segmento evangélico, a pesquisa encontrou 96% entre batistas, 95% na Congregação Cristã no Brasil, 94% entre evangélicos sem igreja, 93% em outras denominações, 92% na Assembleia de Deus, 91% na Igreja Universal do Reino de Deus e 90% na Quadrangular. Entre os adventistas, o percentual é de 87%.
No recorte apresentado para os católicos, praticantes e não praticantes aparecem com 87% de concordância.
O levantamento também combinou as respostas sobre religião com a autodeclaração de raça ou cor.
Entre católicos praticantes, concordam com a afirmação 89% dos brancos, 88% dos pardos e 84% dos pretos. Entre os pentecostais, os percentuais são, respectivamente, 93%, 92% e 87%.
O comportamento não se repete da mesma maneira em todos os grupos. Entre os protestantes, a concordância chega a 95% entre brancos, 94% entre pardos e 93% entre pretos. Entre pessoas sem religião, os índices são de 92%, 93% e 91%, respectivamente.
A coordenadora da pesquisa do ISER e professora da PUC-Rio, Lívia Reis, chama atenção para os percentuais ligeiramente menores encontrados entre pessoas de renda e escolaridade mais baixas e em determinados recortes raciais e religiosos.
Segundo ela, esses resultados podem indicar uma relação mais ambivalente com as apostas, que podem ser vistas por alguns grupos como entretenimento acessível ou possibilidade de obter renda rapidamente.
A pesquisadora, entretanto, faz uma ressalva importante: os números não permitem afirmar que 90% dos brasileiros defendem a proibição das bets. O questionamento mediu a concordância com a afirmação de que apostas online viciam e destroem famílias, e não a posição dos entrevistados sobre eventual proibição.
“Os dados apontam uma ampla base social de preocupação com o tema, mas o desenho da resposta pública, seja proibição, restrição de publicidade ou proteção contra o endividamento, segue como objeto legítimo de debate”, afirma Lívia Reis.
A pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil entrevistou 15 mil brasileiros com 16 anos ou mais, distribuídos por 412 municípios de todas as regiões do país.
O questionário reuniu 184 perguntas sobre práticas e crenças religiosas, valores, consumo de mídia e vida pública. A pesquisa informa margem de erro geral de 0,8 ponto percentual, com 95% de nível de confiança. Nos resultados referentes a subgrupos, a margem de erro é maior.
A concepção do questionário, a coordenação científica e a análise ficaram sob responsabilidade do ISER, enquanto a Quaest realizou o trabalho de campo e a tabulação dos dados.
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